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domingo, 17 de fevereiro de 2013

As mortes no trânsito: onde estamos falhando?

O Código de Trânsito acaba de completar 15 anos de vigência e verifica-se que o quadro de acidentes não se modificou positivamente. Primeiro, porque a lei vem revelando falhas e lacunas imensas. Segundo, porque as medidas complementares, como investimento em infraestrutura viária, educação e fiscalização de trânsito são ineficientes. Ou seja, para o Estado, trânsito não é prioridade. E a lei, por si só, não opera milagres.

O aspecto legal tem no CTB uma norma enciclopédica que trouxe overdoses de direitos e obrigações quase impossíveis de serem implementadas. A norma restou banalizada. A gama de infrações de trânsito é enorme, e os infratores, quando autuados, têm à disposição amplo direito de defesa em processos administrativos que se arrastam por anos. Boa parte das penalidades sequer é aplicada por falta de estrutura dos órgãos de trânsito para dar celeridade aos processos.
E as penas restritivas do direito de dirigir muitas vezes deixam de ser aplicadas devido à prescrição. Os Detrans estimam que cerca de 40% dos veículos em circulação estão em situação irregular. Incluem-se aí veículos não licenciados e condutores com direito de dirigir suspenso. O sistema falho acaba empurrando as pessoas para uma situação de clandestinidade. Os maus condutores não veem motivos para respeitar as normas de trânsito, apostando na letargia do Estado, e os bons acabam se contagiando com os maus exemplos.

Em termos de mobilidade, o país vive uma contradição. De um lado, o governo federal desenvolve programas de estímulo ao transporte coletivo, com a participação social na definição das políticas locais e regionais, e propaga a necessidade do transporte sustentável, com a disseminação de veículos não motorizados. De outro, estimula a aquisição de veículos automotores para o transporte individual, através da isenção de impostos e subsídios ao financiamento, em função da dependência da indústria automobilística para garantir emprego e gerar receita. Enquanto isso, falta espaço para ciclovias e passeios de pedestres. As pessoas acabam abandonando gradativamente o transporte coletivo, e as vias públicas ficam cada vez mais conflagradas.

O fenômeno da acidentalidade, portanto, deve levar em conta essa realidade. Precisamos repensar esse quadro de inoperância do Estado, incluindo seus mecanismos repressores, especialmente na área do trânsito. Apesar do excesso e do rigor das normas, as mortes continuam acontecendo em escala crescente. Nem a Lei Seca sensibiliza os infratores contumazes. O aparato do Estado foi criado para punir, quando deveria ser concebido para alterar comportamentos e assim salvar vidas.

Acabou mais um feriadão de Carnaval. O retorno deveria ser só de alegria, mas estamos contando nossos mortos.
Sérgio Luiz Perotto

*ESPECIALISTA EM DIREITO DE TRÂNSITO
Fonte:ZH 14/02/13

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO

Juntamente com as comemorações da pátria e a primavera, setembro também traz algo mais. Temos atualmente, a semana nacional do trânsito. É um tempo de conscientização da população para o trânsito. E a questão é muito importante, visto o número fantástico de acidentes que ocorrem todos os dias, em todas as cidades brasileiras.
A educação deve começar cedo. A impressão que temos é que o indivíduo só começa a se preocupar com as informações sobre trânsito quando está na época de “tirar a carteira de motorista”. Aí, é aquele corre-corre, aulas teóricas, legislação de trânsito, aulas práticas, tudo muito rápido porque precisa da carteira. Aprende-se tudo de uma vez, tudo decorado, coisa que muito rapidamente se esquece.
Realmente, o trânsito faz parte de nossas vidas. Mas, infelizmente, a importância dada a este assunto não parece tão grande. Todos os dias assistimos reportagens na TV sobre acidentes no trânsito. Fala-se que aumenta a cada dia a quantidade de mortos, mas, tudo continua na mesma.
Nós já nos habituamos a ouvir, nos noticiários, sobre os acidentes, mas não conhecemos aquelas pessoas que morreram e então, tudo fica no esquecimento. Dentro de poucos segundos, já não sabemos mais sobre o que o repórter falou.
Pessoas morrem todos os anos, principalmente nos feriados prolongados. A pressa de chegar, a bebida alcoólica ingerida momentos antes de dirigir, a desatenção ao volante, os carros em péssimas condições de uso, estradas esburacadas, enfim, tudo leva a acidentes horríveis, muitas vezes, com crianças sendo vítimas de adultos irresponsáveis. E aí eu pergunto: o que falta? Educação no trânsito? Começar a ensinar sobre trânsito bem cedo?
A sociedade está preocupada com este tema. O aumento do número de veículos nas ruas também é assunto preocupante. Algumas cidades já atingiram um número absurdo de veículos nas ruas. O problema é que muitas cidades não estão preparadas para suportar esta mudança. Este grande número de veículos causa uma desenfreada corrida na formação de novos condutores, o que pode acarretar um número maior de novos motoristas, sem muita experiência, conduzindo veículos pelas ruas.
E, para piorar, esta crise aérea, que fez muita gente deixar os aviões e pegar a estrada de ônibus ou no próprio carro. Seria ótimo se todos, ao tirar seus carros da garagem pensassem em levar mais pessoas, ou seja, levar o amigo, parente, colegas de trabalho, de colégio, enfim, aumentar o número de pessoas nos veículos, diminuindo o número de carros nas ruas, com uma só pessoa. Até o meio ambiente ganha com isso, visto que diminuirá os gases poluentes.
Muito tem se falado na segurança para as crianças, mas hoje em dia, até as calçadas estão representando perigo. Não é raro ouvir nos noticiários: “atropelada criança na calçada” ou “atropelado no acostamento”. É uma verdadeira guerra urbana, onde os carros, para alguns, representam liberdade e status e, de vez em quando, são usados de forma irresponsável, por motoristas bêbados ou com muito sono ao saírem das baladas.
Não basta sinalizar as vias públicas, ou colocar radares nas avenidas, é preciso educar para o trânsito. Os pais, ao saírem de casa com seus filhos no carro, devem agir com responsabilidade, respeitando as leis do trânsito e passando isso aos seus filhos. Sem dúvida, nosso comportamento influencia as crianças e, todos nós, em dado momento, somos pedestres também e, algum dia, mais cedo ou mais tarde, nossos filhos serão condutores de algum veículo e estarão sujeitos a vários perigos.
Sabemos que o exemplo vindo do adulto vale mais que muitas palavras e as crianças têm facilidade em aprender o que vêem. Portanto, temos que deixá-las ver apenas o que é correto. Nossas atitudes são copiadas pelos nossos filhos, então, não é difícil educar para o trânsito, basta nós mesmos pararmos de infringir as leis.
É necessário por um fim a esses acidentes diários, pois com isso, muitas vezes, perdemos futuros médicos, cientistas, atletas, ou futuros presidentes, de forma estúpida, em situações que, de modo geral, poderiam ser evitadas.
Por: Sonia das Graças Oliveira Silva

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Acidente de Trânsito no Brasil


No ano de 2007, dados assustadores da Polícia Rodoviária Federal revelaram que 85% dos condutores de veículos envolvidos em acidentes de trânsito eram do sexo masculino com tempo de habilitação entre 5 a 9 anos e que se encontravam dirigindo entre 00:15 a 01:00h, apresentando sintomas de embriaguês. Cerca de 25% das vítimas fatais apresentavam sinais de álcool no sangue. Os fatores que contribuíram para essa triste realidade são apontados como sendo os seguintes:
velocidade além da permitida;
distância curta entre os veículos;
não obediência à sinalização;
ultrapassagens mal realizadas;
sono;
uso de drogas e bebidas alcoólicas.
Quanto ao tipo de acidente de trânsito com maior ocorrência foi constatada a "colisão na traseira". 65% das ocorrências foram registradas com o "tempo bom" , 55% em plena luz do dia, 70% em pistas simples, 70% na reta. O mais triste e vergonhoso é que mais de 90% dos acidentes tiveram como causa principal a falha humana.
O número de acidentes causados pela imprudência dos motoristas, batendo na traseira do veículo que vai a frente é tão grande que a jurisprudência considera quem bate atrás como culpado. A mídia está repleta de depoimentos de motoristas causadores de acidentes que afirmam que os freios de seu veículo não funcionaram a tempo de evitá-lo.
Através desses dados, algumas providencias poderiam ser tomadas para se tentar diminuir esse quadro. Acreditamos que o caminho correto poderia ser através de uma melhor educação.
Nos países onde o índice de educação é elevado o número de acidentes de trânsito é reduzido.
Na América Latina, o Brasil é o campeão em acidentes de trânsito envolvendo caminhões o que só tende a se agravar com o crescimento econômico. A frota nacional de veículos em 2009 ultrapassou os 31 milhões e a malha rodoviária, onde predomina o tipo de pista simples, continua a mesma há décadas.
Os caminhões representam apenas cerca de 5% da frota mas, participam de 33% dos acidentes. Estão envolvidos em 8.500 mortes (2.500 motoristas) e 110 mil acidentes por ano com um custo de 7,7 bilhões ano (IPEA).
O aumento dos acidentes com caminhões está relacionado à frota velha (transportadores autônomos), falta de norma para controle de tempo de direção e descanso dos motoristas, excesso de peso nos veículos utilizados no transporte de cargas, falta de balanças nas rodovias e estradas sem condições de uso.
Em São Paulo, (2010) os acidentes com caminhões são cada vez mais comuns. Só no Estado são dois por dia. Entre as causas esta o grande tempo ao volante, a falta de sinalização e o excesso de velocidade. Acreditamos que uma boa dose de treinamento reduziria esse índice.
Os custos anuais com os acidentes de trânsito no Brasil de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, em 2007 ultrapassaram R$ 30 bilhões.
A morte de uma pessoa em acidente de trânsito custa em média R$ 291,00.
O trânsito brasileiro tem deixado por ano aproximadamente 50.000 mortos, 100 mil pessoas com deficiências temporárias ou permanentes e 500 mil feridos.
Não queira fazer parte desta estatística, seja prudente no trânsito.
Fonte: http://www.atividadesrodoviarias.pro.br





quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Programa "Pare na faixa" : Percepções e representações


