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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Palestra na Sudoeste Transportes Coletivos

A ONG Alerta realizou palestra na Empresa Sudoeste para a turma de alunos do projetro pescar sobre armadilhas no tränsito.      

O que é o projeto pescar?
O Projeto Pescar é um sistema pioneiro de Franquia Social, onde as organizações que compõem a Rede Pescar abrem espaço em suas dependências para a formação pessoal e profissional de adolescentes em vulnerabilidade social.

Os cursos oferecidos contemplam sete áreas de formação profissional: Ambiente, Saúde e Segurança; Controle e Processos Industriais; Gestão e Negócios; Hospitalidade e Lazer; Informação e Comunicação; Infraestrutura; e Produção Industrial. Após o período de 8 a 11 meses de qualificação profissional e a formatura na Unidade Pescar, estes Jovens são encaminhados para o mercado de trabalho.

É importante salientar que o Projeto Pescar estimula nos Jovens a responsabilidade individual, o que reforça sua cidadania.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Ficar parado no trânsito pode custar mais de R$ 1.000 para motorista

O trânsito nas grandes metrópoles é caótico, e o “anda e para” parece não ter fim. Com isso, a vida útil das peças do carro pode diminuir bastante.
Enquanto o veículo está ligado, porém parado, o motor continua trabalhando e é nessa situação peças importantes do sistema de lubrificação, arrefecimento, sincronismo do motor e de embreagem começam a dar problemas. Trocar essas peças pode custar mais de R$ 1.000 para um carro popular.
Mão de obra
De acordo com o administrador e responsável técnico da Auto Mecânica Scopino, Pedro Luiz Scopino, a variação de preço da mão de obra é grande, pois depende do modelo do veículo. Em média, porém, “para a troca destes itens, a mão de obra é cerca de R$ 160”.
Segundo o diretor e técnico responsável do Departamento Técnico de Manutenção Preventiva e Corretiva de Autos Mingau, Edson Roberto de Avila, essas peças fazem parte de sistemas que são bastante exigidos quando o automóvel está em atividade constante.
Ele afirma que os preços da mão de obra podem variar de R$ 70 a R$ 140 a hora, porém, “dependendo do sistema operacional que será reparado, a manutenção pode chegar tranquilamente até R$ 200 a hora”.
Prevenção de problemas
Para Scopino, o motorista precisa conhecer o veículo e saber seus limites. Para isso, a melhor forma é “ler o manual do proprietário, que determina a quilometragem de manutenção”.
Porém,ele ressalta que o trânsito é considerado serviço severo, ou seja, exige mais dos sistemas, portanto é preciso considerar a revisão na metade da quilometragem indicada”, aconselha.
Segundo Avila, “o ideal é visitar o mecânico de sua confiança regularmente, com prazos estipulados por ele, pois só assim poderá evitar quebras indesejáveis e gastos desnecessários.
Agora, se o motoristas preferir esperar surgir algum tipo de ruído ou falha, ele poderá ser um forte candidato a desembolsar um alto valor para o conserto”, explica.
Ambos profissionais ressaltam a importância da manutenção preventiva, pois segundo eles, a manutenção corretiva é eficiente, porém também pode custar bastante ao motorista.
“Fazendo a [manutenção] preventiva, o consumidor tem três vantagens: programar a parada do veículo, não tem surpresas no uso do veículo e o valoriza, e é mais barata que a [manutenção] corretiva”, explica Scopino.
Para evitar que o veículo sofra mais com o trânsito, Scopino aconselha que o motorista “não segure o pedal da embreagem acionado [quando o carro estiver parado] e faça a manutenção preventiva regularmente”.
Fonte: Bol Notícias

domingo, 25 de setembro de 2011

O PAPEL DE UMA MÃE DIVINA



Toda mulher carrega o potencial de se tornar uma Mãe Divina – na Terra. Quando vocês despertarem para a sua divindade interior, compreenderão que TODAS as almas são uma centelha divina que encarnam a fim de ultrapassar quaisquer obstáculos que as estejam impedindo de cumprir a jornada de sua alma de Serem Íntegros novamente, de retornarem à consciência de sua Divindade. Quando uma mulher tem um filho na Terra, ela não somente é responsável pela sua segurança e bem-estar diário, mas uma mãe espiritualmente consciente verá também que ela tem a responsabilidade de recuar e permitir que a alma experiencie a vida com os seus altos e baixos, sem interferir no caminho desta alma.
A  Mãe Divina está sempre lá para todos nós e Ela é um perfeito papel de mãe para ver como ela zela silenciosamente por cada alma, com um extremo amor divino, e lhes permite experienciar aquilo que devem experienciar na Terra. Quando um filho não é mais uma criança, mas um adulto, a Mãe Terra tem uma escolha de ser ativa na vida desta alma, dependendo das circunstâncias de cada indivíduo. Algumas vezes é mais benéfico para todos os envolvidos, ela estar assistindo dos “bastidores” com o máximo amor, e permitir o espaço para que a alma cumpra a sua missão na Terra. Se a mãe não reconheceu que o seu papel inicial de cuidar de uma criança mudou, ela será sempre atraída para os dramas de um adulto que precisa ser livre para aprender as suas próprias lições na vida. Afinal, este é o propósito da reencarnação – vir tantas vezes quanto for necessário para despertar a alma para a sua natureza divina.
O papel da Mãe Divina na Terra não é fácil. Observar um filho que ela criou, passar por provações muito difíceis, pode certamente partir um coração. Ela ganha força interior, observando, e algumas vezes orientando quando necessário, sem interferir. Uma mãe possessiva, dominadora, não compreendeu o seu papel como guardiã apenas até que o seu filho tenha idade suficiente para cuidar de suas próprias necessidades. Não é uma tarefa fácil, por qualquer meio, e todas as Mães Divinas no Cosmos dão apoio amoroso, sempre, às mulheres da Terra que escolheram este papel. Sintam o seu afeto, o seu amor e os seus braços abertos quando precisarem de apoio de qualquer uma delas. Todas elas têm nomes diferentes, mas todas são ainda Mães Divinas: chame-as pelo nome com que sentirem confortáveis. Elas nunca estão longe. Com o maior amor,
EU SOU Tara Branca.
Canalizadora: Tara Branca


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Carro do futuro pode ser controlado totalmente por computador


Cientistas da Free University de Berlim transformaram em realidade um projeto que vem sendo imaginado há muitos anos. Trata-se de um protótipo de carro autônomo, que dispensa a atuação de motoristas. 
Carro autônomo (Foto: Reprodução)Carro autônomo (Foto: Reprodução)
O veículo, adaptado a partir de um Volkswagen Passat, integra uma série de aparatos tecnológicos, tais como um preciso sistema de navegação via satélite, uma câmera e um scanner laser, por exemplo. De acordo com os desenvolvedores, o sistema consegue reconhecer outros carros na pista, além de, claro, pedestres, construções e árvores a uma distância de até 70 m. Ele é capaz de, inclusive, identificar as diferentes luzes de um sinal de trânsito - e responder corretamente a cada uma delas.
A velocidade de reação do carro é muito maior do que a de pessoas. Tendo em vista que a maioria dos acidentes é causada por erro humano, ter nas ruas veículos inteiramente controlados por computador, em tese, poderia diminuir enormemente o número de vítimas do trânsito. Para os pesquisadores, esse é o primeiro passo para o efetivo desenvolvimento desta nova tecnologia, que deve chegar para o consumidor comum em algumas décadas. 
O carro recebeu neste ano uma permissão especial para circular nas ruas de Berlim. A única exigência foi que, atrás do volante, houvesse um motorista capaz de controlá-lo em situações emergenciais, o que não foi necessário. O teste foi um sucesso. Agora, a intenção da equipe é aperfeiçoar todo o sistema - que, até agora, já custou cerca de US$ 500 mil.
Confira no vídeo abaixo o carro autônomo em funcionamento:
&ampamp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;lt;br /&ampamp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;gt;
Fonte: g1,
20/09/2011 18h36 - Atualizado em 20/09/2011 18h36
Isadora Díaz Da redação
 

domingo, 18 de setembro de 2011

A vida depois de um acidente


ROTINA DE SEQUELAS

A vida depois de um acidente

No próximo feriado de 20 de Setembro, médicos ortopedistas sairão às ruas gaúchas para chamar a atenção da população para a necessidade de reduzir a violência no trânsito e suas consequências – sequelas, muitas vezes permanentes, que os acidentes causam a vítimas e suas famílias

