Um acidente com um caminhão matou uma criança e duas adolescentes de uma comunidade indígena às margens da BR-386, em Estrela, no Vale do Taquari. Uma quarta vítima foi encaminhada para o Hospital Estrela — ela está em estado grave, segundo a instituição.
Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo teria perdido o rodado do semirreboque enquanto trafegava na rodovia. As rodas atingiram as quatro vítimas, com idades entre 11 e 15 anos. Elas estavam aguardando o ônibus escolar em uma parada às margens da rodovia, que fica em frente à aldeia. Três delas são irmãs, e a quarta é prima.
Morreram as irmãs Chaiane Soares Lemes, 15 anos, e Thaís Soares Lemes, 11, e a prima Franciele Santos Soares, 14. Anelise Soares, 13, foi levada ao hospital.
O acidente aconteceu às 6h40min, no sentido Capital-Interior, em um trecho não duplicado da rodovia. Oito crianças e adolescentes da Aldeia do Coqueiro, comunidade que vive há cerca de 60 anos na região, pegavam o transporte escolar todas as manhãs até a Escola Estadual de Ensino Fundamental Pedro Braun, em Estrela. Quatro deles não estavam junto às vítimas porque não iriam à aula nesta segunda-feira.
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O acidente causou revolta entre os indígenas da aldeia, da tribo caingangue. O cacique Carlos Soares disse que havia solicitado que o ônibus escolar buscasse os estudantes dentro da aldeia, a cerca de 300 metros da rodovia, para que não tivessem de caminhar pelo acostamento.
O acidente causou revolta entre os indígenas da aldeia, da tribo caingangue. O cacique Carlos Soares disse que havia solicitado que o ônibus escolar buscasse os estudantes dentro da aldeia, a cerca de 300 metros da rodovia, para que não tivessem de caminhar pelo acostamento.
A prefeitura de Estrela informou, por meio de nota (confira a íntegra abaixo), que não há pedidos de que o transporte entrasse na aldeia na prefeitura e na 3ª Coordenadoria Regional de Educação. A administração munincipal ainda disse que o ônibus escolar obecede um roteiro estabelecido há mais de 10 anos e que é de responsabilidade dos pais acompanhar e embarcar os filhos com segurança.
Em protesto pelas mortes e pela falta de segurança no trecho, indígenas depredaram um caminhão — sem relação com o acidente — com pedaços de madeira e atiraram pedras contra veículos que estavam na área — inclusive, contra uma viatura da PRF. O tumulto foi controlado, mas o grupo manteve o bloqueio total da rodovia por quase sete horas.
O caminhão que teve o rodado desprendido não permaneceu no local do acidente. Um motorista suspeito de dirigir o veículo foi preso em flagrante na BR-386, em Tio Hugo, cerca de três horas após o ocorrido. Ele disse não ter percebido que o rodado havia se soltado do veículo.
O caminhão que teve o rodado desprendido não permaneceu no local do acidente. Um motorista suspeito de dirigir o veículo foi preso em flagrante na BR-386, em Tio Hugo, cerca de três horas após o ocorrido. Ele disse não ter percebido que o rodado havia se soltado do veículo.
Do outro lado da rodovia onde aconteceu o acidente, uma cruz sinaliza a morte de outra menina da aldeia. Há um ano, a criança, de 2 anos, foi atingida por uma roda de um veículo que se soltou.
Com o trânsito bloqueado nos dois sentidos, há congestionamento na rodovia. Para o motorista que se desloca em direção a Porto Alegre, o desvio deve ser feito no km 258 até o acesso a Bom Retiro. Quem dirige para o Interior, a alternativa é entrar no km 366, após Fazenda Vila Nova, e seguir em direção a Teutônia.
Confira a nota divulgada pela prefeitura de Estrela sobre o transporte escolar:
"O governo de Estrela consterna-se com o trágico acidente ocorrido na BR-386 e se solidariza com as famílias das vítimas. Em relação ao transporte das crianças, o mesmo segue o padrão de todo o transporte escolar feito no município, onde o ônibus da Secretaria de Educação obedece um roteiro estabelecido há mais de 10 anos, passando pelas principais vias e recolhendo seus pequenos passageiros nas paradas de ônibus existentes. É responsabilidade dos pais acompanhar e embarcar seus filhos com segurança no transporte, ficando sob a tutela do município do embarque à ida para escola até sua volta e desembarque. Em relação a pedido para que o transporte entrasse na aldeia, não encontram-se nem na Prefeitura de Estrela e nem na 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) nada a esse respeito. Mais uma vez, o governo de Estrela ressalta a importância da completa duplicação da BR-386 que tantas pessoas já vitimou".
* Zero Hora
















