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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Saiba mais sobre o curso obrigatório para motoboys e mototaxistas

Para exercer a profissão, os cerca de 2,5 milhões de profissionais no país terão que ser maiores de 21 anos e ter pelo menos dois anos de carteira de habilitação.
O Conselho Nacional de Trânsito regulamentou a lei que obriga motoboys e mototaxistas de todo o Brasil a fazerem cursos de 30 horas no Detran. Para exercer a profissão, os cerca de 2,5 milhões de profissionais no país terão que ser maiores de 21 anos e ter pelo menos dois anos de carteira de habilitação.
Serão também obrigados a usar equipamentos especiais de segurança como o protetor de pernas (mata-cachorro), colete e capacete dotados de dispositivos retrorrefletivos e antena corta-pipa. As aulas serão ministradas pelos Departamentos de Trânsito (Detrans) ou por instituições autorizadas e abordarão assuntos relativos à ética, cidadania e segurança.
Segundo a regulamentação, o curso será dividido em duas etapas: Curso Teórico que terá carga horária de 25 horas-aula e o curso de Prática de Pilotagem Profissional com duração de 5 horas-aula. Para realizar o curso, o condutor não poderá estar cumprindo pena de suspensão do direito de dirigir, cassação ou impedido judicialmente de exercer os seus direitos.
Para ser aprovado e poder trabalhar legalmente, o condutor não poderá faltar a nenhuma aula e deverá ter 70% de acertos na avaliação final. Se reprovado, terá o prazo máximo de 30 dias para realizar outra avaliação. De acordo o presidente do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do Distrito Federal (Sindimoto), Reivaldo Alves, pelo menos dois dos 40 mil motoboys do Distrito Federal farão a primeira etapa do curso.
Segundo especialistas em direito trabalhista, a lei veio para favorecer tanto a população quanto os profissionais da área. A partir da adequação, os trabalhadores também terão seus direitos reconhecidos.
A resolução entrará em vigor em 180 dias. Segundo dados da Federação dos mototaxistas e motofretistas do Brasil (Fenamoto), a nova lei beneficiou aproximadamente 2,5 milhões de profissionais no País.
Estimativas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) apontam que o país gasta cerca de R$ 28 bilhões, por ano, com acidentes envolvendo moto. Por dia, 23 pessoas morrem em consequência de acidentes de moto no Brasil.
De acordo com o estudo custos de acidentes de trânsito no Brasil, divulgado pela Organização Mundial da Saúde, os acidentes com motocicletas representam, proporcionalmente, mais custos para o país do que o acidentes com automóveis. Em 2005, as motos representavam 11% da frota e geraram 19% dos custos por acidentes de trânsito. Entre carros, com frota de 74% dos veículos do país, o custo dos acidentes foi 56% do total.
Consulte a Lei 12.009/2009, que regulamenta o exercício das atividades de motofrete e mototáxi
Consulte a resolução 350 do Contran - Regulamenta o curso de formação para motofretistas e mototáxis
Fonte: g1, 30/06/2010 06h38 - Atualizado em 30/06/2010 06h48

terça-feira, 29 de junho de 2010

Opinião dos leitores do ZH

Sem proteção
A EPTC deveria se preocupar um pouco mais em preservar a vida dos motoristas que trafegam pela Avenida Ipiranga, com a colocação de guard-rails, do que em puni-los com multa por pardais. Por acaso, o ator Werner Schünemann estava excedendo a velocidade da via quando caiu no arroio? Ele teve sorte, mas outros poderão não ter.
César de Souza Gregianin
Advogado – Porto Alegre
Curva mortal
A curva do cotovelo, km 57 da ERS-348, que liga os municípios de Agudo e Dona Francisca, fez mais uma vítima no dia 20 de junho. Foi uma das tantas após se tornar rota alternativa em função da queda da ponte na RST-287. Apesar das vistorias do Daer e de representantes do Executivo estadual, até agora nada foi feito para diminuir o perigo.
Dalton Adolfo Muller
Empresário – Agudo
Estrada do Mar
Com relação à Estrada do Mar e o “afrouxamento das regras”, informamos que esta casa legislativa foi tomada de surpresa com a matéria que tramita no Conselho Rodoviário.
No fim de 2009, estivemos reunidos com o responsável pela 16ª UC do Daer, engenheiro Paim, levando até ele nossa preocupação e inconformidade com o constante aumento do número de caminhões e caçambas (transporte de areia) naquela rodovia e consequentemente com o aumento do risco para seus usuários.
Somos contrários às medidas propostas, por diversos motivos, mas principalmente por entendermos que a segurança não pode ser relegada a segundo plano em relação a questões de puro interesse comercial.
Rossano Teixeira
Presidente da Câmara de Vereadores de Osório
Fonte: zero hora, 06/2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A morte não é nada...feliz aniversário Alessandra...


A Morte não é Nada

" Santo Agostinho "
"A morte não é nada.
Eu somente passei para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram,falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi."
Feliz aniversário Alessandra, te amo filha...saudades, mamãe...

sábado, 26 de junho de 2010

Agência Câmara: Debatedores defendem sistema para controlar uso de cinto de segurança