Apenas no primeiro semestre deste ano, 107 mil brasileiros se integraram a um crescente universo de homens, mulheres e crianças que têm suas vidas alteradas para sempre por acidentes de trânsito.

Essa multidão de sobreviventes, que corresponde ao número de pessoas indenizadas por invalidez permanente devido à violência em ruas e estradas do país, abandona sua rotina de lazer, estudo e trabalho para se dedicar a um duro trabalho de reabilitação. Esse cenário levou a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) a programar uma campanha de alerta para este mês.

Os dados mais recentes do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT) indicam que, para cada indenização paga por morte – foram 26,8 mil nos primeiros seis meses do ano –, há outras quatro referentes a lesões permanentes como paraplegia, amputação e outras sequelas. A gravidade dos ferimentos sujeita pessoas como a estudante gaúcha de Direito Mayara Soares Pereira, 24 anos, a se submeter a uma longa batalha para recuperar o que o trânsito levou.

Uma batida ocorrida na noite de 23 de outubro passado a deixou com dificuldade para falar, caminhar e mexer a mão. Ela estava na carona de um Celta dirigido por uma amiga, saindo de um bilhar da Capital, quando uma caminhonete Blazer atingiu em cheio sua porta. A condutora saiu ilesa, mas Mayara permaneceu 18 dias em coma e, atualmente, se submete a sessões de reabilitação e fonoaudiologia na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) da Capital. Além de trancar a faculdade, teve de abandonar o trabalho em um escritório.

– Quem provoca um acidente não sabe o mal que causa na vida de uma pessoa – afirma.

O exército de lesionados nas vias de todo o Estado ajuda a inflar a fila de espera de mais de 3 mil pessoas para conseguir tratamento na AACD gaúcha – que atende 700 crianças e adolescentes e mantém convênio com o SUS para receber 70 adultos com deficiências congênitas ou adquiridas de qualquer forma. Muitas das vítimas sobre rodas estão associadas ao consumo de álcool antes de dirigir, como no caso do motociclista de Sapucaia do Sul Paulo Ricardo Ayres Ferreira, 30 anos. Em fevereiro do ano passado, ele perdeu o controle da moto após ter bebido e lesionou a coluna ao bater contra um poste. Agora, faz fisioterapia dois dias por semana na esperança de voltar a andar.

– Eu sabia que podia me acidentar, mas não ficar em uma cadeira de rodas. Hoje, digo a todo mundo para não cometer o mesmo erro que eu – afirma.

A fim de reduzir as mortes e os ferimentos que o trânsito deixa para toda a vida, a Sociedade de Ortopedia e Traumatologia programou para o dia 20 no Estado (dia 18 em outras capitais) uma campanha que prevê a presença de médicos nas ruas distribuindo folhetos com dados sobre acidentes e dicas de segurança.

– Estamos muito preocupados com as estatísticas. Por isso, esse deverá ser o principal evento da sociedade de ortopedia este ano – diz o presidente da entidade no Estado, Paulo Piccoli.

Cerca de 5 mil folhetos deverão ser distribuídos nas imediações do Parcão. Com isso, os especialistas esperam evitar dramas como o de Mayara, que, além de lutar para recuperar os movimentos, batalha para reconquistar a confiança do filho Gustavo, de apenas quatro anos. Desde que a mãe voltou diferente do hospital para casa, ele não quis mais dormir nos seus braços.

– Ele ainda tem medo de ficar sozinho comigo. É muito difícil, mas sei que aos poucos ele vai se reaproximar de mim – aposta a sobrevivente.

Comerciante mantém fé nas futuras gerações

Quando abriu os olhos sobre um leito de hospital, há dois anos, o comerciante da Capital Eduardo Silveira, 53 anos, recebeu duas notícias contrastantes. A primeira foi “a cirurgia foi um sucesso”. Ainda animado, ouviu a segunda:

– Mas o senhor nunca mais vai caminhar.

O propósito da operação era apenas fazer correções na estrutura da coluna lesionada em uma saída de pista do carro conduzido por Silveira nas proximidades da Usina do Gasômetro. Desde então, o comerciante, aposentado por invalidez, se dedica a uma rotina de fisioterapia e hidroterapia para conseguir um mínimo de independência sobre a cadeira de rodas.

– Deixar de andar é o de menos. Eu não consigo fazer xixi sem sonda, não sei se minhas pernas estão no quente ou no frio.

Apesar disso, Silveira se mostra confiante de que, no futuro, o trânsito será menos brutal. E utiliza como exemplo sua filha, de apenas quatro anos:

– Minha menina já sabe que, no sinal vermelho, a gente deve parar. Acredito muito nessa geração.

marcelo.gonzatto@zerohora.com.br
Fonte: ZH 18/09/11

sábado, 17 de setembro de 2011

Mudar...

A única alegria no mundo é começar. 
É bom viver porque viver é começar sempre, a cada instante.
Cesare Pavese

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Multa por ignorar pedestre será expandida para toda cidade a partir de setembro

Fiscalização começou na segunda (8/8) na região central de São Paulo. CET vai lançar campanha de televisão para educar motoristas e pedestres

A aplicação de multas a motoristas que não param nas faixas de pedestre vai ser expandida para toda a cidade de São Paulo no mês de setembro. O novo cronograma foi informado na segunda-feira (8) pelo secretário municipal dos Transportes, Marcelo Cardinale Branco, durante o evento que marcou o início da fiscalização dessas infrações em 78 cruzamentos do centro e da região da Avenida Paulista.

O secretário acrescenta que haverá um período de "adaptação" a esse modelo de fiscalização. Isso porque, apesar de prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), de 1997, a infração era praticamente ignorada pelos agentes de trânsito. "Nós esperamos que as pessoas se acostumem com essa nova prática. Dentro de um mês ou pouco mais, nós devemos começar a intensificar essa fiscalização nas outras regiões", disse Branco.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também afirma que vai lançar uma campanha de televisão para educar motoristas e pedestres. A aplicação de multas na região central começou na segunda (8), após quase três meses de campanhas educativas - com orientadores de tráfego espalhados pelos cruzamentos.

