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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Opinião de especialistas do trânsito

Jornal Zero Hora pediu a opinião de três especialistas sobre alguns dos principais resultados da pesquisa divulgada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran):
Especialistas apontam educação contínua e fiscalização mais rígida para pacificar ruas e estradas do Estado:
Carlos Salgado: presidente da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e outras Drogas (Ab ead) e membro da Associação de Psiquiatria do RS
Eduardo Cortez Balreira: consultor técnico do Sindicato dos Centros de Formação dos Condutores do RS
Ricardo Schiavon: arquiteto com especialização em segurança no trânsito e coordenador do Movimento Gaúcho pelo Trânsito Seguro
69,1% dos gaúchos não se consideram imprudentes ao volante, e 88% reclamam do comportamento dos demais.
Por que o motorista gaúcho expressa esta contradição?
Carlos Salgado: É muito mais fácil observar o outro do que a si mesmo. Quando somos questionados sobre habilidades, como a forma de trabalharmos e dirigirmos, por exemplo, tendemos a fazer um juízo favorável de nós mesmos. É uma defesa da autoestima.
Eduardo Cortez Balreira : As pessoas se protegem. Por isso, a primeira opinião é que sempre a culpa é do outro.Esse número de 69% é muito alto, deveria ser muito mais restrito. As causas dos acidentes e dos problemas no trânsito mostram outra realidade. Se as pessoas tivessem consciência de si mesmas, os números seriam outros. A cultura no trânsito não está formada, um dos exemplos é a falta de respeito com a faixa de pedestres.
Ricardo Schiavon:Mas será que as pessoas, no dia a dia, admitem o erro? Será que não é mais fácil colocar a culpa no outro? Em geral, as pessoas já carregam isso nas suas vidas. Sempre são os outros os culpados. Faz parte da nossa cultura.
71,4% dos motoristas dizem que a sua maior preocupação no trânsito é a falta de consciência do condutor.
Seria uma característica do povo gaúcho não assumir responsabilidades? Isto se reflete no trânsito?
Carlos Salgado: Eu aposto que canadenses, javaneses e outros povos sejam iguais neste aspecto.Esse juízo fraco das nossas atitudes é comum em todo o mundo. Ter autocrítica com habilidades que mexem com a autoestima é um grande desafio. É se dar conta de uma limitação, e isso nem sempre é fácil.
Eduardo Cortez :Não acho que seja uma cultura só gaúcha.Em geral, as pessoas criam todo um perfil em torno do veículo. Ele lhe dá poder, autoridade e pode significar ser destacado dentro de um grupo social. Sentimentos como esses podem conduzir a respostas como essa. É um condicionamento de natureza psicológica, é mais fácil e simples atrelar a culpa ao outro.
Ricardo Schiavon: É contraditório, botamos a culpa nos outros de que falta consciência e não admitimos o erro.Além disso, a fiscalização é complicada também.O motorista diz que não excedeu a velocidade,mas é pego por um radar, tem a foto e vê que ultrapassou o limite, sim. E, quando é pego no flagrante, diz: “Seu guarda, eu só estava um pouquinho acima da velocidade”.Tudo tem uma desculpa.
90,6% dos condutores dizem que não tiveram nenhuma multa nos últimos 12 meses.
É a impunidade que gera a agressividade no trânsito?
Carlos Salgado:A transgressão ocorre a todo momento.Quando você caminha pela rua, você vê. Ela não está registrada nessa estatística porque falta fiscalização. E essa falta certamente contribui para a repetição da infração, que aumenta com o problema de um trânsito cada vez mais caótico.
Eduardo Cortez : Acredito que tenha uma relação, pois a impunidade tem um reflexo condicionante direto, que é no bolso. O código de trânsito é muito complacente. As multas deveriam ser mais expressivas como são em outros países. Por exemplo, a Alemanha, onde a pessoa vai para julgamento na mesma hora.Podemos ver na Lei Seca. A queda na fiscalização aumentou o número de acidentes.
Ricardo Schiavon: Se tivéssemos fiscalização em todas as esquinas,com certeza o número de infrações se reduziria. Falta fiscalização maior para ser pegono flagrante. Assim, quem sabe, o motorista poderia se dar conta de que a culpa é dele, e não do outro. A fiscalização educa, não apenas porque dói no bolso. Se souber que existe fiscalização,a pessoa vai pensar duas vezes antes de desrespeitar a lei. Mas é claro que a conscientização tem de estar em primeiro lugar.
33,3%dizem que foram punidos por excesso de velocidade.
Que tipo de punição surtiria mais efeitos?
Carlos Salgado:Para situações de extremo risco, como excesso de velocidade, deveria ser aplicada a suspensão do direito de dirigir. A situação de risco é total, principalmente pela recorrência da infração. Se a pessoa volta a repetir o erro,a punição deveria ser mais justa, com multas crescentes. Pagar uma quantia em dinheiro muitas vezes não é o suficiente. Mas claro que isso só faz sentido se a fiscalização funciona.