As ruas e as vias públicas são espaços destinados à circulação, movimentação e deslocamentos de pessoas, veículos e animais. A ocupação desses espaços sempre se deu de modo desigual entre os seus usuários. Tradicionalmente, o trânsito é organizado em função dos automóveis. O pedestre, nesse aspecto, é sempre relegado a planos inferiores. As políticas públicas de trânsito raramente contemplam agentes mais vulneráveis como pedestres e ciclistas. O corre-corre diário das pessoas e veículos nas ruas das cidades é grande. O trânsito é violento e mata, principalmente, pedestre.
Dentre os programas de segurança no trânsito que contemplam pedestres, a quase 15 anos o Governo do Distrito Federal criou , dentro do programa “Paz no Trânsito”, o “Pare na Faixa” , uma iniciativa que estabelecia prioridade dos pedestres atravessarem as pistas em locais previamente determinados e sinalizados. A faixa de pedestre é representada por uma faixa branca contínua, que é a área de redução, na frente dela, uma área zebrada com linhas verticais, também na cor branca. A primeira linha indica o ponto em que o motorista deve parar. A área zebrada corresponde ao espaço destinado ao pedestre para efetuar a travessia.
O uso da faixa de pedestre requer algumas precauções por parte de pedestre: parar, olhar, observar se vem carro e fazer o “sinal da vida”, sinalizar com a mão a intenção de atravessar a pista. Respeitados os procedimentos iniciais, o pedestre está em condições de cruzar a faixa com segurança. Desde 1966, no Código Nacional de Trânsito previa o respeito à faixa de pedestre. Todavia, o dispositivo necessitava de regulamentação com relação à segurança dos pedestres ao atravessar as ruas e avenidas. Em janeiro de 1998, entrou em vigor o Código de Trânsito Brasileiro – CTB - que prevê a prioridade de circulação do pedestre para cruzar a faixa. O art. 70 diz: “Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições deste código” O art. 71 complementa: “ O órgão ou entidade com circunscrição sobre a via manterá, obrigatoriamente, as faixas e passagens de pedestres em boas condições de visibilidade, higiene, segurança e sinalização”. O motorista que desrespeita o artigo 70 pode ser multado e a autoridade que não cumpre o artigo 71 pode ser responsabilizada. De acordo com a legislação, o pedestre que descumprir a norma e atravessar a pista fora da faixa também pode ser penalizado.
Para as autoridades de trânsito, a faixa de pedestre foi um importante avanço no trânsito do Distrito Federal. A Polícia Militar do Distrito Federal teve participação importante, inclusive o Comandante do Batalhão de Trânsito à época foi um dos responsáveis pela iniciativa de trazer a experiência da faixa de pedestre da Europa. O batalhão de trânsito ocupou-se efetivamente de, num primeiro momento, conscientizar os motoristas e depois, fiscalizar suas condutas nas faixas. Além disso, a Polícia Militar teve uma participação importante na realização de palestras nas escolas.
Os especialistas em segurança no trânsito consideram importante o “pare na faixa” no sentido de reduzir a violência no trânsito brasiliense. Todavia, o programa destacou-se pela participação direta da sociedade brasiliense em um programa de segurança no trânsito, cuja característica principal foi a relação positiva entre motoristas e pedestres. Uma interação dificilmente observada em outras regiões que não o Distrito Federal. O programa “Pare na Faixa” foi resultado da participação conjunta do poder público, da sociedade e da mídia na luta pela paz no trânsito.
Os motoristas têm uma percepção positiva da faixa de pedestre, porém, afirmam que em geral o pedestre se aproxima de uma vez da faixa e não fazem o “sinal da vida”, o que dificulta o entendimento entre as partes envolvidas nessa relação. Para alguns motoristas, os pedestres não deixam claras as intenções de usar a faixa. Apesar das dificuldades relatadas, os motoristas são conscientes do seu papel e respeitam o pedestre no seu espaço de travessia.
Os pedestres, inicialmente, viam com desconfiança e restrição o uso da faixa de pedestre. Atravessar na faixa era seguro, porém, requeria alguns cuidados, principalmente, em relação ao segundo veículos a chegar na faixa que nem sempre parava. A relação de confiança dos pedestres em relação aos motoristas foi um processo mais demorado, levando algum tempo para se consolidar. A segurança e a confiança vieram com o tempo. As campanhas educativas, a conscientização dos motoristas e pedestres, a normatização e a fiscalização foram preponderantes para o processo de interação.
Depois de 13 anos de faixa de pedestre, o Distrito Federal criou uma geração que não conhece outra realidade. Uma geração que sabe que na faixa branca o pedestre tem prioridade. Crianças declaram que aprendem nas escolas, com os professores que os carros respeitam quem atravessa na faixa. Pais confirmam que nas escolas as crianças aprendem o que é usar a faixa e respeitar o pedestre. È uma geração que não conhece outro modo de cruzar a pista. Segundo especialistas, a cobrança que as crianças fazem aos pais para respeitarem a faixa faz a diferença por um trânsito mais seguro. Essas crianças de hoje serão os motoristas de amanhã.
Dados do Departamento de Trânsito do Distrito Federal mostram que em 1995, ano da implantação do programa “Paz no Trânsito” o número de mortes por acidentes de trânsito chegou a 35 mortes/100 mil habitantes/ano (652). Em 1997, ano da implantação do “Pare na Faixa” esse número era de 26 mortes/100 mil habitantes/ano (465), considerado alto. O número de pedestres mortos no trânsito do Distrito Federal era de 11 mortes/100 mil habitantes/ano (191). Em 2009, o número de mortes no trânsito foi de 16 mortes/100 mil habitantes/ano (424). Ocorreu uma redução de 37% no número total de mortes entre 1997 e 2009. Com relação aos pedestres, em 2009, o número de mortes caiu para 4,5 mortes/100 mil habitantes/ano (112), uma redução de 60% no índice de mortes/ano.
Portanto, o programa “Pare na Faixa” poupa aproximadamente a vida de 100 pedestres anualmente. O programa “Paz no Trânsito”, o qual abriga o “Pare na Faixa” poupa 358 vidas anualmente das mortes no trânsito. São duas iniciativas do poder público que precisam replicadas por outras instâncias do Sistema Nacional de Trânsito. Todavia, não é o que se observa em âmbito nacional que, pela ausência de políticas públicas consistentes de redução de acidentes e mortes no trânsito, observamos esses índices crescerem ilimitadamente.
Escrito por *José Nivaldino Rodrigues  
* Economista. Mestre e Doutorando em Sociologia pela Universidade de Brasília. Especialista em Educação para o Trânsito pela Universidade de Brasília. Policial Rodoviário Federal

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Europa tem mais carros e mata menos no trânsito