As multas podem chegar a R$ 191,53 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ao todo, 154 "marronzinhos" começaram a fiscalizar os 78 pontos em escalas alternadas, como as usadas na fiscalização do rodízio. Em um dia pode haver um agente em determinado ponto; no seguinte, ele pode estar em outro. "Não é uma armadilha, mas uma forma de fazer o motorista respeitar as faixas de pedestre e não parar apenas quando tem ‘marronzinho’", disse o diretor de Operações da CET, Eduardo Macabelli. A fiscalização é feita durante todo o dia, em três turnos - reforçada entre 10h e 16h.

Atropelamentos

Vinte atropelamentos foram registrados na segunda em São Paulo até as 19 horas. Pelo menos dois deles ocorreram na área de fiscalização da CET, no Brás e em Santa Cecília. O número ficou acima da média do ano passado, de 19 casos por dia No total, houve 7.007 atropelamentos em 2010, com 630 mortes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Orientações didáticas para o ensino fundamental

A partir de uma visão abrangente acerca do tema, o trânsito pode ser inserido em todas as áreas curriculares, conforme exemplos explicitados a seguir.

6.1 Trânsito na Língua Portuguesa

O estudo da Língua Portuguesa deve criar condições para que os alunos sejam capazes de ler, interpretar e produzir a língua, de modo a compreenderem e serem compreendidos. O domínio da língua está diretamente relacionado à participação social, pois é por meio dela que as pessoas se comunicam, têm acesso às informações, expressam e defendem pontos de vista, partilham ou constroem visões de mundo, produzem conhecimento.

A linguagem verbal possibilita a representação da realidade física e social e, desde o momento em que é aprendida, conserva um vínculo muito estreito com o pensamento. Não se trata apenas da representação e da regulação do pensamento e da ação, próprios e alheios, como também expressa idéias, pensamentos e intenções de diversas naturezas. Desse modo, a linguagem verbal é capaz de influenciar o outro e de estabelecer relações interpessoais anteriormente inexistentes.

Para desenvolver a oralidade, a escola deve criar situações que gerem o debate, provocando a manifestação de idéias, pensamentos, sentimentos, opiniões, julgamentos.

No caso do trânsito, uma gama de assuntos pode ser trazida a debate: questões relacionadas ao comportamento de pedestres, condutores, ciclistas, motociclistas; conseqüências do uso de álcool no trânsito; importância das relações estabelecidas no espaço público; necessidade de uso de equipamentos de segurança, etc.

O ensino da língua não pode estar limitado a um tipo de texto. É fundamental que os alunos tenham acesso às diferentes formas de expressão escrita, coletadas em diversas fontes: livros, jornais, revistas, panfletos, folhetos, dicionários, enciclopédias, guias, gibis, etc. O trânsito pode ser trabalhado, especialmente, a partir da leitura, análise e interpretação de textos jornalísticos, pois é bastante comum encontrar nos jornais matérias sobre o assunto. No entanto, folhetos educativos, livros paradidáticos e de literatura, crônicas, quadrinhos, entre tantos outros recursos podem suscitar debates e reflexões.

Os alunos também devem ser incentivados a produzir textos: registrar por escrito as observações do trânsito de sua cidade, elaborando descrições subjetivas, propiciando a seqüencialização das imagens visuais no processo da escrita. A produção de panfletos, de cartazes e de outros materiais de trânsito, também promove a criatividade escrita:criar slogans ou frases sobre os conhecimentos adquiridos estimula a troca de idéias entre o grupo. Distribuir as produções realizadas aos demais alunos da escola e à comunidade é uma forma de estabelecer relações sociais.

6.2 Trânsito na Matemática

De acordo com os PCN:

Um currículo de Matemática deve procurar contribuir, de um lado, para a valorização da pluralidade sociocultural, impedindo o processo de submissão no confronto com outras culturas; de outro, criar condições para que o aluno transcenda um modo de vida restrito a um determinado espaço social e se torne ativo na transformação de seu ambiente. A compreensão e a tomada de decisões diante de questões políticas e sociais também dependem da leitura e interpretação de informações complexas, muitas vezes contraditórias, que incluem dados estatísticos e índices divulgados pelos meios de comunicação. Ou seja, para exercer a cidadania, é necessário saber calcular, medir, raciocinar, argumentar, tratar informações estatisticamente, etc.

Esta abordagem faz pensar na Matemática como instrumento indissociável da vida cotidiana de todas as pessoas: comprar, pagar, receber. Por isso, a importância de ser explorada por meio de diferentes linguagens matemáticas: gráficos, tabelas, esquemas.

O trânsito pode ser inserido na Matemática a partir de dados numéricos, representados em tabelas ou gráficos, relacionados à frota veicular, ao número de acidentes, ao número de vítimas fatais e não-fatais, à densidade demográfica, à extensão territorial, entre outros indicadores.

Estudar e debater sobre o número de acidentes; estabelecer relações entre o aumento populacional e o aumento da frota veicular; pesquisar as causas das mortes em acidentes de trânsito; identificar a faixa etária das vítimas do trânsito; identificar os veículos que mais se envolvem em acidentes, entre outras atividades, produzirá aprendizagens significativas sobre o tema. A elaboração e o levantamento de dados também podem sugerir a construção de gráficos, de tabelas, de esquemas, incentivando a produção de linguagens matemáticas.

A resolução de problemas também pode partir de situações ocorridas no trânsito.

Assim, os alunos poderão calcular valores atribuídos a multas, pontuações referentes às infrações cometidas, etc.

Entretanto, o mais importante é analisar e refletir os dados coletados e as informações obtidas, oportunizando o debate e a manifestação de opiniões a respeito do tema, pois não basta apenas calcular índices, produzir gráficos e tabelas ou, ainda, efetuar operações matemáticas, sem emitir julgamentos sobre as situações abordadas em sala de aula.

6.3 Trânsito na História

A História deve promover o estudo das obras humanas, do presente e do passado, a fim de que os alunos desenvolvam noções de diferença e semelhança, de continuidade e permanência, no tempo e no espaço, para a formação de sua identidade social. É o saber histórico, acumulado durante muitas gerações, que propicia a produção de novos saberes, transformando e definindo o presente.

O trânsito, compreendido como processo histórico, pode ser trabalhado como objeto de conhecimento em diversos conteúdos. Reconstruir a história da cidade, a partir de pesquisas com pessoas mais velhas da comunidade, de fotos, de visitas a museus pode ser uma atividade interessante para estabelecer relações entre o trânsito do passado e do presente.

A pesquisa sobre a evolução dos meios de transporte e de transporte coletivo conduzirá à análise dos aspectos sociais envolvidos neste processo histórico: meio de transporte como necessidade e como bem de consumo.

Estabelecer relações entre os antigos e o atual Código de Trânsito Brasileiro, contextualizando-os com o momento social e político em que foram aprovados é, também, uma forma de inserir o tema nesta área curricular. Para abordar os conteúdos, o a utilização de imagens (fotos, desenhos, figuras), de vídeos, de livros e demais fontes visuais é importante, uma vez que são recursos indispensáveis para a compreensão dos diferentes cenários que se apresentaram no decorrer dos tempos.

A História oferece inúmeras possibilidades de incluir o tema trânsito ao abordar seus conteúdos, pois seu objetivo maior deve reforçar a visão de que são os homens e as mulheres os sujeitos históricos responsáveis pela construção da realidade.

6.4 Trânsito na Geografia

Atualmente, a Geografia ocupa lugar de destaque na escola, sendo reconhecida como a ciência do espaço. Compreendendo que o espaço geográfico não se limita aos aspectos visíveis nas paisagens, o estudo da Geografia transcende ao nível das aparências e mergulha nas manifestações físicas das sociedades que se desenvolvem nas diferentes paisagens.