Representantes da sociedade civil defenderam nesta quinta-feira a implementação de um sistema para controle do uso do cinto de segurança em veículos. O objetivo é reforçar a utilização do equipamento, em especial pelos passageiros dos bancos traseiros.
O chamado Sistema Externo de Controle do Cinto de Segurança (Sistecc), desenvolvido pelo empresário Renato Azevedo, foi tema de audiência pública da Comissão de Legislação Participativa Criada em 2001, tornou-se um novo mecanismo para a apresentação de propostas de iniciativa popular. Recebe propostas de associações e órgãos de classe, sindicatos e demais entidades organizadas da sociedade civil, exceto partidos políticos.
Todas as sugestões apresentadas à comissão são examinadas e, se aprovadas, são transformadas em projetos de lei, que são encaminhados à Mesa Diretora da Câmara e passam a tramitar normalmente. . O Sistecc é um mecanismo elétrico que indica o uso do cinto de segurança por motoristas e passageiros, por meio de lanternas na parte externa e no painel dos automóveis.
De acordo com Azevedo, o invento é uma forma de evitar tragédias no trânsito. "Hoje os brasileiros usam o cinto como adereço para evitar multa", afirmou. Ele acrescentou que o sistema permitirá que os agentes de trânsito visualizem a distância, e sem parar o carro, quais ocupantes do veículo estão usando o item de segurança.
Projeto de Lei
O presidente da comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), disse que apresentará um projeto de lei sobre o assunto, caso o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) não adote o uso do sistema. "A ideia é fazer uma mobilização para criar mecanismos de divulgação, mas também de fiscalização sobre o uso do cinto de segurança no banco traseiro", explicou.
Pimenta lembrou que, conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica (Ipea), os acidentes de trânsito no Brasil têm um custo social de, aproximadamente, R$ 10 bilhões. Já a implementação do Sistecc, informou o deputado, custará, em média, R$ 200 por veículo com até cinco assentos.
Para a presidente da organização não governamental (OnG) Alerta, Lisette Feijó, o sistema de controle do uso do cinto de segurança é mais uma estratégia de conscientização de motoristas e passageiros. “Quanto mais informação, melhor para todos", destacou.
Segundo a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), usar o cinto aumenta em 70% as chances de uma pessoa sobreviver em um acidente.
Educação no trânsito

Apesar de ressaltar as virtudes da iniciativa, o coordenador-geral de infraestrutura do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Milton Frantz, colocou a educação no trânsito como a principal ferramenta para redução de acidentes. "Os equipamentos sozinhos não vão resolver as questões de segurança ", afirmou.
O presidente do sindicato de autoescolas do Rio Grande do Sul, Edsom da Cunha, disse que é favorável ao novo sistema, mas desde que a inovação tecnológica venha acompanhada de uma mudança de comportamento dos motoristas.
Agência Câmara
Reportagem - Tiago Miranda,sexta-feira, 25 de junho de 2010
Edição - Marcelo Oliveira

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Acidente em rodovia mata oito na região de Caeté-MG

Um acidente deixou oito mortos e três feridos graves na madrugada de hoje na Rodovia BR-381, na região de Caeté (MG). Por volta das 4h30, o motorista de uma carreta de São Paulo, transportando arame, perdeu o controle do veículo, que tombou sobre dois automóveis, na altura do quilômetro 425 da via.
Os cinco ocupantes de um veículo Gol e três de uma Parati morreram no local. Outros dois ocupantes da Parati e o motorista do caminhão ficaram gravemente feridos e foram levados para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os dois sentidos da estrada permaneciam interditados por volta das 9h30, provocando um congestionamento de dez quilômetros de cada lado. O local deve ser liberado por volta das 10 horas.
Fonte: g1, 25/06/2010 10h04 - Atualizado em 25/06/2010 10h04

terça-feira, 22 de junho de 2010

Polícia reconhece corpos de três jovens desaparecidos em Itabirito

Os corpos foram encontrados dentro do carro na BR-356, nesta manhã. Primos saíram para uma festa junina na cidade e não voltaram. A princípio, PM descarta assassinato
Após reconhecimento por meio de fotos e da placa do carro, a Polícia Militar de Itabirito diz que foram encontrado os corpos de três jovens desaparecidos desde a madrugada de sábado na BR-356.
Os corpos foram achados, por volta das 10h desta terça-feira, na rodovia, entre as cidades de Cachoeira do Campo e Ouro Preto. Segundo a Polícia Militar (PM) de Itabirito, corpos estavam dentro do carro - um Gol cor prata - em uma mata. A área fica em uma curva conhecida como Curva do Funil.
A princípio, a PM descarta a possibilidade de assassinato e suspeita que eles tenham se envolvido em um acidente, porque a curva é perigosa. A família acredita nesta hipótese. A perícia foi acionada.
Duas adolescentes de 17 anos e um jovem de 22 anos desapareceram na madrugada de sábado em Itabirito, a 55 quilômetros de Belo Horizonte. Eles saíram na noite de sexta-feira para uma festa junina na cidade e não voltaram mais. Segundo a Polícia Militar, o último contato foi feito por telefone.
A mãe de uma das garotas ligou para o celular dela por volta das 3h. A filha disse que estava na BR-356 trocando pneu do carro, um gol de propriedade do rapaz. Depois disso, não houve mais nenhum contato. Os celulares dos envolvidos não recebem mais ligações.
Fonte: g1, 21/06/2010