Eduardo Cortez :Essa questão é variável. Suspensão da carteira de motorista poderia ser uma boa ideia.
Ricardo Schiavon:Aumentar os valores da multa não seria a solução. Tem é de se ter conscientização de que excesso de velocidade é perigoso. A fiscalização mais efetiva é que tem mais resultado,não importa o valor da multa. Se, em uma viagem de longo percurso, eu souber que há fiscalização e eu for flagrado duas, três vezes,na próxima viagem não vou fazer de novo.Isso faz com que os condutores pensem e cumpram mais a regra.
Entre 3h30min e 4h, nos finais de semana e com ingestão de álcool ocorrem os acidentes, segundo os especialistas.
Que tipo de alteração de comportamento pode haver em uma situação assim? De que forma pode ser evitada?
Carlos Salgado:A redução na desenvoltura psicomotora cai bastante, a pessoa erra mais. O juízo crítico é diminuído, tanto para a escolha do parceiro da noite quanto para a velocidade máxima em uma via. Piora a avaliação de risco,o que causa o erro e os acidentes. Não podemos esquecer que certos remédios e drogas também têm esse efeito.
Eduardo Cortez :Consciência e punição é a solução. Ao perder parte do bom senso, também se perde a noção de espaço e de respeito ao próximo. Mais campanhas, cursos com mais ações que ataquem a alcoolemia podem ajudar. Alguns aspectos do Conselho Nacional de Trânsito estão defasados. As aulas estão ultrapassadas.Elas poderiam tratar do problema do álcool.O código poderia educar e com isso ajudar a consolidar a consciência dos motoristas.
Ricardo Schiavon: Temos a cultura do beber: bebe-se porque o time ganhou, porque o time perdeu. O jovem pensa que nada acontece com ele. Em um final de semana, no final da noitada, que tipo de perfil está ali? São jovens? Se sim,sabe-se quais são os lugares a atacar. Uma barreira no final de noite pode coibir consideravelmente as infrações. A questão do trânsito ainda cai na banalidade. Estamos estudando como fazer para mudar esse comportamento.
Apenas 17,3% dos condutores gaúchos têm curso superior completo.
O grau de instrução pode ser indicativo de agressividade ao volante?
Carlos Salgado:Pessoas com mais desenvolvimento cognitivo,em geral, tendem a ter maior avaliaçãode risco. Mas isso não é uma regra.Não podemos esquecer que o álcool e as outras drogas deixam todas as pessoas no mesmo nível.
Eduardo Cortez :Não deve ser. Porque essa educação da qual estamos falando é a educação de berço. Não vejo relação com o grau de instrução.
Ricardo Schiavon: O grau de instrução, nas suas devidas proporções,faz com que a sua vida seja mais agitada. Tem alto nível de estresse. Um executivo, por exemplo, está no trânsito e recebe uma ligação, atende, dirige distraído pensando no trabalho. Acho que pode haver uma certa influência, mas não tenho conhecimentode relação entre nível de escolaridade e acidentes.
50% dos entrevistados adotam como medida de segurança prever o comportamento do outro.
Se todo mundo se preocupar com a atuação do outro, corre o risco de esquecer de adotar mecanismos próprios de boa conduta na direção.Não dá mais trabalho?
Carlos Salgado:Eu acho que o indivíduo que consegue prever a atitude do outro consegue ter controle da própria. É extremamente positivo ter uma atitude defensiva no trânsito.
Eduardo Cortez: Essa preocupação e esse número estão adequados para mim. Você deve ter um percentual de atenção no que você está fazendo e outro igualmente alto no que o outro está fazendo.
Ricardo Schiavon: A direção defensiva é um aspecto de segurança no trânsito, mas temos de trabalhar muito com a cidadania. Se tiver conceitos sobre direitos e deveres mais presentes, não vou passar a responsabilidade para o outro. É questão de solidariedade, respeito, amizade. Assim,tudo pode ser mais tranquilo. Temos de criar as pessoas para que sejam bons cidadãos em casa, respeitem idosos e animais. Trânsito é gerenciar conflitos físicos e políticos.
Aponte três soluções para mudar a mentalidade dos motoristas:
Carlos Salgado:Retomar a fiscalização da alcoolemia dos motoristas, de forma frequente. Pode ser por amostragem, em pontos críticos da cidade.Em segundo, a promoção de ações de educação continuada mais rigorosas. Os condutores devem ser checados na prática,em reciclagens periódicas, por um profissional especializado. E melhorar a qualidade das estradas e da sinalização. Até o pardal é bom, desde que seja bem sinalizado.
Eduardo Cortez:O esforço legal deve ser maior. Acredito que devemos ter mudanças na legislação de trânsito em vários tópicos. Devemos ter mais campanhas de conscientização.A educação para o trânsito deveria começar na escola. O tempo de aula nos CFCs é muito pouco. Para mim, isso é uma grande falha.
Ricardo Schiavon: Respeito, compreensão e paciência. Se tivermos isso, vai se refletir no trânsito.
Fonte: zero hora, 2010.