Enquanto as mortes no trânsito voltaram a aumentar no Brasil, atingindo um crescimento de 3,5% entre 2009 e 2010, na União Europeia a taxa média anual de redução do número de mortes se aproxima de 5% ao ano (período de 2000-2009).
Espantosamente, em números absolutos, a Europa possui aproximadamente cinco vezes mais carros que o Brasil e ainda assim mata menos no trânsito!
Em 2010 chegamos ao total de quase 39 mil mortes no trânsito, enquanto a estimativa para a União Europeia é de 32.786 mortes.
Entre os anos de 2000 e 2008 o Brasil teve um crescimento de 32% nas mortes no trânsito, com um ritmo de crescimento de 2,9% ao ano; ritmo que estatisticamente nos permite afirmar que em 2060 o Brasil alcançará 173 mil vítimas fatais, totalizando um aumento de 496% em relação ao ano de 2000.
Se considerarmos então o novo crescimento, entre 2009 e 2010 (3,5%), a situação tende a ser ainda mais drástica.
Ao mesmo tempo, na Europa, o número de mortes viárias que era de 54 mil em 2001 diminuiu para 34.500 no ano de 2009.
Essa disparidade se justifica pelo programa de educação e conscientização no trânsito que ajuda a União Europeia a alcançar um índice de redução anual bastante significativo (5%), desde o final da década de 1990.
E se esse ritmo europeu permanecer estável nos próximos 50 anos, estima-se que em 2060 o número de vítimas fatais na Europa cairá para aproximadamente 2.500, totalizando uma redução de 95% em relação também ao ano de 2000.
Tudo porque as campanhas de segurança viária nos países europeus vêm se utilizando de métodos inovadores e interessantes, investindo fortemente em vídeos publicitários chocantes que parecem realmente tem despertado a população.
Outra novidade são os controladores viários, que se diferem dos radares comuns porque não apenas medem a velocidade instantânea do veículo, possibilitando que o motorista a dissimule, mas calcula sua velocidade media enquanto trafega entre dois pontos distintos.
Esses métodos contribuem de forma significativa para a constante redução do número de mortes no trânsito europeu e devem servir de exemplo para o Brasil quando da implementação de sua política estrutural de segurança viária, tão necessária e urgente.
Somente com investimentos maciços em educação, engenharia, fiscalização, primeiros socorros e punição (EEFPP) é que o cenário brasileiro pode se alterar.
** Mariana Cury Bunduky é advogada e pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes
Por Luis Flávio Gomes
Luis Flavio Gomes é doutor em Direito penal pela Universidade Complutense de Madri e mestre em Direito Penal pela USP. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), juiz de Direito (1983 a 1998) e advogado (1999 a 2001). É autor do Blog do Professor Luiz Flávio Gomes

domingo, 2 de outubro de 2011

Estímulo à impunidade no trânsito

 
"Uma recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) representou um duro golpe no combate aos verdadeiros infratores do trânsito, aqueles motoristas imprudentes, que cometem infrações a todo instante e colocam em risco a vida de outras pessoas. Na súmula vinculante de número 21, os ministros consideraram inconstitucional a exigência de depósito ou pagamento prévio de dinheiro ou bens para recorrer administrativamente. Agora, em nenhuma instância é preciso pagar a multa para recorrer. 
No caso dos recursos de trânsito, a exigência valia para o motorista que pretendia apelar aos Conselhos Estaduais de Trânsito (Cetrans), entidade maior nos Estados quando o assunto é trânsito (está acima dos Detrans). Ou seja, aquele condutor que teve o recurso negado pela Jari (Junta Administrativa de Recurso de Infração), era obrigado a pagar a multa antes de apelar ao Cetran. Com a decisão do STF, isso não será mais necessário, contrariando o Artigo 288, paragráfo 2º, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Muita gente deve estar comemorando a decisão, que amplia o direito da defesa prévia do cidadão. Isso é fato, é correto e vai beneficiar os bons motoristas. Mas para as pessoas que vivem diariamente o trânsito, ela acendeu um sinal de alerta. Por dois motivos. O primeiro está relacionado ao estímulo ao mau motorista, que se sentirá impulsionado a recorrer contra qualquer infração, mesmo aquelas que sabe ter cometido. “Antes, o condutor que não tinha condições financeiras de pagar a multa se via obrigado a desistir de entrar com um recurso. Agora é diferente, não custará nada recorrer e as pessoas vão fazê-lo”, prevê a presidente do Cetran-PE, Simíramis Queiroz.
A afirmação da técnica, que comandou a diretoria de operações do Detran-PE por quase dez anos, é embasada no consenso entre os que lidam com o trânsito brasileiro de que a lei só é respeitada quando pesa no bolso do motorista. Caso contrário, ele faz pouco caso. A criação do CTB, em 1998, é prova disso. Foi com as multas caras previstas nele que boa parte da população passou a usar o cinto de segurança e a respeitar a faixa de pedestres, por exemplo.
O segundo ponto que deixou em alerta o setor é o fato de que os Cetrans não estão preparados para o aumento da demanda que virá. A realidade é nacional, bem exemplificada nos números de Pernambuco: são apenas seis funcionários no Cetran-PE, dos quais dois atuam fazendo a triagem dos recursos que chegam ao órgão. Depois de analisados, esses recursos são encaminhados para os 12 conselheiros que fazem o julgamento. Cada conselheiro tem uma média de 30 recursos para analisar por mês. “E isso porque recebemos uma quantidade pequena dos recursos. Extamente por ter que pagar antes de apelar ao Cetran, a maioria das pessoas desistia de recorrer quando perdia nas Jaris", explica Simíramis Queiroz. 
A decisão do STF vai afetar, entre outros processos, os que suspendem a permissão para dirigir dos motoristas flagrados pela lei seca dirigindo depois de beber. Em Pernambuco, devido ao trâmite burocrático e ao pequeno número de funcionários do Detran, se leva, em média, um ano e dois meses para concluir o processo de suspensão da CNH. Dos 8.328 condutores autuados desde que a lei seca entrou em vigor até janeiro passado, apenas 123 tiveram a habilitação suspensa, o que representa menos de 1,5%. E, pelo jeito, a demora vai ser ainda maior a partir de agora.
A decisão é positiva para os bons motoristas, mas vai incentivar a impunidade entre os maus condutores, acostumados a barbarizar no trânsito

*ROBERTA SOARES é repórter do JC e setorista de trânsito e transporte.
Fonte: http://abetran.org.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Projeto inclui disciplina ´Educação no Trânsito´ no Ensino Fundamental

Projeto inclui disciplina ´Educação no Trânsito´ no Ensino Fundamental

O Código Brasileiro de Trânsito prevê a matéria nas escola, mas as Leis de Diretrizes e Bases não a incluem. Wagner Ramos quer mudanças

Os atuais conflitos de trânsito, quase sempre regados a falta de educação, irritação e até vias de fato, podem começar a ser redesenhados para um futuro próximo. Para materializar essa expectativa, garantir a segurança das crianças e promover a cidadania, o vice-líder do Governo do Estado, deputado Wagner Ramos (PR), aposta em educar os pequenos cada vez mais cedo para as normas de conduta no trânsito.

O parlamentar assegura que ensinar as crianças a atravessar na faixa de pedestres e a respeitar as sinalizações deve ser uma das principais metas. Educadores vão mais além. Segundo eles, é importante que desde o maternal até a oitava série os alunos tenham contato direto com exemplos de educação no trânsito.

“Apenas a forma de tratar o assunto deve variar de acordo com a idade das crianças, mas desde os três anos elas já podem aprender algumas noções, inclusive em projetos de teatralização e dramatização. Dessa forma, as crianças concluiriam o ensino fundamental já com base formada sobre educação no trânsito”, disse Wagner Ramos.

Já para os “crescidinhos”, poesias, notícias de jornais, cartilhas, trabalhos e projetos devem ser realizados e analisados na escola. “Em todas essas etapas, o mais importante é promover o respeito ao motorista e ao pedestre. Se você trabalhar com a criança, com certeza ela vai se tornar um adulto mais educado”, completou o republicano.

Sobre o assunto, ele apresentou nesta quinta-feira (16) o Projeto de Lei nº 296/2011. O documento inclui na grade curricular das escolas estaduais de ensino fundamental a disciplina “Educação no Trânsito”, com carga horária mínima de cinco horas. Nesse caso, devem ser obedecidos os procedimentos previstos pelas legislações federais e estaduais vigentes.

A matéria vai abranger primeiros socorros; prevenção de acidentes; proteção ao meio ambiente e cidadania; direção defensiva e legislação de trânsito. Ainda de acordo com o projeto, os temas serão abordados de forma padronizada e de acordo com o nível de ensino e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) poderá firmar acordos, convênios e parcerias com entidades públicas ou privadas para materializar a proposta.

Em seu Artigo 76, o Código Brasileiro de Trânsito prevê a prática da educação no trânsito no ensino infantil, fundamental, médio e superior, com a ajuda dos órgãos de trânsito municipais, estaduais e federal. Para isso, eles devem formar núcleos pedagógicos que incentivem projetos nas escolas. Entretanto, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) não inclui o estudo do trânsito em sua base nacional comum.


