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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Brasil reduz em 36% o número de mortes de crianças no trânsito

O dado representa a redução de mais de 560 óbitos de crianças na faixa etária de 0 a 10 ano
O Brasil reduziu em 36% o número de mortes de crianças (0 a 10 anos) no trânsito na última década. Entre os anos de 2003 e 2013, esse número caiu de 1.621 para 1.054 vítimas. Cerca de 560 crianças foram salvas, sejam as ocupantes de veículos motorizados, sejam as que se deslocam a pé ou de bicicleta. Quinhentas crianças são diariamente vítimas fatais do trânsito em todo o mundo, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS). Como forma de chamar a atenção dos líderes mundiais, 500 crianças de escolas do Distrito Federal realizaram na manhã desta segunda-feira (16/11) uma mobilização na área externa do Congresso Nacional em Brasília.

O evento Save Kids Lives é uma campanha mundial e oficial, liderada por crianças e coordenada pelo grupo Colaboração Global das Nações Unidas para a Segurança no Trânsito. O objetivo é conclamar autoridades de todo o mundo a assumir compromissos e adotar medidas pela redução das mortes no trânsito. A Declaração das Crianças para a Segurança Viária já atingiu a marca de 1 milhão de assinaturas e será entregue pelos organizadores aos líderes mundiais e demais participantes da 2ª Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito – Tempo de Resultados, que acontece nos dias 18 e 19 de novembro, em Brasília.

A mobilização Save Kids Lives, em Brasília, foi organizada pela FIA Foundation em parceria com a Aliança Global de ONGs pela Segurança no Trânsito, a Criança Segura (coordenadora brasileira da campanha) e a Policia Rodoviária Federal, com apoio de diversos órgãos do Governo do Distrito Federal (GDF) e da empresa Michelin.

“Esse é evento importante para chamar a atenção para o problema, e para que os países reforcem as medidas voltadas para proteger as crianças no trânsito, seja as ocupantes de veículos motorizados, seja as que se deslocam a pé ou de bicicleta”, afirmou a coordenadora do projeto Vida no Trânsito no Ministério da Saúde, Marta Silva, lembrando que o Brasil logrou reduzir as mortes de crianças no trânsito, na última década e meia, em cerca de 36%. “Campanhas educativas, aumento da segurança veicular e a lei da cadeirinha contribuíram para a redução”, destacou.

Lei da cadeirinha – Um dos mais importantes avanços na legislação brasileira protetiva a crianças no trânsito é a lei da cadeirinha, de maio de 2010, que estabeleceu padrões de segurança para transporte de crianças menores de dez anos. De acordo com a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), crianças nessa faixa etária devem viajar no banco traseiro usando cinto de segurança ou sistema de retenção equivalente - bebês de até um ano de vida têm que estar em bebê conforto ou conversível, de um a quatro anos em cadeirinhas e de quatro a sete anos em assento de elevação. A não obediência ao dispositivo legal é considerada infração gravíssima e prevê multa de R$ 191,54, perda de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação e retenção do veículo até que a irregularidade seja sanada.

ROAD SAFETY BRAZIL - A 2ª Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito tem entre seus objetivos avaliar o andamento das iniciativas para redução das mortes e lesões ocorridas no trânsito em todo o mundo em meio à Década de Ação para a Segurança no Trânsito 2011-2020.

O Brasil, que se voluntariou a sediar o evento, é um dos Amigos da Década - grupo informal comprometido com o sucesso do plano global. A meta do grupo é salvar 5 milhões de vidas no planeta até 2020 por meio da adoção, pelos países comprometidos, de políticas, programas, ações e legislações que aumentem a segurança nas vias, especialmente para pedestres, ciclistas e motociclistas, que correspondem à metade das estatísticas de mortes no trânsito, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Também integram o grupo Rússia, Estados Unidos, Espanha, França, Austrália, Argentina, Costa Rica, Índia, México, Marrocos, Nigéria, Omã, Filipinas, África do Sul, Suécia, Tailândia, Turquia, Uruguai, Organização Mundial de Saúde, Banco Mundial, Comissão Econômica para a Europa, Comissão Global pela Segurança no Trânsito (vinculada à Federação Internacional de Automobilismo) e Parceria Global pela Segurança no Trânsito (Vinculada à Federação Internacional da Cruz Vermelha).