25 comentários:

ONG ALERTA disse...

Vamos bater na mesma tecla de sempre, ano de eleição somos obrigados a votar!!!
Precisamos de pessoas responsáveis, não apenas políticos buscando cargos, poder, seja lá o que for!!!

Marilu disse...

Onde estão os responsáveis? nunca se encontram, estão sempre escondidos...País de ninguem...Beijocas

Anjo Sedutor disse...

Sou um anjo que veio para te seduzir. Como anjo não tenho sexo definido. Ou tenho, mas não quero que isso influencie as tuas emoções. Desejo te seduzir com as minhas ideias e com as minhas opiniões.
Siga-me e se deixe envolver pela minha sedução! Não tenha receio. Sou do bem. Afinal, sou um anjo. Posso ser masculino ou feminino. Isso não importa! Sou desprovido de preconceitos. Acredito na igualdade dos sexos em todos os sentidos. Sou hetero, mas isso não é relevante. Acredito no amor, seja ele de que tipo for.
Sou anjo, mas não sou santo(a). Nem sempre meus textos serão "angelicais". Posso muito bem me rebelar contra aquilo que me incomodar ou prejudicar alguém. Sou um(a) defensor(a) do correto.
Mas também tenho meus dias erotizados. Sou um ser eternamente apaixonado! Meus instintos muitas vezes ficam aguçados e inquietos. Nesses dias, procurarei traduzi-los através de poemas, citações, imagens ou mesmo textos eróticos. Por que não?! Portanto, não se surpreenda. Apenas me entenda e me aceite.
Desejo a tua companhia, se possível, todos os dias. Ou quando sentires falta de mim. Mas nunca me abandones. Não quero sofrer.
Seduza-me com a tua presença constante e com os teus comentários deixados. Vou ler todos com muita atenção. Conheça-me, siga-me, aceite-me, pois cheguei para ser o teu ANJO SEDUTOR!

Nilce disse...

Lisette

Acho que não é só com os motoristas gaúchos que a falta de educação no trânsito e a falta de respeito com o outro acontecem. Isso é coisa do brasileiro mesmo.
É muito fácil tirar a culpa de si.

Onde eu acho políticos responsáveis???

Bjs no coração!

Nilce

M@ria disse...

O que a memória ama, fica eterno.
Te amo com a memória, imperecível.

Adélia Prado

Bom dia com amor e paz! Beijos!!

Hod disse...

São poucos os que na politica servem ao bem púlico, a maioria ainda serve a seus próprios interesses.

Forte abraço Lisette.

legalmente loira... disse...

amiga, voltei e com saudades de você.
sinto sua falta e ja estou com outra marcada.
bem os responsaveis estão todos com otimos salarios e econdidos em seus gabinetes...
bjos.

Chica disse...

Nesse país, ninguém tem responsabilidade, ninguém faznada...E nada acontece...até juiz corrupto é "punido" com uma aposentadoria de 25 mil reais mensais, enqto os que se ralam não ganham nadica de nada...beijos

Suziley disse...