Fonte: Assessoria de Gabinete
http://www.expressomt.com.br/noticia.asp?cod=143959&codDep=11

domingo, 3 de julho de 2011

As longas e tortuosas estradas do Estado

Quando Sir Paul McCartney, em 7 de novembro passado, entoou a sua mais melancólica balada – The Long and Winding Road –, no apoteótico show realizado no Gigante da Beira-Rio, o Rio Grande do Sul estava próximo de fechar o ano de 2010 e a partir daí consolidar as suas estatísticas de vítimas por acidentes de trânsito.
A impressionante evolução dos números exibidos dia a dia pelo “mapa das mortes no trânsito” do Grupo RBS já nos mostrava um significativo acréscimo em relação ao ano de 2009, um prenúncio de que fecharíamos o ano com um trágico saldo, contabilizado em 1.666 mortes. Daí a importância desta iniciativa, funcionando como um termômetro, dada a instantaneidade dos dados, ainda que contabilize unicamente os óbitos ocorridos no local.
Sabíamos, então, que estes números seriam ainda maiores e a estatística consolidada pelo Departamento Médico Legal do Instituto-Geral de Perícias do RS nos revelou um estarrecedor número de 2.240 vítimas fatais, 34% superior. O trânsito no Rio Grande do Sul, em 2010, matou acima dos demais homicídios, os quais contabilizaram 2.174 mortes, fazendo do acidente de trânsito a maior causa de morte violenta em nosso Estado.
Desses dados do DML nos vem a informação sobre uma das principais causas, visto que em torno de 44% das vítimas fatais por acidentes de trânsito continham álcool em seu organismo. Devemos somar à questão da alcoolemia, o vertiginoso aumento da frota de veículos, da ordem de 120% nos últimos 10 anos, com significativo aumento do percentual de motocicletas, o não uso do cinto de segurança por todos os ocupantes e o excesso de velocidade praticado pelos nossos condutores. Daí encontraremos as explicações para este fenômeno de aumento dos já elevadíssimos números de vítimas fatais no trânsito por ano em nosso país, infelizmente bem maiores do que os 50 mil que presenciaram a apresentação de um dos Beatles em Porto Alegre.
Por fim, o significativo número de óbitos ocorridos em estradas estaduais, da ordem de 32%, segundo o Detran-RS, associado às notórias precariedades das mesmas em nível de projeto, manutenção, sinalização e ausência de dispositivos de segurança, nos leva a pensar que as estradas do RS estão por merecer uma maior atenção por parte do nosso poder público.

Rodrigo Kleinübing*

*Perito criminal, especialista em Acidentes de Trânsito, Fonte : ZH 01/07/11

quinta-feira, 31 de março de 2011

Eu preciso mesmo substituir os quatro pneus ao mesmo tempo?

A resposta para esta pergunta depende de seu carro. Hoje em dia, a maioria dos carros é de tração dianteira e alguns poucos são de tração traseira. Por isso, não há necessidade de substituir todos os quatro pneus ao mesmo tempo. Geralmente dois de cada vez já é o suficiente. Mas, por sua vez, os carros de tração nas quatro rodas estão se tornando mais populares e eles precisam que todos os seus quatro pneus sejam substituídos ao mesmo tempo.
Nos veículos equipados com tração nas quatro rodas, o diferencial e o computador trabalham juntos para enviar a quantidade certa de torque para cada roda com o intuito de minimizar as derrapagens e aumentar o controle. Se um desses pneus tiver um tamanho diferente dos outros – porque três pneus estão desgastados e apenas um está novo – o computador fará uma leitura incorreta e o diferencial trabalhará dobrado. Dirigir assim por muito tempo poderá até mesmo quebrar a transmissão do carro.
Há exceções – até mesmo para carros com tração nas quatro rodas. Se os pneus tiverem sido usados por algo em torno de dois mil quilômetros e um deles precisar ser substituído, não tem problema. Além disso, se você precisar rodar um pouco com um pneu diferente – por exemplo, para chegar até a borracharia mais próxima, isso também não provocará um dano grave.
Lembre-se sempre também de fazer um rodízio com os pneus já que isso estende a vida deles – seja qual for o veículo. O rodízio de pneus nos veículos com tração nas quatro rodas também garante que não haverá sobrecarga no sistema de transmissão.
Fonte: http://carros.hsw.uol.com.br

segunda-feira, 28 de março de 2011

10 dicas para dirigir com segurança

Antes de sair com seu carro nas ruas é importante ter consciência da responsabilidade que carrega ao ligar o motor. O carro além de um bem que proporciona conforto aos seus proprietários, também pode ser considerado uma arma letal, pois em um pequeno deslize ou distração, um grave acidente pode acontecer. Pensando nisso, elaboramos 10 dicas de segurança para dirigir bem e sem preocupações. 1. Evite Altas Velocidades Evite trafegar em altas velocidades nas rodovias, o ideal é manter uma média de 80 km/h. Não dirija na velocidade máxima permitida pela rodovia, quanto maior a velocidade mais difícil será evitar os perigos que podem aparecer, como por exemplo um animal de grande porte atravessando a rodovia. Lembre-se, as rodovias não são pistas de corridas. 2. Mantenha uma Distância Segura do Carro da Frente Mantenha sempre uma distância segura para o veículo da frente, principalmente quando estiver chovendo. Tente calcular pelo menos 3 segundos de distância tomando como base algum ponto de referência na pista. Com uma boa distância, você poderá prever o perigo e realizar a frenagem completa do seu carro sem que ocorram acidentes. 3.Ultrapasse com segurança Antes de realizar uma manobra de ultrapassagem é necessário seguir alguns cuidados importantes. Evite a aproximação exagerada do carro a ser ultrapassado e procure, com muito cuidado, levar o seu carro à esquerda para verificar o movimento da pista contrária (em caso de mão dupla). Se estiver na mesma velocidade do carro a ser ultrapassado, mantenha a distância de um carro e ao iniciar a manobra de ultrapassagem acelere o suficiente para garantir uma velocidade bem superior ao do carro da frente. Tenha paciência e espere o momento mais seguro para realizar a manobra. 4. Cuidados com a Neblina Caso esteja dirigindo e perceba que há neblina na pista, acione os faróis baixos e em seguida ligue os faróis de neblina, caso seu carro possua o acessório. 5. Cuidados com a Chuva Ao dirigir na chuva, reduza a velocidade, mantenha uma distância segura do carro da frente, segure firme o volante e evite frear ou acelerar demais o veículo, pois isso diminui o equilíbrio do carro. 6. Segure o Volante Corretamente Segundo os especialistas, a forma correta de segurar o volante, comparando-o a um relógio, seria no horário 1:50, com uma mão na hora e outra nos minutos. Se o carro possuir Air Bag, a posição ideal é 2:45. É extremamente importante segurar o volante com as duas mãos, sempre que não estiver mudando as marchas, pois caso o carro passe por cima de algo que possa tirar a estabilidade o motorista irá necessitar de mais força para segurar o carro na pista. 7. Como Frear com Segurança Procure frear sem deixar marcas no chão, ou seja, não deixe as rodas travarem. Com as rodas travadas, o carro irá arrastar pela pista, tirando o controle do motorista sobre o veículo. 8. Revise a Mecânica do seu Carro Sempre que possível, tenha cuidados com a mecânica do seu carro. Antes de uma viagem é sempre importante realizar uma revisão mecânica, não deixe tudo para última hora. 9. Verifique os Itens de Segurança Antes de sair com seu carro, verifique se os itens de segurança estão em perfeito estado. É sempre bom checar os cintos de segurança, os pneus, suspensão, freios e demais itens de segurança. 10. Realize inspeções periódicas É importante verificar periodicamente o nível do óleo do motor e da água do radiador, a profundidade dos sucos dos pneus, a calibragem dos pneus e a carga da bateria. Fonte: http://www.saiudelinha.com.br/

sábado, 26 de março de 2011

Pedestres em perigo

Cerca de metade das pessoas que morrem em acidentes de trânsito no Brasil são pedestres, e uma parcela significativa destes acidentes ocorrem à noite. Nesse horário a visibilidade do pedestre e do motorista é prejudicada, e ser avistado a pouca distância é extremamente perigoso, porque entre avistar um pedestre e o motorista conseguir parar totalmente o carro, a distância percorrida pode alcançar mais de 80 metros, isso se o motorista estiver a 90 km/h em uma via plana e seca. Outro fator que influencia muito é a ingestão de bebida alcoólica, pois o comportamento do próprio pedestre é afetado quando está bêbado podendo se expor a acidentes.
Existe uma relação direta entre a velocidade de impacto sobre o pedestre e a gravidade dos ferimentos causados, a uma velocidade de 32 km/h a probabilidade de um pedestre atropelado morrer é de 5%; se essa velocidade dobra, atingindo 64 km/h, a probabilidade de morte aumenta passando para 85%. E se atingir 80 km/h a morte é praticamente certa. Esse é um dado assustador, tendo em vista que estamos acostumados a dirigir em uma velocidade alta nas ruas do Brasil.
Para melhorar a seguraça do pedestre seria necessário que o governo trabalhasse na iluminação de travessias de pedestres e na construção de passarela. Mas também existem atitudes do próprio pedestre que podem garantir a sua segurança, segue abaixo algumas delas:

Dicas para pedestres:

* Sempre atravesse na faixa

* Inicie a travessia de uma rua logo que o farol fique vermelho para os carros. Assim, você evitará o risco de o semáforo abrir, quando você estiver na metade da via.

* Continue a observar os carros enquanto atravessa a rua, mesmo que você esteja na faixa de segurança.

* Mantenha sua atenção redobrada ao entardecer e à noite.