domingo, 20 de junho de 2010

Distração ao volante é quarta maior causa de acidentes e multas em SP

Falar ao celular, mexer no rádio e até fazer maquiagem aumentam riscos.
Segundo especialista, falha de atenção causa 72% dos acidentes.
Roney Domingos e Carolina Iskandarian
Giovanna Pereira, que usa o espelho do carro para fazer maquiagem (Foto: Carolina Iskandarian)
Acidentes deixam feridos em São Paulo Carreta sai da pista na alça de acesso do Rodoanel, em SP A distração ao volante é quarto maior motivo de acidentes e multas em São Paulo. Na terça-feira (15), um caminhoneiro se distraiu ao coçar os olhos e deixou o veículo escapar da pista do Rodoanel. Na segunda (14), um rapaz de 19 anos se distraiu ao mudar a estação do rádio e colidiu seu veículo na traseira de outro carro na Avenida dos Bandeirantes.
Professor titular do laboratório de Psicofísica e Percepção da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, o psicólogo José Aparecido da Silva afirma que 98% dos acidentes são provocados por fatores humanos e 72% por falhas de atenção. Silva coloca a distração como a quarta causa mais frequente de acidentes. Segundo ele, o uso de celular, para falar ou mandar torpedo, é a principal fonte de problemas.
A Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) informou que o uso de celular é a quarta maior causa de multas: 475 mil em 2009 contra 373 mil em 2008 (um aumento de 27%).
Fatores humanos envolividos nos acidentes de trânsito
Agressividade: 0,2 %
Posição errada na manobra: 0,3%
Frustração: 0,3%
Maus hábitos: 0,4%
Falta de formação ou prática: 1, 2%
Manobra difícil: 1,3%
Sinalização defeituosa: 1,3%
Falta de habilidade: 1,4%
Decisaõ ou ação errada: 1,5%
Direção imprudente: 1,9%
Condução próxima ao veículo da frente: 2,3%
Desvio de atenção: 2,9%
Avaliação errada de velocidade e distância: 3,2%
Ultrapassagem sem condições: 3,7%
Erro de julgamento: 4,3%
Interpretação incorreta: 4,8%
Caminho errado: 5,2%
Falta de observação: 5,3%
Inexperiência: 7,4%
Distração: 8,5%
Falta de observação: 12%
Demasiadamente rápido: 12,7%
Falta de atenção: 23%
Fonte: Professor José Aparecido da Silva -USP no Livro Psicologia e Comportamentos
O professor Silva conta que na semana passada quase bateu o carro em um poste por causa de um espirro ao volante. "Os olhos se fecham quando a gente espirra. Nesses poucos segundos, fiz um zigue-zague na pista central. Estava a quase 30 km por hora. A pessoa que estava ao meu lado gritou", diz o professor.
Ele explica que dirigir demanda até 100% da atenção do motorista e a atividade não pode ficar em segundo plano. Além de receber informação visual ininterruptamente, o motorista depende do sistema auditivo, do sistema vestibular (sensação de equilíbrio) e do sinestésico (percepção). Sempre que um fator interfere nestes sistemas, a segurança está em risco.
"Os fatores que distraem a atenção do motorista são estímulos competitivos, como buzina, barulho, celular, conversação interna, televisão, uso do GPS e qualquer outro que exija movimentos oculares", afirmou.
A consultora comercial Giovanna Pereira, de 37 anos, pode ser um perigo no trânsito. Mas ela jura que não. Vaidosa, só sai de casa sem maquiagem porque sabe que consegue fazer isso dentro do carro durante o trajeto até o trabalho. “Acordo super cedo.
Tenho que tomar banho, tomar café, me trocar, secar o cabelo. Se não tivesse o trânsito, tudo bem, daria tempo”, diz ela.
A bolsinha com rímel, pó, batom e lápis de olho fica no colo. Entre uma parada e outra no semáforo, Giovanna pinta os olhos usando o espelhinho do carro no quebra-sol. Só uma das mãos fica no volante. “Apesar de a maquiagem me distrair, eu fico ligada. Olho toda hora para frente”, conta ela, que afirma nunca ter batido no veículo da frente.
“Já quase bati trocando o CD do rádio. Isso me distrai mais porque você tem que olhar para baixo.” No colo, também estão os dois celulares, que ela atende a toda hora. Por essa infração, a moça já foi punida. “Tenho umas duas ou três multas.”
Segundo Silva, desatenção por tempo igual ou superior a dois segundos aumenta para quase 100% a chance de acidentes. "Se o motorista estiver usando o torpedo é ainda pior. Depois de dois segundos ele já se desviou da pista principal." Foi o que aconteceu com Thiago Moura, o motorista do caminhão que escapou do Rodoanel. Ele conta tentou voltar à pista, mas não deu mais. "Eu distraí. Fui coçar o olho. Para desviar da barreira acabei entrando na pista de terra ao lado da rodovia."
Silva diz que ao conversar com o passageiro do lado, por exemplo, o motorista corre algum risco, mas menor do que falar ao celular, comer ou ouvir rádio. "O passageiro ao lado acompanha o trânsito e interrompe a fala quando percebe algum risco, avisa ou modula de acordo com o ritmo de trânsito", diz ele.
Já ouvir rádio e mexer nele tem efeito menos agressivo do que falar ao celular. "O rádio demanda no máximo um movimento motor ou sinestésico. No celular, mesmo no viva-voz, e no torpedo, exige-se carga mental igual à de operações cognitivas elementares. É como contar número primos detrás para frente", afirma.
Fonte: g1, 20/06/2010-10:03

sábado, 19 de junho de 2010

Curso para motociclistas custará em média três dias e meio de trabalho

De acordo com CFC`s, 30 horas-aula custarão entre R$ 130 e R$ 150.
Valores foram baseados nos cursos para condutores de peruas escolares.
Curso: até R$ 150. (Foto: Roney Domingos/G1)Em dezembro deste ano entra em vigor a Resolução nº 350 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que torna obrigatória a realização de 30 horas-aula extras para os motofretistas e mototaxistas.
O curso deverá custar, de acordo com Centros de Formação de Condutores (CFC) consultados pelo G1, entre R$ 130 e R$ 150 aos alunos, o equivalente a três dias e meio de trabalho ou 17,64% do piso salarial do motofretistas da cidade de São Paulo, que é de R$ 850, por 7 horas de trabalho, cinco dias por semana.
O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) será responsável pela regulamentação das aulas em cada estado, mas o órgão ainda não determinou se elas serão ministradas pelo próprio Detran ou por órgãos, entidades e instituições autorizados, como os centros de formação de condutores, os CFCs.
Esse valor é próximo do que eu gasto com combustível o mês inteiro”Márcio de Oliveira, motoboy“Acho esse preço muito salgado, nem todo mundo vai conseguir fazer. Já temos muitas taxas e tarifas para pagar”, afirma Márcio de Oliveira, motoboy há seis anos. “Esse valor é próximo do que eu gasto com combustível o mês inteiro”, diz Oliveira que trabalha para duas empresas e tem renda mensal de R$ 1.200.
Os valores estimados pelos CFCs têm como base os preços cobrados para os cursos de Movimentação de Produtos Perigosos (Mopp), transporte escolar e transporte coletivo de passageiros, que têm duração mínima de 50 horas-aula e custam, em média, entre R$ 200 e R$ 290, dependendo da categoria.
Apesar do gasto extra, o presidente da Associação Brasileira de Motociclistas (Abram) afirma que é uma questão de segurança e traz melhorias para a vida dos profissionais. “Eles estarão mais aptos e preparados para exercer as suas atividades e, consequentemente, correrão menos risco nas ruas”, diz Pimentel. “O Denatran foi muito transparente nessa nova regulamentação e todos os seus esforços são para garantir a qualidade de vida dos motociclistas.”
Fonte: g1, 19/06/2010 07h00 - Atualizado em 19/06/2010 07h34

