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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Estrada que brilha no escuro é aberta na Holanda!

Estrada brilha no escuro na Holanda (AFP)
Pintura usada em estrada se 'carrega' durante o dia e libera um brilho verde à noite.
Um trecho de uma estrada na Holanda recebeu uma pintura especial que brilha no escuro, com o objetivo de aumentar sua segurança sem gastar muita energia.
A pintura contém um pó que é carregado durante o dia e, lentamente, libera um brilho verde à noite, eliminando a necessidade de iluminação pública.



A tecnologia está sendo testada em um trecho de 500 m, e o lançamento oficial é previsto para o final deste mês.O artista interativo Daan Roosegaarde se associou à empresa de engenharia civil holandesa Heijmans para implantar a ideia.
É a primeira vez que as "faixas que brilham" são implantadas em uma estrada - a N329 em Oss, cerca de 100 quilômetros a sudeste de Amsterdã.
Uma vez carregada, a faixa pode brilhar por até oito horas no escuro.

Incentivar a inovação

"O governo está apagando a iluminação pública à noite para economizar dinheiro, a energia está se tornando muito mais importante do que poderíamos ter imaginado há 50 anos", disse Roosegaarde à BBC no ano passado. "Este (projeto na estrada) é sobre segurança e com o foco em um mundo mais autossustentável e mais interativo."
Entre os projetos anteriores de Roosegaarde está uma pista de dança com luzes alimentadas por movimentos dos dançarinos.
A Heijmans já estava trabalhando em projetos envolvendo postes de energia neutros quando o Roosegaarde se associou à empresa.
Heijmans disse que a tecnologia também é "uma alternativa sustentável para lugares onde não há iluminação convencional".

Projeto piloto

Estrada brilha no escuro na holanda (Studio Roosegaarde)
Criadores da tecnologia esperam usá-la para informar sobre o clima
A inovação nas estradas deve ser incentivada, disse o professor Pete Thomas, do Centro de Investigação de Segurança de Transportes da Universidade de Loughborough (Grã-Bretanha), mas novas tecnologias precisam ser testadas e sua eficácia em segurança precisa ser comparada com tecnologia já existente, como os tradicionais marcadores em estradas que brilham com a luz dos faróis dos automóveis.
"Colocar essa tecnologia em todas as estradas sem iluminação seria um grande investimento. Por isso, precisamos de provas concretas sobre como isso se compara com (a tecnologia) que já temos", disse ele.
Inicialmente, a equipe também tinha planos de desenvolver símbolos que apareceriam na estrada uma vez que a temperatura externa chegasse a um determinado nível. A mistura de tinta sensível à temperatura seria usada para criar símbolos gigantes em formas de flocos de neve na pista para alertar os usuários de que a pista da estrada poderia estar congelada.
O trecho atual da estrada em Oss não inclui esta tecnologia sensível à temperatura.

O projeto ainda está em testes e espera-se que possa ser expandido internacionalmente ainda neste ano. A imprensa holandesa informou que a Heijmans está interessada em usar a tinta em outras estradas, mas que nenhum contrato havia sido negociado.

domingo, 6 de julho de 2014

Cuidar da vida no trânsito é causa HUMANITÁRIA!



Quando se fala em causa humanitária logo vem a mente campanhas mundiais como “salve as crianças africanas da fome”, “salve as meninas indianas de estupros”, “ajude os médicos sem fronteiras” e tantas outras causas nobres. Mas, considerando os mortos, feridos e sequelados em acidentes, temos pela frente a causa humanitária e o desafio de protegermos a vida no trânsito. A nossa e a dos outros.

O que torna os cuidados com a vida e a segurança no trânsito uma causa humanitária é que o trânsito é feito, acima de tudo, por pessoas, por vidas humanas e não pelos pseudo encouraçados de lata sobre motores e rodas.