* Fique atento aos trechos da calçada que são espaço comum para os pedestres e os carros, por exemplo, saída de garagens e postos de gasolina. Nesses casos, só atravesse se tiver certeza de que nenhum carro está saindo da garagem.

* Ande longe do meio fio. Um carro em alta velocidade pode te desequilibrar.

* Certifique-se de que o motorista consiga vê-lo e vice-versa.

* Em ruas sem sinalização, atravesse no meio do quarteirão, pois este é o local de melhor visão.

* Ao andar em estacionamentos, preste atenção à luz de ré dos automóveis para ver se não estão saindo.

Fonte: http://www.pedestre.org.br/

sábado, 12 de março de 2011

A pracinha e o bom motorista

Um motorista não se forma a partir dos 18 anos, ou após a habilitação para dirigir. O trânsito começa tão logo o indivíduo se perceba como alguém que é separado de outras pessoas – e isto é por volta de um ano de idade.
Esperar, postergar, renunciar e ir aprendendo a conviver com as diferenças são conquistas de um longo e persistente processo. Capitaneando esta jornada há que existir alguém
(geralmente os pais, mas não necessariamente) que tome a sério esta tarefa e não desista.
Se quisermos observar a real formação de um bom motorista, basta observar o que acontece numa pracinha. Crianças de dois a quatro anos compartilham o espaço da areia, onde baldes, carros e panelinhas estão espalhados. Chega um menino e vai direto ao encontro do carro do “amigo”. O “amigo” retém o brinquedo para si enquanto diz um sonoro: “Não... é meu!!”. Logo surge a mãe do novato e explica a ele que o brinquedo é do menino e em seguida despeja na areia um carro de seu filho, para que ele também empreste algo seu.
Em outra parte, crianças estão em fila para descer no escorregador. Um menino menor fica parado lá em cima e demonstra ansiedade; já não sabe mais se quer descer. O que está atrás se impacienta e pega a dianteira, deixando o pequeno para trás. Nesta hora aparece um adulto que primeiro fala que a vez é do menino e que ele espere.
Como não surte efeito, o garoto é pego sem violência, mas com firmeza e o discurso é repetido: “Tu tens que aprender a esperar, é a vez do outro menino”. Assim outros tantos exemplos poderiam ser mencionados. Tudo acontece na pracinha – ela é um grande laboratório para aprender sobre trânsito.
O que acontece se não há para a criança alguém que esteja, em primeiro lugar, lhe vendo, para que possa intervir no momento necessário e, depois, que efetivamente apareça na hora certa com o limite adequado? Será possível, sem isso, que se desenvolva a capacidade de espera, tolerância e respeito às diferenças? Com exceções, é claro, muitos acidentes e incidentes seriam evitados se as partes envolvidas tivessem sido exaustivamente expostas a este tipo particular de aprendizagem.
Que a elas tivesse sido dito e demonstrado incontáveis vezes como se vive um mundo compartilhado. Sem isso, é inevitável que o produto final de uma história de desenvolvimento – o adulto – regule-se mais por seus próprios impulsos e desejos. Lamentavelmente, o que estas pessoas não puderam aprender é que há vantagens suficientemente poderosas na aquisição da capacidade de espera. Não vantagens imediatas, há que se dizer, mas vantagens a longo prazo. Sobrepor-se ao outro em benefício próprio acaba em algum momento cobrando seu preço, às vezes impagável.
por Caroline Milman*Psicanalista
Fonte: Zero Hora 04/03/11

terça-feira, 28 de setembro de 2010

EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO

Juntamente com as comemorações da pátria e a primavera, setembro também traz algo mais. Temos atualmente, a semana nacional do trânsito. É um tempo de conscientização da população para o trânsito. E a questão é muito importante, visto o número fantástico de acidentes que ocorrem todos os dias, em todas as cidades brasileiras.
A educação deve começar cedo. A impressão que temos é que o indivíduo só começa a se preocupar com as informações sobre trânsito quando está na época de “tirar a carteira de motorista”. Aí, é aquele corre-corre, aulas teóricas, legislação de trânsito, aulas práticas, tudo muito rápido porque precisa da carteira. Aprende-se tudo de uma vez, tudo decorado, coisa que muito rapidamente se esquece.
Realmente, o trânsito faz parte de nossas vidas. Mas, infelizmente, a importância dada a este assunto não parece tão grande. Todos os dias assistimos reportagens na TV sobre acidentes no trânsito. Fala-se que aumenta a cada dia a quantidade de mortos, mas, tudo continua na mesma.
Nós já nos habituamos a ouvir, nos noticiários, sobre os acidentes, mas não conhecemos aquelas pessoas que morreram e então, tudo fica no esquecimento. Dentro de poucos segundos, já não sabemos mais sobre o que o repórter falou.
Pessoas morrem todos os anos, principalmente nos feriados prolongados. A pressa de chegar, a bebida alcoólica ingerida momentos antes de dirigir, a desatenção ao volante, os carros em péssimas condições de uso, estradas esburacadas, enfim, tudo leva a acidentes horríveis, muitas vezes, com crianças sendo vítimas de adultos irresponsáveis. E aí eu pergunto: o que falta? Educação no trânsito? Começar a ensinar sobre trânsito bem cedo?
A sociedade está preocupada com este tema. O aumento do número de veículos nas ruas também é assunto preocupante. Algumas cidades já atingiram um número absurdo de veículos nas ruas. O problema é que muitas cidades não estão preparadas para suportar esta mudança. Este grande número de veículos causa uma desenfreada corrida na formação de novos condutores, o que pode acarretar um número maior de novos motoristas, sem muita experiência, conduzindo veículos pelas ruas.
E, para piorar, esta crise aérea, que fez muita gente deixar os aviões e pegar a estrada de ônibus ou no próprio carro. Seria ótimo se todos, ao tirar seus carros da garagem pensassem em levar mais pessoas, ou seja, levar o amigo, parente, colegas de trabalho, de colégio, enfim, aumentar o número de pessoas nos veículos, diminuindo o número de carros nas ruas, com uma só pessoa. Até o meio ambiente ganha com isso, visto que diminuirá os gases poluentes.
Muito tem se falado na segurança para as crianças, mas hoje em dia, até as calçadas estão representando perigo. Não é raro ouvir nos noticiários: “atropelada criança na calçada” ou “atropelado no acostamento”. É uma verdadeira guerra urbana, onde os carros, para alguns, representam liberdade e status e, de vez em quando, são usados de forma irresponsável, por motoristas bêbados ou com muito sono ao saírem das baladas.
Não basta sinalizar as vias públicas, ou colocar radares nas avenidas, é preciso educar para o trânsito. Os pais, ao saírem de casa com seus filhos no carro, devem agir com responsabilidade, respeitando as leis do trânsito e passando isso aos seus filhos.
Sem dúvida, nosso comportamento influencia as crianças e, todos nós, em dado momento, somos pedestres também e, algum dia, mais cedo ou mais tarde, nossos filhos serão condutores de algum veículo e estarão sujeitos a vários perigos.
Sabemos que o exemplo vindo do adulto vale mais que muitas palavras e as crianças têm facilidade em aprender o que vêem. Portanto, temos que deixá-las ver apenas o que é correto. Nossas atitudes são copiadas pelos nossos filhos, então, não é difícil educar para o trânsito, basta nós mesmos pararmos de infringir as leis.
É necessário por um fim a esses acidentes diários, pois com isso, muitas vezes.
Por: Sonia das Graças Oliveira Silva
Fonte: http://pt.shvoong.com/social