É possível afirmar que é a dinâmica social que determina as características das paisagens que são observadas e não o contrário. Isto porque as necessidades das pessoas não são sempre as mesmas em todos os lugares e em todos os tempos. E, dependendo de suas necessidades, as pessoas constroem, por meio de seu trabalho, os lugares. O trabalho humano, nos diversos momentos históricos, é o fator determinante da diferença entre as paisagens e da construção do espaço geográfico.

O enfoque da Geografia recai, portanto, sobre as ações das pessoas (individuais ou coletivas) no espaço e no tempo e as conseqüências destas ações tanto para si próprio quanto para a sociedade.

Assim compreendida, a Geografia tem grande compatibilidade com o tema Trânsito, pois por meio do estudo do espaço geográfico e de suas paisagens, torna-se analisar o fenômeno da urbanização e, conseqüentemente, a problemática que envolve o trânsito, por exemplo. Além disso, o trânsito está estreitamente relacionado ao espaço da produção industrial (bens de produção, bens de consumo), importante aspecto a ser estudado.

Por isso, o tema trânsito pode ser inserido a partir da análise de textos, imagens, filmes e outros recursos educativos que promovam a descrição (verbal ou escrita) de diferentes paisagens; o debate sobre as possíveis relações existentes entre diferentes lugares, com diferentes paisagens; a pesquisa sobre migrações internas e sua relação com o trânsito; as relações sociais que se estabelecem no espaço público de diferentes lugares.

6.5 Trânsito nas Ciências Naturais

O estudo da natureza e do ser humano; do ser humano transformando a natureza; da natureza transformando as ações humanas; da relação entre a ciência e a tecnologia; entre a ciência e a sociedade. São estes os principais eixos condutores às Ciências Naturais que têm como palavras-chaves: ambiente, pessoa, tecnologia.

A inclusão do tema trânsito nas Ciências Naturais propiciará pesquisas, análises, debates e produções relacionadas a questões ambientais: poluição atmosférica provocada pelos veículos automotores, poluição sonora existente nos centros urbanos, poluição visual provocada pela imensa quantidade de anúncios, outdoors, pichações espalhadas pelas cidades. O que os governos municipais, estaduais e federal têm feito para reduzir o nível de poluição nas cidades; quais as atribuições do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama); quais as consequências ambientais provocadas por veículos automotores mal conservados. Estes são apenas alguns questionamentos que podem gerar importantes discussões sobre o trânsito.

Quanto ao aspecto tecnológico, é possível analisar o avanço dos equipamentos de segurança, de sinalização e de fiscalização de trânsito, especialmente, nos últimos anos.

A tecnologia tem sido aliada ao trânsito, uma vez que atualmente existem sistemas interligando todos os Departamentos Estaduais de Trânsito. A implantação do sistema de Registro Nacional de Carteiras de Habilitação (Renach) que visa integrar as informações sobre cidadãos, condutores em todo o território nacional; do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam), que tem como objetivo integrar as informações sobre todos os veículos da frota nacional e do Registro Nacional de Infrações Interestaduais (Renainf) também podem ser fonte de discussões sobre a era tecnológica do trânsito.

Ao ser inserido na área de Ciências Naturais, o tema trânsito favorecerá a integração dos alunos ao ambiente e à cultura, oportunizando ações de respeito e de preservação ao espaço público.

6.6 Trânsito na Educação Física

O objetivo da escola com relação à Educação Física não deve se pautar na formação de profissionais do esporte, mas no desenvolvimento das potencialidades corporais de cada aluno por meio de diversas atividades corporais e lúdicas.

Por isso, os jogos, a dança, a ginástica e os esportes devem ser tratados como instrumentos de comunicação, expressão, lazer e cultura para que os alunos reconheçam e explorem novas possibilidades corporais.

Esta área desempenha papel importante no desenvolvimento mental das crianças e por isso não precisa, necessariamente, restringir-se a exercícios físicos. Por meio de atividades lúdicas e outras estratégias que viabilizem a representação corporal, os professores terão possibilidade de conhecer com maior profundidade e descobrir as necessidades de seus alunos.

As aulas de Educação Física devem promover, também, a participação integral de todos os alunos nas atividades propostas para que sejam capazes de superar seus próprios limites, sem competições negativas ou conflitos com o grupo.

O tema trânsito pode ser inserido nas aulas de Educação Física com a finalidade de trabalhar lateralidade e espaço, imprescindíveis à locomoção. Podem ser promovidas atividades corporais de deslocamento que solicitem o domínio das noções esquerda, direita, para frente, para trás. Questões como brincar em locais perigosos, próximos às vias ou em saídas de garagens também podem ser debatidas durante as aulas de Educação Física, assim como o uso de equipamentos de segurança para andar de bicicleta.

6.7 Trânsito na Arte

O estudo da Arte desenvolve a percepção, a reflexão, a imaginação, a criatividade. Para aprender Arte é preciso conviver com as diferentes linguagens artísticas: pintura, escultura, música, teatro, dança. Conhecer as produções artísticas de diferentes épocas e culturas amplia os horizontes das pessoas; expande seu mundo interior. Por isso, o ensino da Arte deve estar fundamentado em dois relevantes aspectos: o acesso à arte e a possibilidade de manifestar-se artisticamente.

O tema trânsito pode ser perfeitamente inserido na Arte a partir de diversas atividades: produções de peças teatrais, desenhos, pinturas e esculturas relacionadas ao tema; visitas a museus que contam histórias sobre a evolução dos meios de transporte, por exemplo; passeios ao setor histórico da cidade; acesso a pinturas e esculturas que retratam cenas relacionadas ao trânsito em diferentes épocas.

Por meio do acesso à arte os alunos poderão produzir arte e terão condições de perceber sua realidade cotidiana mais vivamente, reconhecendo objetos e formas que estão à sua volta, no exercício de uma observação crítica do que existe na sua cultura, podendo criar condições para uma qualidade de vida melhor, inclusive no trânsito.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O que cada um de nós faz para melhorar????

O que cada um de nós faz para melhorar este país???
Atitude precisamos ter!!!!! Coragem e fazer deste país um lugar melhor para se viver!!!
Blogagem coletiva.

sábado, 3 de setembro de 2011

Para especialistas em trânsito, mudança não virá a curto prazo

Psicóloga diz que campanha da CET é ineficaz. Diretores de educação no trânsito explicam como é desafiador mudar os hábitos da população

Mudar hábitos de pedestres e condutores tem sido um desafio para a cidade de São Paulo. Diante dos alarmantes índices de mortalidade no trânsito, com 19 pessoas atropeladas por dia e 630 mortes no último ano, segundo dados da Companhia de Engenharia e Tráfego (CET), a prefeitura colocou em prática a campanha de respeito à faixa de pedestres. A partir disso, o iG ouviu especialistas e foi em busca de cidades em que o pedestre é respeitado - graças a programas educacionais ou intensa fiscalização.

A psicóloga e neuropsicanalista, Eliana Nogueira do Vale, explica que o primeiro passo de uma campanha efetiva, que envolva mudança da população, é colocar as partes envolvidas em um cenário positivo. “É necessário mostrar aos pedestres e condutores como eles são importantes para fazer o ambiente funcionar.