Trânsito é feito de gente, até porque os veículos não saem por aí sozinhos. E é essa gente que conduz os veículos e que mais mata e morre no trânsito que transforma os acidentes em genocídio (assassinato deliberado de pessoas) e em problema de saúde pública.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) os acidentes de trânsito são considerados epidemia, e já no ano de 1900, o Ministro do STJ, Viveiros de Castro, dizia que os acidentes automobilísticos já se constituíam uma epidemia tão mortífera quanto a febre amarela. Passados 114 anos, é difícil alguém morrer de febre amarela, mas em acidentes as mortes são diárias.

O que morre de pessoas no trânsito no Brasil dá para encher os 12 estádios da Copa do Mundo, o equivalente à queda de um avião da Malaysian Airlines por dia.
Por mais que se insista em olhar para as estatísticas como números e ao comentar as mortes diárias no trânsito como “mais uma”, não se trata de números nem de estatísticas, tampouco de percentuais. Tratam-se de vidas humanas que poderiam ser poupadas ainda tão cedo para que pudessem continuar entre nós, entre suas famílias órfãs. Para que continuassem simplesmente a viver.

Os acidentes de trânsito não escolhem suas vítimas, assim como quem morre nunca tem escolha diante da sentença imposta por alguém que cometeu uma infração que se transformou em acidente, dor e sofrimento.
Em minhas palestras e artigos procuro tratar o assunto sempre de forma cautelosa e respeitosa, pois nunca se sabe quem entre as pessoas está vivenciando o momento da perda de uma vida dessa forma.
Mortes no trânsito mudam o curso de tudo e vão até contra as leis da natureza que dizem que não é normal os pais, muitos deles idosos, enterrarem seus filhos.

O que caracteriza uma causa humanitária é a luta para proteger a vida de bebês, crianças, pessoas de idade mediana e idosos contra toda forma de opressão, de violência, de desumanidade, de atrocidades, de abusos e da afronta à dignidade e aos direitos humanos. Lembrando que a bandeira dos direitos humanos e de todas as causas humanitárias é a vida!

O que dizer, então, das consequências dos acidentes de trânsito (mortes, sequelas temporárias e permanentes, custos intangíveis) que ferem o mais humano dos direitos que é manter-se vivo?
Se pararmos para lançar um olhar sensível para o trânsito e as consequências dos acidentes veremos tanta ou mais opressão, violência, desumanidade, atrocidades, abusos e afrontas à dignidade humana do que em qualquer governo tirano ou guerras mundiais.

Ou serás que atropelar, arrancar membros de ciclistas e jogar em valas fétidas para se livrar do “problema” não é uma afronta a dignidade humana?
Como deveríamos nos reportar ao ato de arrastar o corpo de uma mulher no asfalto abrasivo por cerca 800 metros e ainda tentar se livrar do corpo fazendo manobras com o carro? Barbaridade? Desumanidade?
Quando uma pessoa é atropelada e fica presa ao capô ou parabrisas do veículo e ainda assim o condutor continua dirigindo em fuga, o quanto de afronta à vida e tirania existe nessa violência?
Basta presenciar a fragilidade do corpo humano em um atropelamento para entender melhor sobre violência desmedida. Basta olhar para recém-nascidos e prematuros que receberão o primeiro carinho da estufa porque a mãe, ainda gestante, foi morta num acidente.
Basta um pouco de empatia para se colocar no lugar do outro, experimentar sentir por alguns instantes a dor do outro e imaginar que a dádiva de viver cada dia ao lado de quem amamos não existirá mais.
É por essas e outras que cuidar da própria vida e da vida dos outros no trânsito é uma causa humanitária para a qual a doação não é por telefone, em moedas ou cartão de crédito. Basta resgatar a sensibilidade e a humanidade escondida em alguma dobrinha de si mesmo e trazer isso para as práticas diárias.
Antes eu era só educadora de trânsito. Evoluí e agora sou ativista da causa humanitária de salvar a minha própria vida e a dos outros no trânsito.