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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Os perigos que se escondem nas avenidas


Zero Hora, 13 de março de 2008
Os perigos que se escondem nas avenidas

Postes, árvores, guard-rails e muretas oferecem riscos a motoristasAo longo de ruas e estradas, nem sempre o perigo está em movimento.
Em média, um em cada 10 acidentes de trânsito ocorridos na Capital envolve choque contra obstáculos fixos dentro ou fora das pistas. Embora a prudência dos motoristas seja fundamental para evitar desastres, objetos como árvores, postes e muretas dispostos sem a observância de requisitos de segurança podem aumentar a gravidade do acidente.
A questão foi abordada pelo vice-governador gaúcho, Paulo Afonso Feijó, durante o Painel RBS sobre segurança no trânsito realizado no mês passado. Feijó defendeu o planejamento viário para evitar a colocação de objetos fixos junto às pistas.
- Será que um poste colado ao meio-fio na saída de uma curva de uma via expressa é seguro? - questionou, referindo ao ponto da Terceira Perimetral em que sua filha, Alessandra, morreu no começo de fevereiro.
Para o professor e especialista em Engenharia de Trânsito Mauri Panitz, a disposição de possíveis obstáculos nas proximidades do trajeto de carros, motos e caminhões acaba formando uma espécie de armadilha.
Panitz defende o corte de árvores não-nativas localizadas em pontos perigosos, como na face externa de curvas acentuadas.
Nas estradas, onde a velocidade média dos veículos é superior àquela em perímetro urbano, o ideal seria uma área de escape de nove a 12 metros.
Dentro das cidades, ele alerta para o risco formado até por muretas, defensas (como guard-rails) e outros objetos instalados de forma inadequada.
Nesse caso, o que deveria aumentar a segurança pode até agravar o resultado do acidente.
A mesma preocupação faz parte de um levantamento elaborado pelo engenheiro Walter Kauffmann Neto, que aponta a existência de um poste de luz na tangente da curva onde morreu Alessandra Feijó como uma das causas para a gravidade da batida.
O relatório diz: "Nenhuma proteção foi instalada nesta armadilha mortal. Um simples guard-rail diminuiria em muito o seu perigo potencial".
O diretor de Trânsito e Circulação da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) da Capital, José Wilmar Govinatzki, afirma que qualquer via de uma cidade como Porto Alegre, pelo grande número de objetos fixos, pode ser palco de um acidente quando as normas de segurança de tráfego não são respeitadas.
- Querer botar a culpa no poste ou na árvore é tirar a atenção do que realmente interessa: o comportamento dos motoristas - acredita.
O risco
Os choques (contra obstáculo parado) são o terceiro tipo de acidente mais comum na Capital: 1º Abalroamento 48,2% 2º Colisão 32,5% 3º Choque 9,9% Fonte: EPTC

Zero Hora mostra quatro armadilhas e como desfazê-lasGuard-rail em ângulo elevado

Na subida para a ponte do Guaíba, um guard-rail divide duas pistas. Em vez de sua ponta começar no chão e se elevar progressivamente para evitar um choque de alto impacto com a ponta de metal, sua extremidade termina à meia-altura. Se um motorista perder o controle do veículo e bater nele, a pressão exercida por essa extremidade metálica é muito maior e, conseqüentemente, os danos que pode provocar.
O que deveria ser feitoA extremidade do guard-rail deveria receber uma extensão que fizesse a proteção de metal começar no chão e ir se elevando suavemente - sem criar ângulo reto em relação ao chão.

Postes e árvores sem proteção em área de risco



Postes de concreto e grandes árvores podem agravar acidentes de trânsito - principalmente quando se encontram em pontos sensíveis de vias de maior velocidade média.
Uma delas é a Avenida Tarso Dutra, ao longo do trajeto da Terceira Perimetral, onde no começo de fevereiro morreu a filha do vice-governador, Alessandra Feijó.
O poste em que bateu a adolescente se localiza na face externa de uma curva para a esquerda, o que é considerado ponto de risco para especialistas como Mauri Panitz e Walter Kauffmann. Outros locais sensíveis são os cantos de esquinas, onde os condutores podem perder o controle ao tentar fazer a curva.
O que deveria ser feitoComo a colocação de proteções em todos os postes e todas as árvores de uma cidade acaba sendo inviável, os especialistas sugerem um trabalho de planejamento viário que identifique os pontos mais perigosos das vias de maior velocidade, pelo menos.
Esses pontos podem ser protegidos com guard-rails ou bolardos (pequenos postes colocados antes de um obstáculo fixo para absorver o impacto sem destruir o veículo).