Buscar uma convivência melhor entre as partes é algo necessário, explica Eliana. Porém, o tempo que isso pode levar precisa ser considerado. “O processo de reeducação, exige uma modificação mental com uma reprogramação do cérebro para a criação de uma nova memória”. Isso demanda tempo e pode variar para cada ser humano. “Depois de uma ação ser repetida várias vezes, se torna mais fácil até virar um hábito”, conta.

Para Eliana,a ataula campanha da CET,é “ineficaz e não produzirá resultados a médio prazo”. Muitos ensinamentos que aprendemos são por imitação e pressão social. Diante disso, a campanha necessita ter maior impacto local. Já na segunda fase do programa, a CET atua em 1% da cidade – nas consideradas Zonas de Máxima Proteção ao Pedestre.

“Não dá para prever quando a massa irá aderir novas atitudes, seja de forma repressiva ou não. Com o correto investimento, será desenvolvida a consciência com ‘C’ maiúsculo”, brinca. E foi exatamente o que aconteceu na cidade de Brasília, no Distrito Federal, segundo o professor da Universidade de Brasília (UnB) e presidente do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito (IST), David Duarte Lima.

“Ficou entendido que o uso correto da faixa de pedestre tem ligação direta com a qualidade de vida e segurança. Independentemente de ordem de governo ou polícia. Isso é bom para todos”. Segundo o professor, o ponto mais interessante foi como a população incorporou a campanha. “A partir do momento que você desce do carro, passa da condição de motorista para pedestre. Todos nós somos os dois personagens em algum momento”, diz.

Lima explica que a fiscalização com aplicações de multas é necessária, porém possui efeito rápido. “O caminho educativo é um processo longo, mas com efeitos mais duradouros”. Concordando com a psicóloga Eliana, o professor ressalta que com o hábito a própria pessoa passa a se fiscalizar. “Cada um é o seu próprio agente de trânsito”, conclui.

O ponto interessante ao comparar São Paulo com outras cidades é perceber que, segundo autoridades de trânsito, tanto Brasília como São José dos Pinhais, cidade da região metropolitana de Curitiba, apresentam baixos índices de mortalidade no trânsito pelo “constante monitoramento das condições de tráfego”.

Há 14 anos contra o desrespeito

Com uma frota de 1 milhão e meio de veículos, a capital federal não conhece o termo “furar o semáforo”. "O respeito é total. Não conhecemos o termo, nem temos o conhecimento de alguma ocorrência por esse motivo”, conta o diretor de Educação de Trânsito do Detran do Distrito Federal, Marcelo Granja.

No período de 2010, a capital federal registrou sete mortes de pedestres. Em São Paulo, no mesmo período foram conhecidas 630 Tal diferença é explicada pelo período de atuação das campanhas de educação no trânsito. Brasília é considerada uma das cidades mais seguras para os pedestres no País – com o registro de 77 mortes nas faixas em 14 anos.

Segundo o diretor, em 1992 foram realizadas as primeiras intervenções educacionais, como teatros lúdicos para crianças do ensino fundamental. “Foi uma ação pioneira no País”. Para ele, o diferencial do Estado é o tratamento dado à criança. “Não as tratamos como futuros condutores. Elas são pedestres, ciclistas e passageiros”. No ano seguinte, com a implantação da Escola Pública de Trânsito, todos os futuros motoristas foram obrigados a passar por um treinamento de 30 horas.

Já em 1997, diante de altos índices de acidentes, Brasília protagonizou uma forte campanha chamada “Paz no Trânsito”, liderada pelo jornal Correio Braziliense. O movimento foi marcado por uma passeata de 25 mil pessoas pelas ruas da cidade. Com isso, o então governador, Cristovam Buarque, instalou os pardais, radares de velocidade eletrônicos, e iniciou oficialmente o programa de respeito à faixa de pedestres – contando com dois policiais em cada faixa da cidade.

Nesse tempo houve clamor da sociedade por uma melhor qualidade de vida”, explica Granja. Já no primeiro mês da campanha, em abril de 1997, o gesto conhecido como "Sinal de Vida" foi implantado. Através de um sinal com o braço com a palma da mão em direção ao veículo, o pedestre poderia alertar o motorista de sua intenção de atravessar. Granja garante que tal ação foi determinante para alcançar o respeito aos pedestres nas vias onde não há semáforo na capital federal.

Após recente pesquisa, foi computado que apenas 20% dos motoristas não respeitam à faixa de pedestres não semaforizada. Em São Paulo, esse índice alcança os 86%.Para o diretor, é evidente que a diferença na quantidade de veículos que circulam influencia os números de ambas as cidades. Porém, a questão “vai além das estatísticas, aqui todos são iguais perante o trânsito", ressaltou.

Para concretizar e consolidar os números otimistas da campanha, Granja salienta a necessidade da aplicação de multas. Ele conta que, na época, houve certa indiferença da população em relação às autuações. “Eles não acreditavam que seriam autuados. O jeito foi contar com a imprensa para uma melhor divulgação da campanha. A intenção não era pegar ninguém no susto, eles precisavam entender o que estava errado”. Jornais locais realizaram uma contagem regressiva 30 dias antes do início das multas, no dia 1 de abril de 1997. Em um ano de campanha, o índice de atropelamentos caiu 39%.

Destaque no Paraná

Pela estatística, a capital federal perde para a cidade de São José dos Pinhais, no Paraná, com quatro mortes durante o período de 2010. No Estado, a cidade possui a 6ª maior frota de veículos, alcançando os 133 mil, e é considerada a 6ª mais populosa com 254 mil habitantes.

A diretoria do Departamento de Trânsito da cidade atribuiu ao setor de engenharia de tráfego os números otimistas da temporada. Segundo o diretor do Departamento de Trânsito em exercício, Adriano Zordan, o trabalho com as crianças do ensino fundamentos das escolas públicas e particulares tem sido fundamental para a contínua redução dos números de mortes.

Desde 2005, várias ações foram implantadas na cidade, como nova sinalização, pinturas de faixas, instalação de radares eletrônicos e vias que possuíam duplo sentido foram transformadas em sentido único. “Começamos dentro das salas de aula, com palestras e teatros sobre segurança nas vias. Depois priorizamos as entradas e saídas da escola”.

Após pesquisa, foi constatado que o maior número de atropelamentos acontecia antes e após a saída das crianças do colégio. “As blitz educativas são intensas nos últimos anos principalmente nesta nova gestão da prefeitura”, conta.

Durante quatro anos, a cidade esperou. “Apenas em 2009, notamos diferença nas condutas do motorista. Para toda mudança, existe o tempo necessário para se processar novos hábitos”. E, segundo ele, o trabalho não acabou. A cidade recebe mil novos veículos por mês em sua frota. “Há a estimativa que os índices continuarão caindo. O nosso desafio é manter a frota controlada e continuar educando os novos motoristas.

Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/

Carolina Garcia, iG São Paulo | 02/07/2011 07:00

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Mesmo com duplicação, BR-101 mantém alto número de acidentes e mortes no RS

Em sete meses de 2011, já são 326 acidentes no trecho entre Osório e Torres

Mesmo com a duplicação concluída, a BR-101 mantém o alto número de acidentes e mortes no litoral norte do Estado. A obra foi inaugurada no final de 2010, após seis anos de trabalhos.

Além de facilitar o trânsito até Santa Catarina, outro objetivo era acabar com a fama da "Estrada da Morte". Em sete meses de 2011, já são 326 acidentes, 164 feridos e 11 mortos no trecho entre Osório e Torres.

