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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Balanço da PRF aponta queda nos acidentes nas rodovias no fim de ano

02/01/2014 09h12 - Atualizado em 02/01/2014 20h52

Foram 756 acidentes a menos que em 2012, segundo dados da PRF.
Número de mortes também foi menor do que o registrado ano passado.

Do G1, em Brasília




O número de acidentes nas rodovias federais nos feriados de fim de ano foi 10% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal. A PRF comparou as ocorrências registradas de 20 de dezembro de 2013 a 1º de janeiro de 2014 com as registradas em 20 de dezembro de 2012 a 1º de janeiro de 2013. De acordo com os dados, antecipados pelo Bom Dia Brasil, a quantidade de acidentes diminuiu de 7.407 para 6.651.
Balanço de ocorrências nas rodovias federais
2012
2013
Acidentes
7.407
6.651
Mortes
420
379
Feridos
4.642
4.352
Fonte: Polícia Rodoviária Federal
O número de mortes registradas também foi menor. No Natal e réveillon do ano passado, 420 pessoas morreram nas rodovias federais. Neste ano, foram 379 mortes. A maior causa de mortes foram as colisões frontais, que resultaram em 83 vítimas fatais.
Para Stênio Pires, coordenador-geral de operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a redução das mortes foi um resultado do aumento das fiscalização, do planejamento, e da Lei Seca.
"Não existe um único fator que contribuiu para a redução de acidentes. O trânsito é sempre complexo", justificou.
Em 2013, a Polícia Rodoviária Federal identificou os 100 trechos com mais acidentes fatais e intensificou a fiscalização nesses pontos, coordenando esforços federais, estaduais e municipais. Essa operação recebeu o nome de Operação Rodovida.
Lei Seca
No período da operação de final de ano nas estradas, a Polícia Rodoviária Federal multou 1.697 motoristas que beberam antes de dirigir. Desses, 461 foram presos por conduzirem com mais de 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou por terem se recusado a soprar o bafômetro, apesar de apresentar sinais de embriaguez.

(OBS.: No momento da publicação desta reportagem, foi informado que 996 motoristas haviam sido multados por embriaguez, com base em balanço divulgado pela PRF. No início da noite, o órgão atualizou o dado, informando que foram 1.697 os motoristas flagrados por beberem antes de dirigir. A informação foi corrigida às 20h51).
Segundo a PRF,  42% das prisões foram feitas por recusa do motorista em soprar o bafômetro.
A maioria das multas aplicadas pela PRF foram por ultrapassagem  em locais proibidos. Foram 7.007 autuações, que representaram 20,66% do total.
“O tipo de acidente que mais mata nas estradas é a colisão frontal, causada por ultrapassagens em locais proibidos, por isso orientamos os nossos efetivos a fiscalizar com bastante rigor essa infração”, afirmou Pires.
O segundo tipo de infração que mais gerou multas foi dirigir carro não licenciado. Foram  2493 autuações desse tipo, 7,35% do total. As multas para motoristas não habilitados foram 1921 casos, 5,67% do total.
Acidentes por estado
Minas Gerais, estado com a maior malha rodoviária do país, registrou o maior número de acidentes, 1.102 acidentes. Em segundo lugar aparece Santa Catarina, com 751 acidentes, e depois o Paraná, com 750.
Minas Gerais foi o estado também com o maior número de mortos, com 64 vítimas fatais. Apesar de não ser um estado com a maior concentração de acidentes, a Bahia foi o segundo com o maior número de mortos, 43.
“A Bahia tem apenas pouco mais de 200 quilômetros de rodovias duplicadas, o que resulta em um percentual maior de colisões frontais", disse Pires.
No Distrito Federal aumentou em 114% a quantidade de mortos nesse período. No final de 2012 haviam sido 7. Já em 2013, foram 15. De acordo com Pires, a causa foi o aumento no fluxo de veículos saindo de Brasília, combinado com a chuva.
Outro estado que teve aumento no número de mortos foi São Paulo. Apesar de ter havido redução no número de acidentes (caiu de 540 para 446) e de feridos (reduziu de 258 para 194), o acidente na Régis Bittencourt com um ônibus que ia de Curitiba para o Rio de Janeiro contribuiu para o aumento na estatística.
O acidente aconteceu próximo à cidade de São Lourenço da Serra, na Grande São Paulo e deixou 16 mortos.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Como se caísse um avião com 379 pessoas a bordo



De tanto contar mortos em acidentes — ou em crimes de trânsito —, os brasileiros parecem anestesiados. Entre o dia 20 de dezembro e a manhã desta quinta-feira (02/01), morreram 379 pessoas nas estradas federais — e nós temos que nos dar por satisfeitos, porque esse número é 9,7% inferior ao do mesmo período do ano passado. A ele somam-se os acidentes nas estradas estaduais e nas vias urbanas. Só nas rodovias estaduais gaúchas foram 11 mortos no mesmo período.
Fiquemos, pois, com os 379 mortos nas rodovias federais. É como se caísse um dos maiores aviões em operação no mundo e quase ninguém desse atenção. Porque o avião é um dos meios de transporte mais seguros, um acidente choca, comove e desencadeia uma investigação profunda para identificar as causas e impedir que o problema se repita. Os mortos no trânsito não resultam em uma foto de caixões enfileirados _ exceto quando o acidente envolve ônibus _ e acabam sendo tratados com a frieza das estatísticas: são 6.651 acidentes com 379 mortos, o que dá 41 vítimas fatais a menos do que em 2012.
Somos induzidos a achar que o número é bom, porque, afinal, a curva é decrescente. Além da redução em números absolutos, houve queda proporcional em relação aos veículos emplacados. Em 2012, foram 97,13 acidentes por milhão de veículos. Em 2013, baixou para 81,4 por milhão. Poderia ter sido pior, é verdade, mas os números são péssimos. Só nas estradas federais, 4.352 pessoas ficaram feridas. Isso é coisa que se comemore?
Desse batalhão de feridos, parte ainda corre o risco de morrer em consequência das lesões, outros ficarão incapacitados para o trabalho ou terão projetos interrompidos.
Quando se abrem os dados, fica claro que boa parte das mortes ocorreu por imperícia ou imprudência. Foram 83 em colisões frontais, 30 em saídas de pista, 24 por atropelamento, 17 em colisão transversal e 14 em capotamentos. O número de motoristas flagrados alcoolizados ou sem habilitação sugere que o caminho para reduzir os acidentes passa pela fiscalização e pela aplicação de multas, como fazem os países que conseguiram vencer a guerra do trânsito.
Rosane de Oliveira
Fonte: zero hora 03/01/2014