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Da Educação para o Trânsito

O autor, observador da gradativa e progressiva piora no tráfego, seja pelo aumento constante de veículos em circulação, seja pelo comportamento inadequado de pedestres e condutores, e preocupado com o grande número de vitimas de acidentes de tráfego, realça a importância da Educação para o Trânsito, na esperança de um futuro melhor.
Introdução
Desde há muito se tenta implantar a Educação para o Trânsito no País. Tornou-se praticamente insuportável a atual situação, pois aparece como causa primeira dos infortúnios a culpa dos próprios motoristas e outros envolvidos.
A educação do povo está em um nível deficiente, com uma alarmante falta de respeito aos direitos do próximo.A situação do trânsito é um problema de educação dos condutores de veículos e dos pedestres.
As regras de trânsito devem ser disseminadas e aprendidas nas escolas, já que, mais cedo ou mais tarde, os alunos, em sua maioria, irão conduzir automóveis. É na infância e na adolescência que se verifica a maior aceitação de ensinamentos e de condutas.
A estatística de uma vítima fatal a cada 30 segundos no trânsito em todo o mundo e o conhecimento de, no Brasil, já ter-mos ultrapassado a triste marca de um milhão de vidas perdidas em acidentes de tráfego, dirigiram minha atenção para o atual código de trânsito Brasileiro, pois o Brasil é ao que parece o campeão mundial de acidentes de tráfego.O capítulo VI da Lei No. 9.503, de 23 de setembro de 1997, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, refere à Educação para o Trânsito
A Educação para o trânsito como direito e dever
De acordo com o art. 74: A educação para o trânsito é direito de todos e constitui dever prioritário para os componentes do Sistema Nacional de Trânsito.O parágrafo 1º diz: É obrigatória a existência de Coordenação Educacional em cada órgão ou entidade componente do Sistema Nacional de Trânsito.O parágrafo 2º: Os órgãos ou entidades de trânsito deverão promover, dentro de sua estrutura organizacional ou mediante convênio, o funcionamento de Escolas Públicas de Trânsito, nos moldes e padrões estabelecidos pelo CONTRAN.
A Educação para o Trânsito promovida em cursos escolares
Art. 76. A Educação para o Trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1º, 2º e 3º graus, através de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito e de Educação, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nas respectivas áreas de atuação. Em seu parágrafo único, observa-se que: o Ministério da Educação e do Desporto, mediante proposta do CONTRAN e do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, diretamente ou mediante convênio promoverá:I - a adoção, em todos os níveis de ensino, de um currículo interdisciplinar com conteúdo programático sobre segurança de trânsito;II - a adoção de conteúdos relativos à educação para o trânsito nas escolas de formação para o magistério e o treinamento de professores e multiplicadores.
Ao CONTRAN cabe oferecer as propostas ou traçar as linhas básicas da Educação, dos objetivos a serem atingidos, e mesmo da matéria que integrará o Currículo Escolar. Nesta parte porém, relativa aos conteúdos, à forma de educação e à composição dos currículos, a matéria está mais afeta ao Ministério da Educação e do Desporto, que elaborará os conteúdos a serem transmitidos sobre a Segurança do Trânsito.
Conforme a disposição legal, o CONTRAN atuará em conjunto com o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras. Para a inclusão de conteúdos nos planos escolares apresenta-se indispensável a manifestação dos dois órgãos. Somente depois o Ministério da Educação e Desporto promoverá a implantação, encaminhando o plano geral às Secretarias de Educação dos Estados, que, por sua vez, traçarão as diretrizes específicas para a sua adoção nas escolas públicas e particulares, inclusive nas municipais.
Convênios dos órgãos e entidades de trânsito com órgão do ensino
Encontramos no art. 79: Os órgãos e entidades executivos de trânsito poderão firmar convênio com os órgãos de educação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, objetivando o cumprimento das obrigações estabelecidas neste capítulo.
Há a previsão de se realizarem convênios, no que diz respeito a Educação do Trânsito, com os órgãos de Educação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, cada órgão estabelecerá as metas da campanha na área de sua jurisdição e inclusive entre entidades particulares já realizam-se convênios. Nesta ordem, o Banco do Brasil e a Associação Brasileira de Educadores de Trânsito - ABETRAN - lançaram, em setembro de 1996, o Manual de Educação para o Trânsito, que foi distribuído gratuitamente nas escolas, objetivando atingir as crianças e adolescentes, ressaltando a tática dos mesmos influírem na conduta dos pais, controlando seu comportamento quando na direção de veículos.
Indo para o Capítulo XX, chegamos às Disposições Finais e Transitórias
Art. 320. a receita arrecadada com a cobrança das multas de trânsito será aplicada, exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito.Parágrafo único. O percentual de cinco por cento do valor das multas de trânsito arrecadadas será depositado, mensalmente, na conta de fundo de âmbito nacional destinado à segurança e educação de trânsito.
Conclusão
Acreditando que a vontade política de educar para o trânsito e para a vida, de modo a construir gerações de futuros condutores de veículos mais conscios de sua cidadania e do valor do ser humano, aproveitando o apoio dado pela legislação do novo C. T. B., e a exemplo do Guarda Municipal de Macaé que em dezembro de 2002 inaugurou o seu centro Municipal de Educação para o Trânsito, considero que o momento é oportuno para que se inicie um planejamento específico nas escolas em níveis pré-escolar, fundamental e médio, fazendo-se em futuro a correspondente avaliação dos resultados quando os estudantes já estiverem até no nível superior, já habilitados, quando poderemos então constatar, espero, a diferença em comparação com os dias atuais, naturalmente imposta pela Educação.
Wellington Santos Oftalmologista e médico de tráfego.(Currículo no CNPQ)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Dicas de segurança no trânsito

Dicas de segurança no trânsito – Direção defensiva
É fácil principalmente para quem mora em cidades grandes flagrar além de absurdos cometidos no trânsito, presenciar acidentes cometidos por diversos fatores, muitos deles por pura negligência.
As estatísticas demonstram que, a cada ano, são centenas de milhares as vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. Dentre elas, aproximadamente 50 mil são vítimas fatais, das quais 30 mil morrem no local do acidente. São computados em dezenas de milhares também, os sobreviventes que se tornam inválidos.
Por esse motivo, este artigo servirá para alertar todo o motorista a assumir uma postura defensiva ao guiar um veículo, e muni-lo de informação para a diminuição dessa triste estatística.
O impacto social causado pelas mortes no trânsito é muito intenso, pois a grande maioria das vítimas tem entre 18 e 35 anos e pertence à faixa economicamente mais produtiva e ativa da nossa sociedade.
Quando analisamos as estatísticas envolvendo motos, os números são ainda mais impressionantes. As motos representam aproximadamente 7% da frota brasileira de veículos, mas estão envolvidas em 35% dos acidentes.
Todos nós somos usuários diários do trânsito, seja como passageiros, pedestres ou condutores. Somos responsáveis pelo bem estar desse meio social. Porém, quanto à segurança no trânsito, sem dúvida a maior responsabilidade cabe aos condutores.
Muitos motoristas não têm consciência desta responsabilidade. É comum ouvirmos relatos de acidentes onde o condutor aponta como “culpa” a falta de acostamento, a chuva, um buraco na pista, entre diversos outros fatores.
Após analisar as causas de milhares de acidentes, foi possível chegar às seguintes conclusões:
90% dos acidentes são causados por falhas humanas.
4% são causados por falhas mecânicas.
6% são causados por má condição das vias.
A partir destes dados, verificou-se também que a grande maioria das falhas humanas pode ser evitada, tomando-se alguns cuidados básicos. Esses procedimentos foram analisados e sistematizados: o conjunto destas técnicas recebe o nome de Direção Defensiva para condutores de veículos de quatro rodas e Pilotagem Defensiva para condutores de veículos de duas ou três rodas. A prática desses procedimentos está ao alcance de todos os condutores.
Definição
Dirigir ou Pilotar defensivamente é evitar acidentes ou diminuir as conseqüências de um acidente inevitável, apesar dos erros, das condições adversas e da irresponsabilidade de outros condutores e pedestres.
Desta definição podemos concluir que:
Os acidentes geralmente são causados pela combinação de diversos fatores. O fator mais relevante é chamado de causa principal do acidente. Esse fator pode ser: excesso de velocidade, erros na previsão de ações de outros motoristas, desrespeito à sinalização ou normas de trânsito, negligência na avaliação das condições adversas, falta de habilidade para conduzir com segurança, etc.
O condutor defensivo altera conscientemente o encadeamento dos fatores que resultariam em um acidente. Ele sabe que basta interferir, de forma positiva, em um ou mais destes fatores, para que o acidente não aconteça.
Motorista defensivo é aquele que utiliza constantemente as técnicas de Direção e Pilotagem Defensiva, enquanto dirige seu veículo. Deste modo, ele evita acidentes, tornando assim o trânsito muito mais seguro, para si próprio e para as demais pessoas.
Lembre-se: conhecer as técnicas não basta. É preciso alterar o comportamento, incorporando essas técnicas ao dia-a-dia, reconhecer e abandonar antigos vícios e maus hábitos, de forma a automatizar os procedimentos e as atitudes corretas.
Outra característica importante do condutor defensivo é a de que ele fica satisfeito em evitar o acidente, independente de quem tenha razão ou de quem seja a culpa.
É importante saber que, em qualquer acidente, ocorre pelo menos uma destas três falhas humanas:
Negligência
Imprudência
Imperícia
A negligência pode ser definida como descaso, displicência ou desleixo. Muitos acidentes e mortes são causados por negligência:
Do órgão com jurisdição sobre a via, quando deixa de fazer a manutenção e instalar ou reparar a sinalização.
Do proprietário do veículo, quando permite que condutores não habilitados ou sem condições de dirigir conduzam seu veículo.
Do condutor, quando insiste em conduzir um veículo mal conservado ou fora dos padrões de segurança.
Do condutor, quando não obedece às leis de trânsito e não pratica as técnicas de Direção ou Pilotagem Defensiva.
A imprudência, elemento de presença constante no trânsito brasileiro, o motorista imprudente é aquele que:
Expõe a si próprio e às demais pessoas a riscos desnecessários, sem medir as conseqüências.
Mesmo percebendo a precariedade de sinalização e conservação de uma via, continua conduzindo com velocidade incompatível.
Dirige perigosamente, sem levar em consideração condições adversas existentes no momento em que trafega.
A imperícia ou falta de habilidade é uma importante causa de acidentes. Geralmente é proveniente de má formação ou treinamento inadequado do condutor que:
Não está suficientemente capacitado ou familiarizado para usar determinado tipo de veículo.
Não sabe o que fazer ou tem reações impróprias frente a situações adversas.
Não sabe como agir em situações de emergência.
Agora você já sabe, não entre nos 90% das estatísticas, seja prudente, consciente e defensivo na direção.
O SS abordará esse tema constantemente com várias dicas, dentre elas elementos como: conhecimento, atenção, previsão, habilidade e ação!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