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Contran torna obrigatório curso para motofretistas e mototaxistas

Profissionais terão de cumprir carga horária com aulas teóricas e práticas.
Resolução entrará em vigor em 180 dias.
Motofretistas e mototaxistas terão de fazer curso especializado obrigatório para exercer suas atividades profissionais. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou nesta sexta-feira (18), no Diário Oficial da União, a resolução nº 350 que torna obrigatória a realização de cursos especializados para os chamados "motoboys".
De acordo com a resolução, a decisão de instituir a obrigatoriedade do curso levou em consideração a importância de garantir aos motociclistas profissionais a aquisição de conhecimentos, a padronização de ações e, consequentemente, atitudes de segurança no trânsito. A resolução entrará em vigor em 180 dias.
De acordo com o documento publicado, os cursos serão ministrados pelos Detrans ou por órgãos, entidades e instituições autorizados. Serão reconhecidos os cursos específicos destinados a motofretistas e mototaxistas que tenham sido ministrados por órgãos ou entidades do ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito (SNT) ou por entidades por eles credenciadas.
Para fazer o curso, o profissional deverá ter no mínimo 21 anos e estar habilitado há pelo menos dois anos na categoria "A". Não pode estar cumprindo pena de suspensão do direito de dirigir, cassação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), decorrente de crime de trânsito, bem como estar impedido judicialmente de exercer seus direitos.
O curso tem carga horária de 30 horas-aula e inclui noções básicas de legislação, gestão do risco sobre duas rodas, segurança e saúde. Os profissionais também terão de fazer aulas práticas de pilotagem profissional.
Em julho do ano passado, o presidente Lula sancionou a lei que regulamentou as profissões de motofretista e mototaxista.
Fonte: g1, 18/06/2010 08h15 - Atualizado em 18/06/2010 08h34

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Duas pessoas morrem em acidentes provocados por neblina em SP

Segundo a Polícia Rodoviária, pelo menos 50 veículos se envolveram em 16 acidentes na Via Dutra.
Duas pessoas morreram em acidentes provocados pela neblina nesta quarta-feira cedo no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.
Segundo a Polícia Rodoviária, pelo menos 50 veículos se envolveram em 16 acidentes na Via Dutra, a Rio-São Paulo. As batidas foram em sequência nos dois sentidos. Um caminhoneiro morreu. Um carro foi prensado por dois caminhões, mas o motorista não se feriu.
Os congestionamentos chegaram a 25 quilômetros. A segunda morte foi na SP-62.
Fonte: g1, 16/06/2010 21h15 - Atualizado em 16/06/2010 21h15

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Brigada Militar dará aulas de segurança no trânsito para jovens

Programa inovador será lançado hoje deverá atingir 900 alunos
Estudantes que convivem diariamente com o risco de acidentes por frequentarem escolas localizadas às margens de rodovias serão contemplados com o Programa de Educação para o Trânsito (Proet). A iniciativa, que será lançada oficialmente hoje pelo Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), quer levar cidadania para dentro da sala de aula.
Destinado a crianças e adolescentes com idade de cinco a 12 anos, o Proet será implantado inicialmente em 30 escolas, atingindo diretamente mais de 900 alunos, além de professores, pais e condutores de transportes escolares.
Com carga horária de cerca de 80 horas, o programa deverá ser colocado em prática no início do segundo semestre, após assinados os convênios com as escolas e quando o material que será usado em sala de aula ficar pronto.
O apoio didático é parte fundamental do projeto, pois a adesão, que depende de cada instituição, funcionará por meio da capacitação dos professores, para que eles desenvolvam a proposta com os alunos. Já o conteúdo pedagógico deverá ser diferenciado. Segundo o chefe do Estado Maior do Comando Rodoviário da Brigada Militar, coordenador do Proet, Egon Marques Kvietinski, o espírito é incentivar a interatividade com os alunos, ouvindo o que eles têm a sugerir.
– De forma didática, trabalharemos sempre do ponto de vista do pedestre, nunca do motorista. Os alunos aprenderão a maneira correta de subir e descer do carro, atravessar a rua, andar de bicicleta, qual cadeirinha devem sentar, a sinalização e, principalmente, como atravessar a rodovia – explica Kvietinski.
Os idealizadores do projeto consideram que não adianta os estudantes apenas receberem uma grande carga de informação. É necessário envolvê-los para que eles sejam disseminadores das ideias e desenvolvam o senso crítico, observando a realidade.
O sargento Gil Pereira Martins, doutor em Linguística, e também responsável pelo projeto, complementa que o diferencial do Proet será na forma como o trânsito será tratado:
– O tema tem de ser abordado como problema social, de comportamento e de atitude, em que as habilidades das crianças estarão sendo estimuladas.
Fonte: 15/06/2010, ZERO HORA

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Acidente mata cinco da mesma família no Espírito Santo

Um grave acidente no km 24 da BR-393, em Muqui, no Espírito Santo, matou cinco pessoas da mesma família ontem. Entre as vítimas estão dois adolescentes de 14 e 16 anos.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o acidente aconteceu por volta das 10h, quando ao tentar fazer uma curva, o motorista perdeu o controle do carro, saiu da pista, colidiu com uma árvore e capotou. Depois, o veículo ainda caiu em um barranco.
Todos os ocupantes do carro morreram: Ewerton Gonçalves de Almeida, de 27 anos, Suelytha Gonçalves de Almeida, de 21 anos; Samuel da Silva Gonçalves, de 42 anos; Isaías Pinheiro Gonçalves, de 16 anos, e Ezequias Pinheiro Gonçalves, de 14 anos.
Fonte: g1, 14/06/2010 13h38 - Atualizado em 14/06/2010 13h38