De 2000 a 2004, antes do início das obras, a média anual foi de 348 acidentes, 163 feridos e 20 mortes. Até dezembro, a violência em 2011 deve superar esta média.

O chefe da comunicação da Polícia Rodoviária Federal, inspetor Alessandro Castro, cita o aumento do fluxo de veículos e a alta velocidade como principais fatores para o alto número de acidentes.

Antes das obras, o fluxo no inverno era de seis mil carros por dia. Em julho deste ano, a movimentação ultrapassou a marca de 15 mil carros diariamente.

Desde 2000, 209 pessoas morreram e mais de 2 mil ficaram feridas em acidentes no trecho gaúcho da BR-101.

Fonte: RÁDIO GAÚCHA,
Trânsito |
31/08/2011 | 08h46min

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Por Vias Seguras Responsabilidade no trânsito Artigo de Marisa Dreys, Inspetora da Polícia Rodoviária Federa

Responsabilidade no trânsito

Artigo de Marisa Dreys, Inspetora da Polícia Rodoviária Federal, publicado para a Série Rostos e Histórias por trás dos números, no Blog do AMIGO DO TRÂNSITO

Ao ler a série “Rostos e Histórias por trás dos números frios dos acidentes de trânsito”, lembrei de muitas ocorrências que presencio no meu dia-a-dia como policial.

A frieza dos números dos acidentes começa com a naturalização do acidente de trânsito. Muitos motoristas o encaram como “natural”. Acidente de trânsito não tem nada de natural. Pode ser comum, mas não “natural”. Acidentes de trânsito são evitáveis em 99% dos casos e acontecem na maior parte das vezes por falha humana, entre as quais imprudência, imperícia ou negligência do motorista.

A idéia de “normalidade” dos acidentes de trânsito vem da percepção do senso comum de que em uma cidade grande “acidentes acontecem mesmo”, e que se não houve vítimas e tudo aconteceu por uma simples falta de atenção, “está tudo bem” e segue-se a vida registrando cada vez mais boletins de ocorrência. Tudo muito simples.

O problema é que não é assim. Todo acidente de trânsito merece ser pensado e discutido, tanto pelos envolvidos quanto pelas autoridades. Um acidente sem vítima não pode ser encarado como “sem gravidade”. Afinal, mesmo se um acidente não gerou vítimas por um ou outro fator, aconteceu o acidente, e dele poderiam sair pessoas vitimadas não fosse obra da sorte, vez que os resultados de um acidente não são previsíveis.

O que percebo, ao atender várias ocorrências de acidentes, é que os motoristas não demonstram nenhuma preocupação em refletir sobre as causas dos acidentes em que se envolveram. Ou melhor, na maioria das vezes, já chegam com um culpado de plantão: o ”outro”. Entre os policiais, costumamos dizer que este “outro”, se existisse, já estaria respondendo a um sem-número de processos e pobre-de-marré de tanto pagar indenizações.

Mas, será que este “outro’ é assim tão culpado? Quem será este “outro”?

O “outro” é sempre aquele que exime um motorista da culpa pelo acidente. Pode ser um “carro que me fechou”, “um carro que parou de repente e eu desviei” ou mesmo o próprio trânsito em si. O “outro”, nos casos mais revoltantes, pode ser a própria vítima, que segundo os relatos, “me fechou e eu bati”, “atravessou na minha frente e eu atropelei”, “estava muito devagar e me fez ultrapassá-la”, entre outras possibilidades. O outro é sempre alguém que não sou “eu”.

É na frieza dos números de acidentes e vítimas no trânsito que estão estes “outros”. São as vítimas da imprudência, da imperícia e da negligência dos milhares de “eus” que dirigem sem responsabilidade. Que bebem “um pouco” e se acham capazes de dirigir, colocando a vida dos outros em risco; que não respeitam sinais de trânsito; que excedem a velocidade; que ignoram que cada “outro” tem um rosto, uma família e uma história triste para deixar.

Muitos motoristas ainda não perceberam que a distância entre ser o “outro” ou ser o “eu” é apenas circunstancial. A luta por um trânsito mais organizado e pelo direito de ir e vir com segurança passa pela conscientização de que os “outros” somos “nós” e de que o rosto e a história envolvidos nos acidentes também são nosso rosto e nossa história.

Como policial, apesar de todo o esforço de fiscalização, considero que faço parte desta triste cadeia de acontecimentos, quando algumas vítimas, ainda dentro das ambulâncias dos serviços públicos, nos pedem para avisar seus parentes ou quando somos obrigados a informar a morte de alguém em razão de acidente.

É neste momento que podemos ouvir a voz do “outro”; daquele que até então não tinha rosto ou identidade mencionado nos relatos dos irresponsáveis causadores dos acidentes, mas que tem um pai ou mãe, ou marido, ou filhos, chorando no telefone, nos implorando por lhes dar mais detalhes e mais informações que lhes possam reconfortar um pouco. E muitas vezes, nós não temos essas informações e nem podemos dar o reconforto pedido.

Que missão difícil é dar uma notícia a um pai do falecimento de seu filho. Entregar a ele objetos pessoais encontrados no veículo: camisetas de festas, CDs, livros que um dia fizeram parte de momentos alegres, hoje embalados em um saco fechado. Muitos policiais, nem conseguem cumprir esta etapa e pedem ajuda a outros colegas.

A sensação é um misto de impotência, culpa e solidariedade humana que nos dá vontade de chorar junto com pais, mães e familiares. E seguramos esta vontade de chorar porque é preciso ajudar a família, dar orientações, tomar providências burocráticas e administrativas que, se por um lado são necessárias, não trarão de volta a vida do ente querido.

E depois que tudo termina a família vai para casa. O plantão continua com outras ocorrências. Na minha cabeça, porém, permanecem os rostos de olhos tristes e molhados de cada uma daquelas pessoas, como gritos silenciosos de socorro, como dores que poderiam ter sido evitadas, como vidas que poderiam ter sido preservadas.

Marisa Dreys Inspetora da Polícia Rodoviária Federal.

Fonte:http://www.vias-seguras.com/comportamentos/conscientizacao/os_outros_somos_nos

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sábado, 27 de agosto de 2011

Para refletir!!!!

Ninguém sabe aquilo que é capaz de fazer antes de ter tentado.
Públio Sirio

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Meu filho, você não merece nada

Meu filho, você não merece nada

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada
Eliane Brum

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações.

Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras).
ELIANE BRUM - Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).


domingo, 21 de agosto de 2011

Trânsito menos violento no RS

Divulgado dia 15/08/11, um levantamento feito pelo Departamento Estadual de Trrânsito indica que ações de conscientização e de fiscalização podem estar contribuindo na redução de mortes nas ruas e estradas gaúchas. O número de vítimas fatais no trânsito diminuiu quase 11% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2010. O índice é ainda mais expressivo se for levado em consideração o crescimento de 6,6% na frota de veículos no ano passado

O trânsito gaúcho foi menos violento no primeiro semestre de 2011. O número de mortos em acidentes diminuiu 10,8% em comparação com o mesmo período de 2010. Mais representativa se confrontada com o aumento da frota no Estado, que teve um incremento de 6,6% no ano passado, a redução da carnificina em ruas, avenidas e estradas do Rio Grande do Sul é atribuída pelas autoridades a uma união entre o aumento da conscientização dos motoristas e o recrudescimento da fiscalização.