“NOVO SINAL DE TRÂNSITO” – Ilegal e Perigoso

“NOVO SINAL DE TRÂNSITO” – Ilegal e Perigoso
Há muito tempo que se vem falando sobre o amadorismo e falta de competência que impera no planejamento e administração do trânsito de Porto Alegre em geral. Para comprovar o se tem dito, surge uma absurda campanha, assinada genericamente pela Prefeitura de Porto Alegre, para a criação de um “novo sinal de trânsito”, que dá um suposto poder ao pedestre para parar o trânsito. Esta campanha contraria a Lei de Trânsito, as Normas Internacionais, as regras de Segurança, o conhecimento Técnico de Engenharia de Tráfego e o bom senso.
A iniciativa é, primeiramente, ilegal, uma vez que a competência para criar e alterar sinalização de trânsito é exclusiva do Órgão Máximo Executivo de trânsito da União, como especifica o artigo 19 do Código Nacional de Trânsito.
Além disto, esta criação está subordinada a aprovação do Contran, conforme o artigo 12 do mesmo código. Além da ilegalidade na origem, o “novo sinal” daria poder de controle de trânsito que somente o agente de trânsito, devidamente constituído e treinado pode exercer.
O fundamental respeito a normas internacionais também é negligenciado. A universalização das normas de trânsito é regra básica, uma vez que é cada vez maior a circulação de estrangeiros por todas as cidades do mundo. Porto Alegre não é exceção.
Assim, como os milhares de motoristas de outros estados, e até mesmo outros países, poderão saber que em nossa cidade o gesto de levantar a mão significa “pára que eu vou atravessar”. Poderia tranquilamente ser “Hei.Táxi” ou “Olá como vai você ?”.
A contrariedade às regras de segurança e técnicas de engenharia de tráfego da-se pelo fato de que a interrupção do fluxo de veículos deve ser realizada somente por sinalização ou por agentes treinados. O agente tem a legitimidade e o treinamento para imobilizar um veículo com segurança, utilizando a sinalização sonora e os gestos adequados para que o veículo se imobilize dentro da distância tecnicamente segura.
O sinal luminoso, que pode ser acionado pelo pedestre, aguarda dentro de sua programação o momento mais propício para a imobilização, sinalizando primeiramente com o indicativo amarelo e finalmente imobilizando o fluxo com a luz vermelha. Estas são as maneiras seguras e legais de se parar o trânsito.
A preferência pelo pedestre na faixa de segurança e as normas para fazer valer este direito existem legalmente. Estão no Código Nacional de Trânsito. Neste mesmo texto encontram-se as atribuições e obrigações de cada participante do Sistema Nacional de Trânsito, que engloba órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios com a finalidade o exercício das atividades inerentes à circulação viária nacional.
Neste contexto, esperase que a Prefeitura de Porto Alegre, antes de inovar amadoristicamente suas atribuições tentando legislar, cumpra a sua função de fiscalizar e fazer cumprir as normas e leis já existentes. Um excelente começo seria a colocação dos desaparecidos agentes de trânsito nas ruas, principalmente junto às escolas, parques, hospitais e outros locais de grande fluxo de pedestres para controle e orientação.
A medida de implantação deste “novo sinal”, maquiada com a falsa aparência de preocupação com o pedestre, é uma clara forma do poder público municipal se eximir de suas reais responsabilidades com o controle da circulação de veículos e pessoas.
As graves falhas da iniciativa, neste texto apontadas, irão causar sérios acidentes na capital. Pode-se claramente prever que mortes irão ocorrer se a campanha não for encerrada e a população esclarecida.
Este tipo de atitude amadora e irresponsável demonstra claramente Porto Alegre necessita urgentemente rever a sua atuação junto ao seu sistema de trânsito, que já emite sinais de colapso iminente. É inconcebível que uma cidade com cerca de 497 Km2 não possua uma Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) atuante tanto no controle como no planejamento de todas as questões que envolvam trânsito e mobilidade urbana como existe em todas as cidades deste porte.
Se o planejamento das ações relativas ao trânsito fosse executado por órgão composto por pessoas habilitadas e treinadas para este fim, jamais teria sido criada uma campanha como esta que irá causar acidentes e constrangimentos para Porto Alegre.
Walter Kauffmann Neto
Engenheiro
Diretor da Kauffmann Associados
Consultor Técnico da ONG Alerta
Presta assessoria em Engenharia Automotiva, Acidentes e Trânsito
Publicação e Divulgação sem ônus autorizada somente com citação de autoria.

domingo, 20 de setembro de 2009

Educação no trânsito: direito e dever de todos

Educação no trânsito: direito e dever de todos
Autor : Macileide Ferreira Passos
Considera-se trânsito a utilização das vias (ruas) por pessoas, veículos,animais, isoladas ou em grupo.conduzidos, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga. Fazem parte do trânsito o homem, o veículo e a via. Quando andamos a pé, de bicicleta ou até mesmo de cavalo ou carroça fazemos parte do trânsito. Deste modo, percebe-se que o trânsito surgiu bem antes do automóvel.
Acontece, porém, que o trânsito fica mais agitado e até difícil com a presença dos veículos. Os automóveis surgem na história da humanidade, para resolver problemas de locomoção e transportes e mudar significativamente a vida das pessoas, pois eles encurtam distâncias, facilitando as coisas, contudo trazem alguns problemas. Os primeiros tipos de transportes do mundo foram movidos por animais. No ano de 1790 foi inventada a bicicleta.
No ano de 1771 começam as primeiras experiências com automóveis que eram a vapor. No ano de 1886 o alemão Carl Benz registra o que ficou conhecido como primeiro automóvel do mundo, era uma espécie de triciclo. Com os veículos surgem os acidentes de trânsito...
O primeiro atropelamento com morte, conhecido pela história, aconteceu em 1846.
Assim, a necessidade de orientar as pessoas que andam pelas ruas sempre foi importante, pois deveriam ser criadas as leis para organizar o trânsito e evitar os acidentes.
O primeiro automóvel do Brasil pertenceu a Henrique Santos Dumont, irmão de Alberto Santos Dumont (inventor do avião), mas ele não era visto pelas ruas, pois dizem que foi comprado para fins de estudo. O segundo automóvel foi do jornalista José do Patrocínio.
Ele convidou o poeta Olavo Bilac para um passeio e saiu pelas ruas “espalhando pânico” entre os moradores. José confiou o volante ao amigo e ele bateu em uma árvore, deslizando por um barranco, nada muito grave, acontecendo aí o primeiro acidente de trânsito com automóvel do país. Como se pode notar os acidentes são comuns, porém mudam a vida das pessoas, por isso foram criadas as legislações de trânsito, que são as normas que disciplinam as atividades que envolvem o trânsito.
Todos têm direitos e deveres no trânsito, inclusive os pedestres.
Atualmente o trânsito é regido pelo CTB – Código de Trânsito Brasileiro. A lei é bastante rígida, mas nem sempre é cumprida e muitos acidentes ainda acontecem. A Organização Mundial de Saúde – OMS e as pesquisas comprovam que o trânsito é uma das maiores causas de mortes no mundo e no Brasil.
Isso acontece principalmente por causa da imprudência e distração das pessoas. É comum vermos motoristas dirigindo alcoolizados e andando em alta velocidade, o que é proibido.
Os pedestres não respeitam faixas e semáforos. Os motoqueiros, ciclistas e carroceiros também desrespeitam as normas.
Desta forma, todos acabam contribuindo para um trânsito problemático. A segurança no trânsito é direito de todos, mas para isso as pessoas devem colaborar! Os motoristas devem seguir as normas da legislação e as pessoas devem andar nas ruas com atenção e sempre que estiverem em locais movimentados observar a sinalização, atravessando nos locais onde houver faixas de pedestres e semáforos. Muitas são as vítimas da violência no trânsito. Você certamente conhece, conheceu ou ouviu falar de alguém.
O trânsito só será melhor quando as pessoas se conscientizarem da importância da educação no trânsito e passarem a contribuir de maneira significativa na construção de um trânsito mais humano e cidadão.
http://pt.shvoong.com/humanities/203955-educa%C3%A7%C3%A3o-tr%C3%A2nsito-direito-dever-todos/

