Divulgado dia 15/08/11, um levantamento feito pelo Departamento Estadual de Trrânsito indica que ações de conscientização e de fiscalização podem estar contribuindo na redução de mortes nas ruas e estradas gaúchas. O número de vítimas fatais no trânsito diminuiu quase 11% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2010. O índice é ainda mais expressivo se for levado em consideração o crescimento de 6,6% na frota de veículos no ano passado
O trânsito gaúcho foi menos violento no primeiro semestre de 2011. O número de mortos em acidentes diminuiu 10,8% em comparação com o mesmo período de 2010. Mais representativa se confrontada com o aumento da frota no Estado, que teve um incremento de 6,6% no ano passado, a redução da carnificina em ruas, avenidas e estradas do Rio Grande do Sul é atribuída pelas autoridades a uma união entre o aumento da conscientização dos motoristas e o recrudescimento da fiscalização.
Os dados apresentados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) na tarde de ontem apontam que 93 vidas foram poupadas: são 770 mortes de janeiro a junho, em relação a 863 nos mesmos meses do ano passado. Os acidentes fatais também diminuíram, caindo de 745 para 692. Ainda que seja preciso levar em conta que o número de vítimas pode ser maior do que esse total – são contabilizados apenas os mortos no local do acidente, sem considerar óbitos em hospitais –, o governador Tarso Genro celebrou a diminuição, ressaltando a necessidade de ações efetivas para conter as mazelas do trânsito.
– A comunidade está pedindo para compartilhar com o poder público campanhas para esse setor. Os Estados que aplicaram com vigor as normas do Código de Trânsito Brasileiro e da lei que coíbe a alcoolemia estão reduzindo as mortes – disse o governador, durante entrevista no Palácio Piratini.
Apesar de afirmar não ter condições de apontar razões diretas para a redução, o presidente do Detran, Alessandro Barcellos, põe o resultado na conta de ações como a Operação Balada Segura – que combate a perigosa combinação de álcool e direção nas madrugadas dos finais de semana – a melhora no índice. A mobilização dos gaúchos em torno do tema e a atuação de entidades civis de combate à violência no trânsito também estão entre os motivos apontados para a mudança nas estatísticas.
– Isso mostra que temos um caminho a ser trilhado. Nossa meta é chegar a uma redução acima de 50%. A impressão, pelos números, é de que estamos em uma crescente de conscientização social – afirmou o diretor da autarquia.
Medida considerada polêmica à época da implementação, o uso de policiais militares para a entrega da notificação da suspensão da carteira de motorista também parece ter surtido efeito. Dados preliminares do Detran dão conta de que a maior parte dos condutores envolvidos no processo já entregou a habilitação.
Conforme os dados do Detran, o perfil da vítima mais frequente dos acidentes é o de um homem com mais de 60 anos – os jovens entre 18 e 24 anos aparecem em segundo lugar. Apesar de a frota de motos ser menor, o índice de condutores de veículos e motociclistas mortos é quase o
mesmo – 26% e 24%, respectivamente –, e a maior parte das ocorrências acontece nas noites dos finais de semana. Entre as vítimas, chama a atenção que mais da metade pertença ao grupo dos chamados usuários vulneráveis: motociclistas, ciclistas e pedestres.
Ações focadas em pedestres idosos
Espécie de menina dos olhos dos responsáveis pelo órgão de fiscalização do trânsito gaúcho, a Balada Segura deve chegar a outras regiões do Rio Grande do Sul nos próximos meses. A ideia é, além de estender gradativamente as abordagens para os outros dias da semana, encaminhar um projeto de lei à Assembleia Legislativa para transformar a iniciativa em projeto estadual a partir de convênios firmados com municípios. No verão, as blitze deverão ser presença constantes nas madrugadas das praias gaúchas.
Para o segundo semestre, estão previstas ações de conscientização para os idosos pedestres – dos 161 pedestres mortos em atropelamentos, as vítimas da terceira idade concentram quase 40% das mortes – pelo uso do cinto de segurança no banco traseiro dos veículos e cursos para aperfeiçoamento e reciclagem de motociclistas. Conforme Barcellos, há um clamor social para que tragédias responsáveis pela destruição de famílias inteiras sejam estancadas:
– A ideia é aumentar progressivamente a fiscalização, a presença do poder público. Não existe mais espaço para que a população não se sinta fiscalizada.
francisco.amorim@zerohora.com.br
| As razões |
| - Neste ano se intensificaram campanhas educativas e blitze conjuntas, organizadas e executadas por instituições ligadas ao trânsito, como o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), com apoio das polícias Civil e Militar. |
| FISCALIZAÇÃO |
| - Testada nos primeiros meses do ano na Capital, a Operação Balada Segura é a principal ação de combate ao uso de álcool ao volante organizada no Estado. Realizadas nas noites dos finais de semana, as blitze são montadas em áreas boêmias da cidade ou em seus acessos. A ação deve ser estendida gradualmente ao Interior nos próximos meses e também poderá ter edição especial durante o veraneio. Nas estradas, a Brigada Militar têm intensificado barreiras com uso de bafômetros. |
| ESTATÍSTICAS |
| - A compilação de dados estatísticos – com perfil das vítimas, locais dos acidentes, tipos de veículos envolvidos e horários e dias de incidência – tem norteado a fiscalização e as campanhas educativas no Estado. |
| CAMPANHAS SEGMENTADAS |
| - EPTC e Detran têm investido em nichos. Além de ações pontuais em datas específicas, as campanhas têm abordado também a conduta de pedestres e motociclistas. |