domingo, 13 de junho de 2010

O que pegou e o que não pegou

Assim como um carro velho e mal cuidado, nunca se sabe quando uma lei de trânsito vai pegar no Brasil. Quase sempre, ainda que ganhe um bom empurrão inicial, logo enguiça devido a problemas como a resistência cultural dos motoristas, falhas de fiscalização e impunidade.
Uma breve revisão das principais novidades na legislação viária do país nos últimos anos revela que praticamente nenhuma é seguida à risca.
Prestes a completar dois anos da adoção da chamada Lei Seca e a colocar em vigor a nova regra para as cadeirinhas infantis, o país tem poucos exemplos positivos. O cinto de segurança, que costumava ficar pendurado ao lado do motorista, hoje faz parte da rotina da maior parte dos condutores e passageiros. Porém, mesmo esse equipamento não é usado no nível ideal: no ano passado, foram aplicadas 105 mil multas por falta do cinto no Rio Grande do Sul.
A tolerância zero à embriaguez, apesar do impacto inicial, também tem dificuldade para embalar. Diariamente, pelo menos 11 motoristas são flagrados nas rodovias gaúchas. Em compensação, o número de mortos em acidentes em vias municipais e estradas, de janeiro a maio, aumentou 5% em comparação com o mesmo período de 2008, quando ainda não havia a Lei Seca.
Cinto de Segurança
l A norma: o artigo 65 do Código de Trânsito Brasileiro considera obrigatório o uso do cinto
por condutor e passageiros, salvo situações especiais como veículos de transporte de passageiros em que é possível viajar em pé. Não usálo, conforme o artigo 167, resulta em infração grave e retenção do veículo até a colocação do equipamento pelo infrator.
l Aplicação: pegou. Principalmente para as pessoas que se sentam nos bancos dianteiros, o uso do cinto de segurança passou a ser a regra, e sua ausência, a exceção – diferentemente do que ocorria duas décadas atrás. Quem ainda não tem o costume de usar – sobretudo nos bancos traseiros – corre sério risco de levar multa. No ano passado, o Detran/RS contabilizou 105.231 punições pela falta do cinto – o equivalente a 2,7% dos motoristas gaúchos. É o Cinto de segurança.
De quem é a culpa?
A estrutura de fiscalização e punição no país, até o momento, não foi capaz de fazer frente à
resistência do motorista brasileiro em cumprir o que está na lei. Especialistas divergem, porém, se a principal parcela de culpa recai sobre a fiscalização ou sobre a dificuldade dos condutores em obedecer normas.
Um dos responsáveis pela elaboração do Código de Trânsito Brasileiro, o advogado Cyro Vidal
resume o que considera ser o principal empecilho à legitimidade da legislação viária nacional:
– Não tem nada de questão cultural dos nossos motoristas. Em qualquer país é igual. A diferença é que aqui falta fiscalizar e punir de maneira eficaz. O comandante do Comando
Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), tenente-coronel Edar Borges Machado, contrapõe a essa visão um exemplo cotidiano.
– Quando passa na frente do posto da polícia, o motorista se comporta. Quando sai dali, é um
Deus nos acuda. Então, por medo da autuação, ele obedece à lei. Mas, só pelo medo de matar toda a sua família, não obedece. Jamais poderemos estar em todos os lugares a toda hora – desabafa. Diza Gonzaga, presidente da Fundação Thiago Gonzaga, aponta a necessidade de uma maior responsabilização conjunta, tanto das autoridades quanto de motoristas, amigos e familiares.
– Não está ocorrendo a fiscalização rigorosa que deveria, mas está na hora de a sociedade se
dar conta de que uma pessoa não pode dar uma festa e deixar seus amigos ou parentes saírem dirigindo bêbados – diz. O quarto tipo de infração mais punida pelas autoridades.
l Motivo: o uso do cinto de segurança foi disseminado pela insistência na fiscalização
ao longo do tempo e pela conscientização popular de que pode reduzir em mais de 45%
o risco de morte. No banco traseiro, segundo o diretor-técnico do Detran gaúcho, Ildo Mário
Szinvelski, sua utilização não é tão frequente porque os passageiros não assimilaram completamente o risco que correm de serem lançados para a frente em caso de batida.
Legendas Pegou: a regra é obedecida pela grande maioria, ainda que não seja unânime, e o descumprimento representa risco real de ser punido.
Não pegou: a norma foi derrubada, ou é largamente descumprida e raramente resulta em punição.
Pegou parcialmente: a obediência é apenas razoável, e o risco de punição é mediano.
Farol de xenon
l A norma: o Contran estabeleceu que o equipamento deve ser instalado com recursos
para não ofuscar outros motoristas.
lAplicação: pegou parcialmente. Os modelos que têm os faróis de xenon como item
de fábrica atendem às especificações de segurança, mas os kits vendidos a preços mais
acessíveis costumam desrespeitar a regra. A alteração de características originais dos veículos,
o que inclui o sistema de iluminação, é o segundo tipo de infração mais comum no
Estado, conforme o Detran. De janeiro a maio, foram 68,3 mil multas.
l Motivo: a principal razão para a persistênci do uso inadequado do farol de xenon, segundo
o especialista em legislação de trânsito Cyro Vidal, é a fragilidade da fiscalização.
Primeiros socorros
l A norma: a partir de janeiro 1999, todos os veículos deveriam contar, na lista de equipamentos considerados obrigatórios, com um kit de primeiros socorros. A intenção era facilitar o socorro emergencial a acidentados.
l Aplicação: não pegou. Inicialmente, chegou a haver uma corrida a farmácias e mercados a fim de comprar o kit. Pouco mais de três meses depois de entrar em vigor, porém, a medida foi revogada pela Lei 9.792, de 14 de abril de 1999.
l Motivo: motoristas e especialistas em saúde se rebelaram contra a iniciativa, considerando-
a uma bobagem e um gasto inútil para os milhões de condutores brasileiros.
Além de ter virtualmente nenhuma utilidade em caso de acidente sério, o uso inadequado
do material poderia até agravar a situação dos feridos.
Primeiros socorros - Kit polêmico
l Dois rolos de ataduras de crepe
l Um rolo pequeno de esparadrapo
l Dois pacotes de gase
l Uma bandagem de tecido de algodão
do tipo bandagem triangular
l Dois pares de luvas de procedimento
l Uma tesoura de ponta romba
(sem ponta)
Farol nas estradas
l A norma: o Rio Grande do Sul chegou a ter uma legislação determinando o uso do farol baixo nas rodoviais estaduais mesmo durante o dia, em 1997, a fim de facilitar a visualização dos veículos. Porém, a lei maior, o Código de Trânsito Brasileiro, não previu essa obrigação. O
Contran emitiu apenas uma resolução recomendando o uso e orientando as autoridades locais a estimularem esse hábito.
l Aplicação: não pegou. Em solo gaúcho, a queda da lei específica e a falta de qualquer possibilidade de fiscalização ou punição fazem com que o uso do farol baixo seja exceção.
– São muito poucos os que usam
– afirma o comandante do CRBM, tenente-coronel Edar Borges Machado.
l Motivo: impossibilidade de fiscalização ou punição e inexistência de campanhas eficientes de estímulo ao uso do farol baixo como instrumento de aumento da segurança nas rodovias.
Telefone celular
l A norma: o artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro estabelece que é infração média e passível de multa dirigir o veículo com apenas uma das mãos ou usando fone conectado a telefone celular.
l Aplicação: não pegou. Desde o início do ano até maio, o Detran contabilizou 34.152 multas aplicadas no Estado por descumprimento do artigo 252 (o uso do celular é um dos motivos mais comuns).
l Motivo: muitos motoristas acreditam que não serão flagrados pela fiscalização.
Como a infração é de nível médio, uma eventual punição também não parece suficiente para mudar o hábito.
– Alguns motoristas ainda fazem uso do aparelho enquanto dirigem – afirma o inspetor
da PRF Jorge Nunes.
Película
l A norma: o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabeleceu um limite para a perda
de luminosidade provocada pela instalação da película nos veículos: deve garantir, no mínimo,
75% de transmissão luminosa através do vidro do parabrisa e 70% dos demais vidros indispensáveis à dirigibilidade, como os laterais dianteiros.
l Aplicação: não pegou. O uso de película mais escura do que o estabelecido pela legislação é comum em todo o país.
l Motivo: fragilidade da fiscalização combinada ao uso disseminado da película como item de segurança para evitar assaltos à noite. Além do grande número de veículos com película escura, o que dificulta a vigilância, ainda não há no país equipamentos regulamentados para medir precisamente o grau de transparência da película em blitze, conforme o diretortécnico do Detran, Ildo Mário Szinvelski.
Lei seca
l A norma: desde 20 de junho de 2008, a legislação não admite que o motorista conduza veículo automotor sob influência de qualquer quantidade e álcool – a chamada Lei Seca –, sujeitando- o a infração gravíssima, multa, suspensão do direito de dirigir e até prisão.
l Aplicação: pegou parcialmente. De início, a medida causou impacto e chegou a reduzir em 40% os atendimentos de urgência. Atualmente, um grande número de motoristas desrespeita a lei, mas segue sujeito à fiscalização. De janeiro a maio, o Comando Rodoviário da BM e a PRF flagraram, por dia, uma média de 11 motoristas embriagados em rodovias.
l Motivo: segundo a presidente da fundação Thiago Gonzaga, Diza Gonzaga, nos primeiros meses da nova lei os condutores eram mais temerosos de serem flagrados e punidos. Com o tempo, e a limitação das blitze, essa sensação foi diminuindo.
Novo sinal na faixa
l A norma: este ano, a prefeitura de Porto Alegre estabeleceu um novo sinal a fim de facilitar a travessia de pedestres em faixas de segurança onde não houver sinaleira – representado pelo braço esticado com a mão aberta. Ao ver o sinal, os motoristas devem ceder a passagem.
l Aplicação: pegou parcialmente. O número de mortes por atropelamento caiu
17% na Capital depois da adoção do novo sinal. O número total de atropelamentos, porém, passou de 811 para 881.
l Motivo: o diretor de trânsito da Empresa
Pública de Transporte e Circulação, Vanderlei Capellari, afirma que o impacto da campanha pode ser medido pela redução significativa no número de mortes por atropelamento na Capital. Ainda que nem todos façam o sinal, a divulgação ajudou a elevar o respeito dos condutores pela faixa.
Acidentes na capital:
Mortes por atropelamento 52 43 -17%
Atropelamentos 811 881 8%
Mortes em geral 111 108 -3%
Acidentes 15.316 15.853 3,5%
Confira variação na violência do trânsito porto-alegrense em períodos antes e depois do novo sinal:
Acidentes na Capital
Antes* Depois** Variação
*Setembro de 2008 a abril de 2009
**Setembro de 2009 a abril de 2010
Fonte: zero hora, 13/06/2010, marcelo.gonzatto@zerohora.com.br