sábado, 19 de setembro de 2009

Educação no Trânsito: uma questão de valor

Educação no Trânsito: uma questão de valor
Coordenadora de Educação para o Trânsito do DETRAN 18/09/2009 15:06
Um dos maiores problemas que atinge as cidades atualmente está relacionado ao trânsito, incidindo diretamente na diminuição da qualidade de vida das pessoas. Nesse contexto, fala-se muito em “educação para o trânsito”, como se existisse uma educação específica para o trânsito, para o meio ambiente, para a diversidade social, para a orientação sexual.
Na verdade, o que existe é uma educação para a vida, capaz de garantir o desenvolvimento integral do ser humano, em seus aspectos cognitivo, afetivo e emocional, o que requer o desenvolvimento de habilidades e competências, de valores e princípios que o ajudem a ser e a conviver.
O ser humano é o reflexo de suas atitudes, em todos os contextos da vida social. Entretanto, no trânsito, em função do número crescente de veículos num espaço público cujas vias já estão saturadas, a falta de educação tem contribuído para o surgimento de inúmeros conflitos que acirram a competição pelo espaço e se materializam nos acidentes de trânsito.
Dessa forma, vê-se instaurado um grave quadro de violência social responsável por uma quantidade cada vez maior de mortes. Estatísticas apontam os acidentes de trânsito como uma das principais causas de mortalidade no Brasil, transformando o trânsito em uma questão de saúde pública e de segurança pública.
O Código de Trânsito Brasileiro estabelece o trânsito seguro como direito de todos e como dever do Estado. A garantia desse direito passa, necessariamente, pelo investimento em três áreas: educação, engenharia e fiscalização, esta última entendida como o esforço legal para garantir a coibição de excessos e a punição de infratores/criminosos. Isso significa que devemos, sim, investir cada vez mais na educação, voltada para a formação da cidadania.
Porém, o poder público constituído não pode se furtar das demais responsabilidades que lhe são atribuídas para que tenha condições efetivas de manter a ordem social, garantindo a toda a população o direito ao trânsito seguro, o direito à vida.
Disso decorre que não pode deixar de investir em engenharia de tráfego e em fiscalização de trânsito. Caso contrário, teria a educação a capacidade de, isoladamente, instaurar a paz e a civilidade no trânsito? É oportuno resgatar o pensamento de Paulo Freire: “a educação sozinha não faz, mas também sem ela não é feita a cidadania”.
Além da atuação do poder público, a promoção de uma cultura de paz no trânsito requer a participação ativa da sociedade. Com o objetivo de incentivar essa participação, o tema da Semana Nacional de Trânsito deste ano focaliza os valores ligados à cidadania, concebidos como requisito primordial para o compartilhamento do espaço público, no qual os indivíduos sejam capazes de conviver uns com os outros.
Nesse sentido, valores como respeito, gentileza, cooperação, colaboração, tolerância, solidariedade devem fundamentar as práticas educativas, inclusive aquelas que se desenvolvem no seio familiar e na interação cotidiana dos indivíduos. Nesse processo, o exemplo é o melhor aprendizado.
Nossas atitudes no trânsito além de produzirem ação imediata servem de exemplo para que outras pessoas adotem comportamento similar, num movimento de ampliação de área de abrangência. Nesse sentido, cada um de nós assume um papel relevante no processo de construção de uma cultura de paz no trânsito, capaz de preservar e valorizar a vida.
Você já parou para pensar em suas atitudes no trânsito? Você invade a faixa de pedestres com o veículo, avança o sinal vermelho, trafega com a motocicleta pelos espaços vazios entre os carros, estaciona o carro em fila dupla, usa o telefone celular ao volante, ingere bebida alcoólica antes de dirigir ou mesmo dirigindo? Você já pensou que pode estar contribuindo para o aumento da violência no trânsito? Trânsito é atitude. Antes que seja tarde demais, mude o seu comportamento.
Além de exercer a sua cidadania você será pode vir a ser o exemplo para alguém e, dessa forma, poderá influenciar e incentivar novos comportamentos.
Renata Neves T. de Barros Freitas é Pedagoga, Mestre em Educação, Especialista em Gestão de Educação no Trânsito e Coord. Geral de Educação para o Trânsito do DETRAN-MT
e-mail: coord.educ@detran.mt.gov.br

sábado, 23 de maio de 2009

Educação e infraestrutura

Educação e infraestrutura
O economista Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova York, que se notabilizou como o homem que previu a debacle da economia mundial, apontou alguns dos principais desafios brasileiros para os próximos anos.
Segundo ele, para elevar a média do crescimento até o ritmo dos demais integrantes do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), nosso país precisa investir na educação e na infraestrutura.
O Brasil, cujo crescimento nas últimas três décadas oscilou de zero a 5%, precisa perseguir um ritmo maior, igual ao registrado, por exemplo, pela China e pela Índia nos últimos anos, cujo crescimento foi próximo de 10%.
O economista, a quem ninguém atribuía importância e que era até ridicularizado quando vaticinava a explosão do sistema financeiro norte-americano, percebe com agudeza os atuais gargalos da economia brasileira.
A preparação da população para enfrentar adequadamente as tarefas do futuro imediato exige, antes de qualquer outra providência, um investimento na qualificação de seu nível educacional.
O exemplo de países que se transformaram positivamente nas últimas décadas mostra que a qualidade da educação é condição indispensável para qualquer pretensão de desenvolvimento sustentável.
Quanto à realidade do país, afora conquistas fundamentais como a estabilidade macroeconômica e a solidez do sistema bancário, ela ainda se ressente de investimentos na infraestrutura e de reformas capazes de dar mais eficiência ao setor público.São temas cada vez mais decisivos para a confirmação das potencialidades brasileiras.
Os avanços já conseguidos, que servem de plataforma para voos mais altos, precisam ser complementados por decisões estratégicas tanto na qualificação do ensino e na modernização da máquina pública quanto nos investimentos prioritários em infraestrutura de energia e de transportes. Vencida a atual crise, serão essas decisões as que definirão nosso país como um dos mais promissores protagonistas da economia mundial.
Fonte Jornal: Zero Hora, 24/05/09

sexta-feira, 8 de maio de 2009

As pessoas dirigem como vivem, por Fabrício Dreyer de Avila Pozzebon*

As pessoas dirigem como vivem, por Fabrício Dreyer de Avila Pozzebon*

A busca de explicações para a violência no trânsito é tarefa das mais árduas, por se tratar de um fenômeno extremamente complexo, o que de forma alguma esmorece a necessidade de uma profunda reflexão a respeito.
O crescente número de lesões, mortes e prejuízos de ordem patrimonial diuturnamente noticiado é revelador disso.
O fato é que um comportamento violento na condução do automóvel reflete a personalidade de quem o conduz, cujas tendências são reforçadas pelo veículo que atua como instrumento potencializador.
Segundo o doutor em psicologia Reinier J.A. Rozestraten, o trânsito tem o caráter e a inteligência de quem o realiza, e o veículo é o espelho da pessoa que o conduz, a sua imagem e semelhança.
Quando na condução do veículo automotor, a pessoa revela seu grau de sensibilidade e a sua satisfação ou insatisfação com a vida. As pessoas dirigem como vivem.
Portanto, a afirmação recorrente de que o veículo transforma as pessoas não é de todo correta, pois, conforme o referido autor, o veículo apenas possibilita condições para que as pessoas se revelem como elas verdadeiramente são ou vivem.
Na condução de um veículo, a pessoa expressa suas virtudes, como educação, sensibilidade e altruísmo, mas mostra, também, seus defeitos, fraquezas e insensatez.
Armindo Beux destaca que, segundo os autores franceses, os condutores classificados como faibles d’esprit, em termos psicológicos, apresentam três formas principais: os irresponsáveis, que não enxergam o perigo, são possuidores de excesso de autoconfiança e pouquíssimo respeito pelas leis de trânsito; os vaidosos, que desprezam o pequeno, detestam ser ultrapassados, tomam decisões perigosas e não gostam de diminuir a velocidade; e os irritáveis, que constantemente vislumbram nos outros ignorância ou más intenções, não perdoam ninguém, são altamente agressivos, xingam por qualquer circunstância.
Quem nunca viu um desses? O motorista que imprime velocidade excessiva em seu veículo está sendo dominado, não por um sentimento de superioridade, mas por um complexo de inferioridade com relação a alguma coisa de sua vida.
Indivíduos frustrados procuram na potência da máquina; portanto, na velocidade, a compensação inconsciente de suas frustrações. Chegam, por meio do automóvel, a atribuir a si mesmos uma excessiva importância pessoal.
Essencial, assim, em primeiro lugar, além da educação do futuro condutor desde a mais tenra idade, sermos humildes em reconhecer se não estamos enquadrados em um desses perfis e o quão perigoso isso significa.
Fazer um exercício de alteridade, colocando-se na posição do outro, e que os riscos para os outros são também riscos para si mesmo e sua família.
*Diretor da Faculdade de Direito da PUCRS
Fonte: Jornal Zero Hora, 08/05/09