Bom dia, Lisette. Infelizmente, poucos políticos tem o senso de bem comum. Um bom dia, beijos ;)

Bia Monteiro disse...

Adorei o novo design.
É... mais consciência é importante!
Bjo grande
=D

Mariana disse...

Especialistas é o q está faltando nos órgãos públicos.Não é possível admitir q em órgãos q tomam decisões sobre trânsitos e vias públicas não tenha um engenheiro perito em trânsito,pois estes órgãos servem para cabides d empregos.

ValériaC disse...

É querida, tem que haver trabalho conjunto de todos...falta muita consciência do tamanho da responsabilidade que o transito implica. E isso precisa mudar.
Beijos...
Valéria

Wanderley Elian Lima disse...

Fala-se muito e resolve-se pouco. Quase ninguém paga por seu crime no trânsito.
Uma boa noite para você
Bjs

"Hamilton H. Kubo - Profundo Pensar" disse...

Tem toda razão Lisette, eles buscam mesmo é uma estabilidade e a própria aposentadoria por assim dizer.
O que triste, portanto devemos sim bater na mesma tecla sempre!

Beijos

Janeisa Tomás disse...

Acredito que este é um problema cultural, que engloba todo o nosso país. Claro, que em algumas cidades é mais acentuado a falta de educação e conscientização e aqui em POA o que mais observo é a falta de educação e isso gera imprudência.
Bjs

Pelos caminhos da vida. disse...

Está ficando difícil ficar aqui na net com esse frio amiga.
Nunca vi um frio assim.

beijooo.

Juliana Sphynx disse...

Faltou a porcentagem de quantos disseram a verdade...rs

Tenha um bom resto de semana!
=D

Felina Mulher disse...

Bom dia meu anjo,

Tive alguns probleminhas na net e hj o Felina Mulher é aberto somente a convidados. caso vc tenha interesse em ler minhas insanidades, me envie seu email,para que eu possa te enviar o convite,ok?

Um beijo grande.....FE!
felinamulher@gmail.com

Graça Pereira disse...

Um fds cheio de tranquilidade e paz.
Beijocas
Graça

Marcia disse...

Lisete querida, fico triste com esta realidade do nosso país...Aqui o trânsito é super organizado. Nao se fala de acidentes, batidas, atropelos, etc. Só no inverno com a neve que acontecem alguns casos. Também as penalidades aqui sao muito sérias.
Bem, amiga desejo a você muita paz, harmonia e um final de semana feliz.

JR disse...

Acho que está na hora de mudanças urgentes na nossa politica nacional.
Será que uma mulher na presidencia resolveria o problema ?Será que ele está nas pessoas ou no sistema?
Confio muito nas mulheres pela garra que voce e tantas outras demonstram ao administrarem a superação da dor.
No nosso blog ,postei um video da nossa fundadora que passou por coisas muito tristes na vida ,tendo a vida da unica filha ceifada de modo muito cruel e ainda assim continuou a viver e trabalhar na ajuda ao proximo.
Dá uma olhada lá e veja que mulheres fortes voces são...parabens e que Deus fortaleça-as cada vez mais, para continuarem amparando os caídos....
abraços afetuosos

Sônia Silvino disse...

Situação muito preocupante a do nosso trânsito!
Bjkas, minha linda Lisette!

Pelos caminhos da vida. disse...

O nosso caminho é feito pelos nossos próprios passos...
Mas a beleza da caminhada depende dos que seguem conosco!

(desconheço autoria).

Fim de semana de luz, paz, amor, saúde.

beijooo.

Livinha disse...

Lisette, amiga querida,

Obrigado pelo carinho deixado em meu recanto.
Estou na tentativa de retorno, mas como bem você escreveu, tudo é variante do momento e o vivemos na medida com que ele nos oferta a transição.

Muito bom a tua posição de movimento, de persistência, perseverar no real fim desejado.
bater na mesma tecla, vencer pelo cansaço, afinal, somos um povo, necessitados de apoio, de proteção neste mundo tão conturbado. Que sejam eleitos políticos que se enquadre nesta questão, no interesse pleno de auxílio e incentivo ao nosso país...

Mta paz pra ti
Bjs

Livinha

. intemporal . disse...

.

. um bom fim.de.semana .

. em consciência rodoviária .

. um beijo meu .

.

. paulo .

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