sábado, 12 de junho de 2010

DEFICIÊNCIAS

Deficiente é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
Louco é quem não procura ser feliz com o que possui.
Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
Mudo é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia. Paralítico é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
Diabético é quem não consegue ser doce.
Anão é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois miseráveis são todos que não conseguem falar com Deus.
A amizade é um amor que nunca morre.
Mario Quintana

quinta-feira, 10 de junho de 2010

“Tem de fiscalizar e penalizar”

Tentativas de educar para o trânsito são importantes, mas o Brasil precisa de mais do que isso. Para o engenheiro Luis Antonio Lindau, doutor em transportes, o país não pode ficar apenas nas campanhas de conscientização.
Em entrevista concedida ontem, o professor do Laboratório de Sistemas de Transporte da UFRGS defende que a educação tem de ser acompanhada por investimentos em engenharia viária e fiscalização, carentes no Brasil:
Zero Hora – O que ainda se pode fazer para reduzir as mortes no trânsito brasileiro?
Luis Antonio Lindau – Educação é um coisa que já se tem há algum tempo. Há investimento nisso. Mas a experiência do mundo desenvolvido mostra que é preciso um tripé, composto por educação, fiscalização e engenharia viária. Educação já existe.
Estão faltando no Brasil os outros dois elementos. Investe-se pouco em fiscalizar e em fazer vias que evitem acidentes ou minimizem seu impacto. No mundo desenvolvido, é comum alguém ser parado para fazer o exame do bafômetro.
Já aconteceu comigo várias vezes no Exterior, mas nunca no Brasil. Não vou dizer que não falta investimento em educação, mas educação por educação não vai resolver o nosso problema. Está faltando investir também nas coisas em que não investimos.
ZH – Nosso motorista é imprudente porque sabe que não será fiscalizado e punido?
Lindau – Essa é a percepção geral. Lá fora também se faz campanha de educação, mas se investe muito em fiscalização. Lá, as avenidas são pensadas para reduzir riscos.
Aqui em Porto Alegre, ainda há quem discuta aumentar o limite de velocidade na cidade, o que é um contrasenso, porque significa matar mais gente.
Para se ter uma ideia da distância a que estamos dos países desenvolvidos, temos um número de mortes no trânsito equivalente ao dos Estados Unidos, apesar de termos 16 vezes menos passageiros por quilômetro.
ZH – O que se pode fazer em relação aos jovens, que estão entre os que mais morrem no trânsito?
Lindau – Os jovens se envolvem mais em acidentes por questões psicológicas, hormonais, de consciência. É da experiência de vida, de não entender que se morre. Temos de saber que isso existe e que é preciso fazer certas coisas, como coibir bebida em posto de combustíveis.
Mas para esse público insisto na questão da fiscalização, porque a conscientização já é feita. Não adianta chegar ao bar e dizer para o cara que está bebendo: “olha, não vai dirigir”. Ele sabe que vai dirigir e não vai acontecer nada. Os locais onde ficam os bares são conhecidos. Tem de fiscalizar e penalizar.
Luis Antonio Lindau, professor da UFRGS
Fonte:Zero Hora 08/06/2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ATÉ QUANDO?