Os dados apresentados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) na tarde de ontem apontam que 93 vidas foram poupadas: são 770 mortes de janeiro a junho, em relação a 863 nos mesmos meses do ano passado. Os acidentes fatais também diminuíram, caindo de 745 para 692. Ainda que seja preciso levar em conta que o número de vítimas pode ser maior do que esse total – são contabilizados apenas os mortos no local do acidente, sem considerar óbitos em hospitais –, o governador Tarso Genro celebrou a diminuição, ressaltando a necessidade de ações efetivas para conter as mazelas do trânsito.

– A comunidade está pedindo para compartilhar com o poder público campanhas para esse setor. Os Estados que aplicaram com vigor as normas do Código de Trânsito Brasileiro e da lei que coíbe a alcoolemia estão reduzindo as mortes – disse o governador, durante entrevista no Palácio Piratini.

Apesar de afirmar não ter condições de apontar razões diretas para a redução, o presidente do Detran, Alessandro Barcellos, põe o resultado na conta de ações como a Operação Balada Segura – que combate a perigosa combinação de álcool e direção nas madrugadas dos finais de semana – a melhora no índice. A mobilização dos gaúchos em torno do tema e a atuação de entidades civis de combate à violência no trânsito também estão entre os motivos apontados para a mudança nas estatísticas.

– Isso mostra que temos um caminho a ser trilhado. Nossa meta é chegar a uma redução acima de 50%. A impressão, pelos números, é de que estamos em uma crescente de conscientização social – afirmou o diretor da autarquia.

Medida considerada polêmica à época da implementação, o uso de policiais militares para a entrega da notificação da suspensão da carteira de motorista também parece ter surtido efeito. Dados preliminares do Detran dão conta de que a maior parte dos condutores envolvidos no processo já entregou a habilitação.

Conforme os dados do Detran, o perfil da vítima mais frequente dos acidentes é o de um homem com mais de 60 anos – os jovens entre 18 e 24 anos aparecem em segundo lugar. Apesar de a frota de motos ser menor, o índice de condutores de veículos e motociclistas mortos é quase o Justificarmesmo – 26% e 24%, respectivamente –, e a maior parte das ocorrências acontece nas noites dos finais de semana. Entre as vítimas, chama a atenção que mais da metade pertença ao grupo dos chamados usuários vulneráveis: motociclistas, ciclistas e pedestres.

Ações focadas em pedestres idosos

Espécie de menina dos olhos dos responsáveis pelo órgão de fiscalização do trânsito gaúcho, a Balada Segura deve chegar a outras regiões do Rio Grande do Sul nos próximos meses. A ideia é, além de estender gradativamente as abordagens para os outros dias da semana, encaminhar um projeto de lei à Assembleia Legislativa para transformar a iniciativa em projeto estadual a partir de convênios firmados com municípios. No verão, as blitze deverão ser presença constantes nas madrugadas das praias gaúchas.

Para o segundo semestre, estão previstas ações de conscientização para os idosos pedestres – dos 161 pedestres mortos em atropelamentos, as vítimas da terceira idade concentram quase 40% das mortes – pelo uso do cinto de segurança no banco traseiro dos veículos e cursos para aperfeiçoamento e reciclagem de motociclistas. Conforme Barcellos, há um clamor social para que tragédias responsáveis pela destruição de famílias inteiras sejam estancadas:

– A ideia é aumentar progressivamente a fiscalização, a presença do poder público. Não existe mais espaço para que a população não se sinta fiscalizada.

francisco.amorim@zerohora.com.br

pedro.moreira@zerohora.com.br

FRANCISCO AMORIM E PEDRO MOREIRA
As razões
- Neste ano se intensificaram campanhas educativas e blitze conjuntas, organizadas e executadas por instituições ligadas ao trânsito, como o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), com apoio das polícias Civil e Militar.
FISCALIZAÇÃO
- Testada nos primeiros meses do ano na Capital, a Operação Balada Segura é a principal ação de combate ao uso de álcool ao volante organizada no Estado. Realizadas nas noites dos finais de semana, as blitze são montadas em áreas boêmias da cidade ou em seus acessos. A ação deve ser estendida gradualmente ao Interior nos próximos meses e também poderá ter edição especial durante o veraneio. Nas estradas, a Brigada Militar têm intensificado barreiras com uso de bafômetros.
ESTATÍSTICAS
- A compilação de dados estatísticos – com perfil das vítimas, locais dos acidentes, tipos de veículos envolvidos e horários e dias de incidência – tem norteado a fiscalização e as campanhas educativas no Estado.
CAMPANHAS SEGMENTADAS
- EPTC e Detran têm investido em nichos. Além de ações pontuais em datas específicas, as campanhas têm abordado também a conduta de pedestres e motociclistas.

Fonte: Zero Hora

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Atingidos na faixa, pedestres relatam trauma e anos de luta por recuperação

'Qualquer barulho de carro freando, começo a chorar', diz vítima em SP.

Casos de mortes em SP ganharam repercussão nos últimos meses

Desde junho, a cuidadora de idosos Elizabete de Souza Cordeiro, de 38 anos, não consegue caminhar tranquila pelas ruas de São Paulo. Há dois meses, ela foi atropelada enquanto atravessava uma rua de Higienópolis, na região central, com a mulher de 91 anos que acompanhava. Elizabete se recorda, com muita tristeza, da última frase que disse à idosa, que morreu no dia seguinte ao acidente. “Ela queria atravessar fora da faixa, eu não deixei, e disse: ‘Por causa de um minuto, a gente pode perder a vida’.”

Atropelamentos não são raros em São Paulo. Na primeira semana do mês, os bombeiros registraram 713 atropelamentos na capital paulista. Na segunda-feira (15), um bebê foi morto por um motorista. Ele engatinhava na calçada quando a mãe se distraiu e ele foi para a rua. No fim de semana, uma professora aposentada da PUC-SP também morreu após ser atingida no bairro Santa Cecília, na região central. No mês passado, em outro ponto da cidade, na Vila Madalena, um administrador de 24 anos foi morto por um jipe blindado.

A falta de respeito ao pedestre levou a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) a promover uma campanha e intensificar a fiscalização. Em uma semana, foram aplicadas mais de 2 mil multas por desrespeito aos que caminham pelas vias da cidade. Assim como Elizabete, muitos pedestres foram atropelados apesar de estarem na faixa reservada a eles. O G1 ouviu a história de três vítimas que ainda se recuperam dos problemas físicos e psicológicos que o atropelamento lhes causou.

A cuidadora de idosos conta como o atropelamento refletiu em sua vida. “Estou tão traumatizada que, quando estou atravessando a rua, qualquer barulho de carro freando eu paraliso e começo a chorar. É uma sensação horrível”, descreve. Ela levava a idosa para visitar o marido de 98 anos no hospital quando ocorreu o atropelamento. A motorista saiu do estacionamento do hospital e atingiu as duas na faixa. “Eu não cheguei a desmaiar, mas fiquei caída no chão”, lembra. “Não quebrei nada, fiquei com bastante hematoma, mas o pior mesmo é esse sentimento, o psicológico.”

O presidente da Associação Brasileira de Pedestres (Abraspe), Eduardo Daros, acredita que distração e falta de educação são fatores importantes para os atropelamentos. “Hoje nós vivemos no mundo com muitas distrações. Os atropelamentos são imperícias e imprudências de pedestres e motoristas. O pedestre, para se proteger, tem que obedecer a sinalização, mas não cegamente, não ingenuamente. Ele tem que olhar para a esquerda, para a direita e continuar com as mesmas precauções de antes de os motoristas serem multados”, diz.