Defensa fora dos padrões



Ao longo de uma das principais avenidas da Capital, as defensas (pequenas muretas de proteção) representam mais um perigo do que um item de segurança para os motoristas. Algumas são, na verdade, gaiolas de trilhos de metal ao redor dos postes de alta-tensão capazes de provocar grandes danos nos veículos.
Em alguns casos, como nas proximidades do Ginásio da Brigada Militar, perderam parte da estrutura e apresentam hastes de metal voltadas para o sentido da via - como se fossem lanças à espera dos condutores.
O que deveria ser feitoEssas defensas metálicas deveriam ser substituídas por outras, que não formem ângulos retos em relação aos motoristas que transitam pela Ipiranga. Poderiam ser guard-rails metálicos ou círculos de cimento, com areia dentro, capazes de absorver o impacto de uma batida sem destruir o veículo.

Árvores em curva acentuada de rodovia


Quem sai da ponte do Guaíba e percorre a BR-290 em direção a Eldorado do Sul em seguida encontra uma curva para a esquerda. Na face externa da curva, área para onde o veículo tende a se dirigir em caso de descontrole, há uma sucessão de grossos eucaliptos formando uma espécie de armadilha a menos dos nove metros recomendados como área livre de escape. Um choque em um caule a 80 km/h apresenta elevado risco para o motorista.

O que deveria ser feito

Uma das possibilidades é cortar as árvores, que não são de espécie nativa. Outras medidas, de menor impacto, seriam a instalação de um guard-rail metálico ao longo do trajeto da curva, ou o plantio de espécies vegetais arbustivas, que absorvem a energia do automóvel antes do impacto com os caules das árvores maiores.
Poste flexível é testado no Estado

Quem passa distraído não percebe a diferença. É preciso um olhar mais atento para notar os postes da rede elétrica fabricados em fibra de vidro, mais leves e flexíveis, instalados em ruas movimentadas de Canoas, Novo Hamburgo e São Leopoldo.
A novidade está em fase de testes na Região Metropolitana e promete reduzir o número de mortes no trânsito, o que já ocorreu em países que adotaram a nova tecnologia, como Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha.
Diferentemente dos postes de concreto e madeira, os de fibra de vidro absorvem o impacto de uma colisão e dificilmente arrebentam. Tantos benefícios, no entanto, têm um preço alto.
Cerca de R$ 1,6 mil, contra os R$ 800 a R$ 900 de um poste de concreto, por exemplo.
No país, a empresa fornecedora dos postes, Petrofisa do Brasil, tem sede em Curitiba, no Paraná. Fabricante de tubos e conexões, no final de 2003, por solicitação da Companhia Paranaense de Energia (Copel), desenvolveu em caráter experimental postes de poliéster reforçado com fibra de vidro para a rede elétrica.
Mesmo no improviso, a iniciativa deu tão certo que, em um mês, entrou em funcionamento na empresa uma máquina importada para atender especificamente à demanda da fabricação de postes.
No Estado, quem está testando a novidade são as distribuidoras de energia CEEE e AES Sul. A CEEE deve instalar ainda este mês um poste de 11 metros na orla de Torres.
Problemas com a maresia levaram a companhia a optar pela fibra de vidro.
- O poste de fibra de vidro nos chamou a atenção pela flexibilidade e durabilidade, mas só com o tempo para podermos avaliar o custo-benefício - argumenta o diretor de Distribuição da CEEE, Rogério Sele da Silva.
A assessoria de imprensa da AES Sul está orientada a não comentar o assunto, por ainda estar em fase de testes. Os três postes cedidos pelo fornecedor à distribuidora foram instalados na Avenida Adão Rodrigues de Oliveira, em Novo Hamburgo, na margem da BR-116.

4 comentários:

Lisette Feijó disse...

1 ano depois o que foi feito?
alguma coisa mudou? Será que tudo neste pais é assim, nada muda? Temos que perder mais vidas para tentar mudar?
Esta na hora de tomar uma providência mais séria.

Marcelo disse...

Lisette é de pessoas assim que precisamos, principalmente por ser uma mulher de fibra, continua a luta é dura mas tem muita gente querendo te ajudar, Marcelo.

João disse...

Alguém faz algo neste pais para melhorar ou só para roubar e cons truir castelos...de areia que com o tempo desmoronam. João.

Mariana disse...

Para mudar algo que está errado neste país, não podemos esperar pelas autoridades, pois elas só fazem o que for em benefício próprio.É preciso uma grande união da sociedade em favor da Vida, dos nossos amores,amigos,famílias para que "a Coisa Mude". Creio q somente cobrando forte e com perseverança, poderemos "fazer com que mude" o que está errado.