No início da noite de segunda-feira, os porto-alegrenses experimentaram a incômoda sensação de viver numa cidade caótica, inviável para a circulação de veículos, vitimada pela incúria de sucessivas administrações.
Devido a um acidente entre dois ônibus e dois automóveis na Avenida Castelo Branco, o trânsito simplesmente parou. Numa sucessão de bloqueios motivados pelo excesso de veículos e pela insuficiência de vias de escoamento, as ruas centrais ficaram entupidas de carros, os ônibus não conseguiram andar e as pessoas levaram horas para se deslocar por poucos quilômetros, atrasando-se para seus compromissos.
Até mesmo atendimentos médicos foram dificultados, como no caso da ambulância que levou 45 minutos para prestar socorro à passageira de ônibus que desmaiou na Avenida Protásio Alves. A angústia da mulher refletia os sentimentos dos milhares imobilizados pelo trânsito mal planejado: desamparo, impotência e revolta contra as autoridades.
Não é a primeira vez que os gaúchos veem a sua principal cidade parar. O trânsito de Porto Alegre já se tornou um tormento rotineiro, que obriga muita gente a sair mais cedo de casa, a evitar os horários de maior movimento e até mesmo a cancelar compromissos.
Esta situação decorre, obviamente, do aumento geométrico da frota de veículos em circulação. De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito, de março de 2009 a março deste ano foram despejados nas ruas e estradas do Estado quase 280 mil novos veículos, elevando a frota para um total de 4,4 milhões. Mas esta não é a única causa do problema, nem a principal. Antes dela está a incompetência dos administradores públicos para buscar soluções.
Desde a construção da Terceira Perimetral, iniciada em 1999 e concluída em 2006, nenhuma outra grande obra viária foi feita na Capital para desafogar o tráfego. Para uma cidade que já sofre a carência de um sistema de transporte público eficiente, que não tem metrô nem alternativas coletivas, as saídas seriam investimentos em viadutos, rótulas, desvios, proibição de estacionamento em artérias movimentadas e fiscalização adequada.
Mas não se vê nada disso. Como uma cidade dessas poderá receber uma Copa do Mundo dentro de quatro anos?
Essa, porém, é uma preocupação para o futuro. O que incomoda mesmo é o agora, é o que se viu na última segunda-feira, é o que pode acontecer ainda hoje na hora de os trabalhadores se deslocarem para suas casas e os estudantes noturnos irem para suas escolas.
Da mesma forma como é perturbador o morticínio nas estradas, causado prioritariamente pela imprudência dos motoristas, também são asfixiantes os engarrafamentos que transtornam a vida das grandes cidades – estes gerados principalmente pela incapacidade dos responsáveis pela administração do trânsito.
Chega de leniência. Até quando os cidadãos terão que passar por isso? Porto Alegre quer se movimentar, como uma cidade civilizada, organizada, digna de sua população. O mínimo que se espera é que a prefeitura se manifeste, dizendo quais providências de curto e médio prazos irá tomar para que a situação da última segunda-feira não se repita.
Fonte: Zero Hora, 09/06/2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Professor estimula alunos a acompanharem estatísticas de morte no trânsito no Estado

Ao relacionar a quantidade de vítimas com a das pessoas em sala de aula, alunos conseguem perceber o impacto da perda de vidas
Itamar Melo* itamar.melo@zerohora.com.br
O professor Ricardo Giuliani entrou na sala de aula da Univesidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) às 19h30min de ontem e não tardou a perguntar aos alunos da disciplina de Teoria Geral do Direito:
– Quantos?
Os alunos, que já esperavam pelo questionamento, responderam de pronto.
– Trinta e oito – disseram alguns.
– Trinte e seis – contrapuseram outros.
O professor interveio:
– Isso mesmo. Trinta e seis. E de quem foi a culpa desta vez? Das pobrezinhas das árvores que estavam no meio do caminho? Dos barrancos na beira da estrada?
Os 36 a que Giuliani e os alunos aludiam eram os mortos no trânsito gaúcho durante o feriadão de Corpus Christi. E o diálogo de ontem era a repetição de uma cena que ocorre há seis anos nos minutos iniciais de todas as aulas do subchefe da Casa Civil no governo Olívio Dutra (1999-2002).
Para chamar a atenção dos estudantes para a mortandade nas estradas e avenidas, Giuliani abre os trabalhos promovendo uma contagem dos mortos do fim de semana e somando-as às que ocorreram desde a abertura do ano letivo. Se foram 12 mortes no sábado e no domingo, ele aponta uma fileira de classes:
– Esta fileira foi dizimada no fim de semana.
Quando o número de vítimas se equipara ao do total de alunos (no caso da turma deste semestre são 61), o docente de 47 anos faz um escarcéu:
– Onde estão os meus alunos? Foram todos dizimados no trânsito! A turma inteira se perdeu!
A iniciativa de Giuliani é uma forma de conferir dimensão concreta aos números frios de mortos que se acumulam a cada fim de semana. Ao relacionar a quantidade de vítimas com o das pessoas em sala de aula, diz ele, os alunos conseguem se dar conta da perda de vidas que está em processo nas estradas do Estado.
– A gurizada não tem dimensão do morticínio que é o trânsito. Eu mostro o que significam os 15 mortos de um fim de semana, os oito de outro, os 10 do seguinte. Quando se completa o número de alunos da turma pela primeira vez, é aterrorizante. Eu faço um escândalo, senão as mortes se banalizam. Sem isso, os números perdem significado – diz Giuliani.
O professor conta que teve a ideia viajando pela BR-116 a caminho da Unisinos e vendo as barbaridades cometidas no trânsito por jovens da idade de seus pupilos. Resolveu que precisava fazer uma intervenção em sala de aula. Seus alunos, futuros advogados, juízes e promotores, não podiam ficar mergulhados nos códigos, sem perceber o que estava acontecendo no mundo real, refletiu.
O esforço tem dado resultado. Os universitários participam das discussões, comentam que abordaram o assunto em casa, relatam mudanças de atitude. Às vezes algum até aparece para relatar que resolveu vender a moto por causa dos alertas em sala de aula.
– No começo, a gente não dava muita bola. Depois, começamos a ver os números aumentar. No final das contas, vira uma coisa bem chocante. Hoje todo mundo interage e comenta os casos de acidentes na turma. – conta um dos estudantes, Matheus Vigano Flores, 21 anos.
*Colaborou Letícia Barbieri
Fonte: zero hora, 08/06/2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Outro massacre em feriadão