A especialista em remuneração Juliana Monguilod Figueira, de 30 anos, tomou todas as precauções, olhou para os lados, mas mesmo assim foi atropelada há um ano em uma faixa de pedestres que fica no cruzamento das avenidas Dom Pedro I e Ricardo Jafet. O motorista fez a conversão sem sinalizar com a seta. A faixa de pedestres estava um pouco apagada quando o acidente aconteceu e praticamente desapareceu um ano depois. Ela fraturou a tíbia e a fíbula e chegou a ficar cinco meses sem andar.

Juliana conta que o carro estava devagar, mesmo assim ela subiu no capô, bateu no vidro e caiu no chão. “Meu acidente não foi nada e estou há um ano tratando. Se as pessoas soubessem as consequências que pode ter [um atropelamento]. É um transtorno”, diz. Ela é filha do consultor de engenharia de tráfego Horácio Figueira, que há muitos anos luta pelos direitos do pedestre. “Ela é mais uma na estatística. Eu defendo pedestre há 30 anos, é uma coisa de missão. Eu defendo pedestre desde que era moleque, perdi um irmão atropelado”, conta Figueira.

Questionada sobre a faixa apagada, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) diz que “realizou vistoria no cruzamento das avenidas Dom Pedro I e Ricardo Jafet, constatando que a sinalização horizontal do local encontra-se desgastada, motivo pelo qual está sendo elaborado projeto de manutenção de sinalização prevendo a repintura das faixas de pedestre". A implantação do projeto ocorrerá segundo "cronograma de serviços da empresa.

Tratamento
A estudante Paloma Regina de Almeida Silva, de 18 anos, e a dona de casa Cristina de Almeida Silva, de 35 anos, comemoram os resultados de um tratamento que começou há quase oito anos. Em outubro de 2003, Paloma e dois primos foram atropelados em uma faixa de pedestres na Avenida Paes de Barros, na Zona Leste de São Paulo.

A motorista que atropelou, segundo a mãe, era uma jovem de 25 anos que justificou o acidente dizendo que estava atrasada para a faculdade. Os três atravessavam na faixa quando o semáforo abriu para os carros. Todos os veículos permaneceram parados, mas um automóvel cortou pelo corredor de ônibus e atingiu os primos. O menino de 11 anos teve um ferimento na barriga e a outra prima, de 32 anos, quebrou a perna.

Paloma teve traumatismo craniano, ficou 20 dias em coma, um mês na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e três meses no hospital. A jovem ficou com sequelas na fala, no equilíbrio e na coordenação motora. Ela chegou a passar quase dois anos sem falar e precisou de uma cadeira de rodas para se locomover. Desde 2004, a estudante é paciente da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e, hoje, consegue se comunicar e caminhar. “Foi muito difícil para mim. Com a ajuda de uma fonoaudióloga, eu consegui voltar a falar aos poucos”, conta Paloma.

A dona de casa chegou ao local do acidente antes do resgate e lembra que encontrou a filha desacordada e sangrando muito. “É como se o mundo parasse. Você não escuta a voz de ninguém e só quer que alguém saia e diga que está tudo bem”, lembra. Cristina conta sobre os anos de luta, mas não demonstra qualquer revolta. “Naquele momento, eu poderia não ter mais ela. Mas, como Deus nos deu uma segunda chance, vamos aproveitar”, diz a dona de casa, que se dedica integralmente aos cuidados com as duas filhas.

Relação com motorista

A cuidadora de idosos Elizabete não recebeu nenhum telefonema nem teve qualquer encontro depois do acidente com a mulher que a atropelou. “[Não me ligou] nem saber se eu preciso de alguma coisa, de algum cuidado médico, nada. Eu tinha vontade de pelo menos ouvir a voz dela, de saber o que se passa pela cabeça dela”, desabafa.

O motorista que atingiu Juliana Figueira prestou socorro, a levou ao hospital e a transportou à fisioterapia durante um mês. Por isso, ela diz não ter guardado rancor dele. Já Cristina viu a jovem que atropelou Paloma apenas em uma audiência judicial realizada dois anos após o acidente, que decidiu que a motorista deveria pagar o valor gasto com o tratamento.

O pai da motorista chegou a acompanhar os primeiros dias da estudante no hospital. “Já falei para ela por telefone que não precisava ser assim. Tenho certeza que a Paloma até a abraçaria. Ninguém está na rua para atropelar ninguém”, diz a mãe. Apesar disso, a dona de casa dá um conselho aos motoristas e pedestres. “É preciso ter mais paciência. E mais atenção.”


-- http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/08/atingidos-na-faixa-pedestres-relatam-trauma-e-anos-de-luta-por-recuperacao.html

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Mortes anunciadas

Há algumas semanas, houve um acidente terrível na BR-290, no trecho que liga Porto Alegre a Pelotas. Um caminhão que fazia uma ultrapassagem chocou-se de frente com outro caminhão. Como resultado, duas mortes e muitos estragos a outros dois veículos. E não foi o único acidente desse tipo nos últimos meses; foi apenas o que mereceu maior atenção dos noticiários.
A verdade é que cada vez mais as estradas têm sido frequentadas por veículos de vários tamanhos, desde automóveis pequenos e familiares até grandes e longos caminhões de carga. Em parte pelo maior número de veículos em circulação; em parte também pelos apagões aéreos dos últimos anos; e em parte, ainda, pelo próprio modelo de desenvolvimento brasileiro, alicerçado na indústria automobilística.
Mas... por que um caminhão ultrapassava outro caminhão em uma estrada de pista única e mão dupla com tráfego tão intenso?
Quem trafega por essa estrada com alguma fre- quência percebe um certo “assanhamento” de muitos motoristas por ultrapassagens, tornando qualquer viagem nesse trecho uma experiência muito cansativa. Os caminhões, em particular, que pelo desenvolvimento tecnológico dos últimos anos são mais ágeis e têm motores cada vez mais potentes, se envolvem muitas vezes em manobras de altíssimo risco.
Quem observar a BR-116, por exemplo, que é a principal ligação entre Porto Alegre e a serra gaúcha, vai perceber que os caminhões têm contribuído decisivamente em várias situações de risco. E contribuem para a baixa velocidade média e os frequentes engarrafamentos verificados na região metropolitana de Porto Alegre. Ultrapassagens arriscadas e muitas vezes desnecessárias; uso da BR-116 para escapar de sinaleiras das vias de circulação municipais; circulação com carga em excesso e consequente baixa velocidade média; caminhões que, sem carga, parecem se transformar em carros de corrida.
Enquanto nada for feito a respeito, esses acidentes terríveis seguirão acontecendo. E as mortes nesses acidentes são mortes já anunciadas.
Em vários países, as ultrapassagens em determinadas rodovias são manobras proibidas para caminhões!
Por outro lado, os motoristas em geral e os caminhoneiros em particular não podem ser “crucificados”. É certo que mais prudência e cuidado na condução dos veículos sempre contribuirão para mudar esse quadro. Mas, decisivamente, para evitar a continuidade desse panorama, é necessário incentivar os transportes ferroviário e hidroviário e restringir os caminhões apenas ao transporte de curta distância e, em determinados casos, de média distância.

*Engenheiro civil, professor da UFRGS, Alexandre Beluco*
Fonte: Zero Hora 10/08/11