A Conferência é organizada por um comitê interministerial composto por nove ministérios, sob a coordenação do Ministério da Saúde, em parceria com Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Panamericana de Saúde (Opas) e o grupo Amigos da Década.

VIDA NO TRÂNSITO – O Projeto Vida no Trânsito é uma iniciativa brasileira voltada para a vigilância e prevenção de lesões e mortes no trânsito e promoção da saúde, em resposta aos desafios da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Década de Ações pela Segurança no Trânsito 2011-2020. O foco do projeto são ações que incidam sobre fatores de risco, como a mistura de álcool e direção e a velocidade excessiva, além de outros fatores ou grupos de vítimas identificados localmente a partir de análises dos dados, especialmente relacionados a acidentes de transporte terrestre envolvendo motociclistas.

O programa é coordenado pelo Ministério da Saúde, tem articulação interministerial e parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Foi lançado em 2010, como parte da iniciativa internacional denominada Road Safety in Ten Countries (RS 10), sob a coordenação da Organização Mundial da Saúde (OMS), incluindo a participação das entidades Association for Safe Internacional Road Travel (ASIRT); Centers for Sustainable Transport (EMBARQ); Global Road Safety Partnership (GRSP); Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health (JHU) e World Bank Global Road Safety Facility (GRSF).

Fonte: Ministério da Saúde,       16/11/15

           

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Sensação de proteção no banco de trás, sem cinto, é falsa, diz especialista

IBGE aponta que apenas 50,2% sempre usam cinto nos assentos de trás.
Airbag é equipamento de segurança auxiliar.



Andar no banco de trás de um carro sem cinto de segurança é um hábito de mais da metade dos brasileiros, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada no início do mês. Para especialistas, a culpa é da falsa sensação que as pessoas têm de que, estando no banco traseiro, serão protegidas pelos bancos da frente e não correm risco de serem arremessadas do carro, no caso de uma batida.
Só airbag não basta
Especialistas ouvidos pelo G1 dizem que todos esses sistemas não se sobrepõem ao uso do cinto de segurança, inclusive no banco de trás. "O airbag é um equipamento de segurança suplementar", alerta Alessandro Rubio, coordenador técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi). "Inclusive, ele também é conhecido pela sigla SRS, que significa, em inglês, 'Supplemental Restraint System", lembra ele.
Cabe ao cinto evitar que uma pessoa seja arremessada do carro ou bata em partes do veículo ou mesmo o choque de um passageiro contra o outro. Mas, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013, apenas 50,2% das pessoas dizem usar sempre o cinto de segurança no banco de trás.
Peso de um elefante
Por que, afinal, as pessoas resistem a usar o cinto no banco traseiro? Para Rubio, existe uma falsa segurança de que elas estariam protegidas, em caso de colisão, pelos bancos da frente. "Mas o o banco (da frente) é projetado para a força do cinto e do ocupante", afirma Marcus Vinicius Aguiar, diretor de Segurança e Qualidade do Produto da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). "Numa colisão, o peso da pessoa do banco de trás pode causar graves ferimentos nos ocupantes do banco da frente."
O Cesvi explica que, na colisão, o passageiro do banco de trás, sem cinto, pode ser arremessado sobre o motorista e o carona com uma força 50 vezes maior do que o seu peso, chegando a ser comparável ao de um elefante ou um hipopótamo.
Além disso, ressalta Aguiar, sem o cinto, o ocupante é como um objeto solto dentro do carro. "Ela vai bater em tudo quando é parte. Mesmo o choque de um passageiro com outro já pode levar a óbito", explica.
Falta de fiscalização
"Infelizmente, são dezenas de pessoas que morrem pelo Brasil todo dia pela falta do uso do cinto de segurança, especialmente nos assentos traseiros afirma José Aurélio Ramalho, diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).O não uso do cinto no banco de trás também é passível de multa e pontuação na carteira de habilitação, mas, segundo o especialista em segurança no trânsito, existe maior dificuldade das autoridades de fiscalizar o uso do cinto nos assentos traseiros, fazendo as pessoas não se preocuparem. “As pessoas acreditam que o carro é uma armadura e existe a falta da percepção de risco, provocando a negligência”, explica.