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sábado, 8 de novembro de 2008

A dor que vira generosidade


09 de novembro de 2008

LUTO PRECOCE

A dor que vira generosidade

Morte prematura de jovens leva familiares a converter a dor em combustível para ações que tentam evitar a repetição de tragédias

Quem depara com a tragédia de ter de sepultar um filho é condenado a uma dor perpétua. Sabe que padecerá de uma saudade recorrente, que o passar do tempo, ao invés de abrandar, irá ampliar. Mas há pais e mães que estão convertendo o mais temido dos lutos em ações generosas. Eles acharam forças para criar entidades, fundações e Organizações Não-governamentais (ONGs), de perfis diferenciados, para evitar que outros jovens sofram o mesmo destino dos filhos que perderam.Nesta reportagem, apresenta-se alguns exemplos de pais que resolveram agir a partir do que aconteceu aos seus rebentos. A mãe de Igor, Maria Isabel Santos, se insurge contra as festas com bebidas alcoólicas liberadas. O pai de Max, Luiz Fernando Oderich, se bate contra a criminalidade. Mãe de Alessandra e mulher do vice-governador Paulo Feijó, Lisette se preocupa com a segurança das estradas e a formação dos motoristas. Em Erechim, Marilene Rigo, mãe de Luciano, auxilia pacientes de câncer.Esses pais e essas mães encontram certo alívio às mortificações que o luto impõe. Acreditam que as entidades são como extensões dos filhos. É um jeito de manter os sonhos deles, continuar uma vida interrompida por tiros, acidentes de trânsito ou doenças. Paralelamente, trabalhar pela sociedade ajuda a conviver com a separação.A dor que se reverte em solidariedade é elogiada. O psiquiatra Jair Segal observa que as famílias não se recolheram no egoísmo do sofrimento.– Elas querem ajudar, é uma atitude generosa – enaltece.Segal diz que ONGs e fundações nascidas de infortúnios recebem aceitação cada vez maior. Argumenta que há uma identificação com as causas das entidades, porque os círculos da violência se fecham sobre o conjunto da população. Como ninguém está a salvo, a tendência é unir esforços.– Se as pessoas se envolverem nessas mobilizações, teremos uma sociedade mais saudável – destaca.Confrontados com um pesar que somente famílias igualmente órfãs podem dimensionar, os pais criadores de ONGs tentam entender a função para a qual foram empurrados. No início, como todos que são apartados de um filho, o empresário Luiz Fernando Oderich se exasperou. Perguntava-se “por que” era a vítima da vez. Buscando conforto na religião, percebeu que o “por que” deveria evoluir em “para quê” serviria a morte de Max. Então, surgiu a Brasil Sem Grades.– Enquanto ela existir, é como se o meu filho estivesse vivo – diz.Corajosos na sua doação, esses pais e essas mães fundaram ONGs para não serem devorados pela tristeza. É um dos motivos, mas não o principal. O que eles mais desejam é tentar impedir que outras famílias também sejam sentenciadas à eterna aflição de perder um filho.
*Colaborou Marielise Ferreiranilson.mariano@zerohora.com.brNILSON MARIANO*


Um comentário:

Mariana Moura disse...

Lisette, o jornalista Nilson Mariano soube com o seu talento e sensibilidade, transmitir no texto a coragem destes pais como tu. Que pensam muitas vezes q não têm forças,mas são tão fortes como Rocha, são Valentes, são guerreiros.
Tenho certeza que nada irá substituir tua Ale, pois filhos são insubstituíveis, são eternos; mas sei que terás força para sobreviver um dia por vez e impedir que muitos corações de pais venham a sentir, esta dor que sabemos é uma ferida aberta, que precisa receber curativos todos os momentos.
Conte comigo para ajudar nesta cicatrização....
Deus dê força,luz para ti e tua família nesta caminhada.
Ela não será fácil,mas dará força para viver e poder sentir a Ale ao teu lado.
Um abraço forte e com carinho.beijo.