LUTO NAS ESTRADAS
No mais violento Corpus Christi da década, pelo menos 34 mortes em rodovias e ruas gaúchas foram registradas até ontemA data de uma celebração religiosa se tornou uma carnificina no trânsito. Nos últimos 10 anos, nenhum feriado de Corpus Christi foi tão sangrento como o atual (veja quadro ao lado), com 34 mortes.
A partir das ocorrências das polícias rodoviárias, é possível constatar que a maioria dos acidentes envolveu motoristas de automóveis que saíram da pista, pilotos de motocicletas e pedestres atropelados. A sucessão dos casos de imprudência impressionou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM).
– Manobras arriscadas e irregulares são a causa principal desses acidentes – diagnosticou o comandante do CRBM, tenente-coronel Edar Borges Machado.
O número de mortes no trânsito durante o Corpus Christi também é um dos mais altos entre os últimos feriados. Supera o obituário de Natal, do Ano-Novo e da Páscoa e até o de Carnaval, que contabilizou 31 vítimas.
A cada início de feriadão, a PRF e o Comando Rodoviário alertam que motoristas, motociclistas e pedestres devem ter cuidado. As duas corporações garantem que atuaram preventivamente nos trechos mais perigosos, mas não conseguiram evitar o recorde trágico de desastres.
– A polícia é uma parte do processo, mas não se pode estar em todos os lugares – avalia Borges.
Chefe da Comunicação Social da PRF no Estado, o inspetor Jorge Nunes diz que as quatro mortes ocorridas em estradas federais, neste feriado, podem ser atribuídas à desatenção dos condutores. Duas foram por saídas de pista, na madrugada, o que pode indicar sono ou falta de atenção.
– As pessoas precisam ter consciência de que estão dirigindo um veículo. Devem assumir a segurança de uma viagem – observa o inspetor.
Para o comandante do CRBM, o crescimento da frota de veículos exigirá uma reavaliação da segurança no trânsito. Se não houver melhor preparação dos motoristas, adverte o tenente-coronel Borges, a mortandade continuará.
A carnificina no Estado
Informações das autoridades de trânsito indicam os tipos de acidentes que mataram os gaúchos no feriadão de Corpus Christi. Confira:
NOVE SAÍDAS DE PISTA
- Santo Antônio da Patrulha – Alan Oliveira dos Santos, 26 anos, morreu na BR-290, na manhã de ontem, quando capotou seu Ford Cargo.
- Venâncio Aires – Júlio César Dias, 48 anos, morreu na ERS-453 no sábado.
- São Leopoldo – O motorista de um Tipo perdeu o controle do carro e atingiu a mureta central da BR-116, por volta das 5h de sábado. Morreu Mariela Machado, 26 anos.
- Garibaldi – Everton Mânica, 23 anos, morreu por volta das 3h de sábado, na RSC-453. Ele dirigia no sentido Capital-Interior quando perdeu o controle do Ômega e bateu contra a vegetação na margem da pista.
- Santo Ângelo e Entre-Ijuís –Às 8h de sexta-feira, um carro foi encontrado capotado à beira da ERS-344, entre Santo Ângelo e Entre-Ijuís. Nele, estava Jonas Ramos Paiva, 24 anos.
- São José do Norte – Três jovens que estavam em um Polo morreram na madrugada de quinta-feira. O veículo bateu contra uma carreta estacionada. Morreram o motorista Argemiro Rafael de Oliveira, 27 anos, e os passageiros Wilson Mackmillan de Souza, 20 anos, e Rafael Costa da Conceição, 22 anos.
- Palmares do Sul – Bárbara Rodrigues Pereira, 22 anos, morreu na RSC-101, às 3h de quinta-feira. Ela estava em um Ecosport que bateu em uma árvore.
SEIS MOTOCICLISTAS E UM CARONA MORTOS
- Novo Hamburgo – Enio Luís Santos Rosa, 48 anos, morreu ao cair da moto e ser atropelado por veículos na ERS-239, por volta das 21h30min de sábado.
- Pelotas – Jonas da Silva Silveira, 19 anos, morreu por volta das 4h30min de sábado ao bater sua moto em um Focus.
- Vicente Dutra – Altair Klemm, 32 anos, foi encontrado morto na sexta-feira. Ele estava ao lado da moto, na ERS-150
- Santo Ângelo – João Pedro Ribeiro da Silva, 55 anos, morreu por volta das 4h30min de sexta-feira, na ERS-344, ao bater a moto em uma carreta.
- Ronda Alta – Dois tripulantes de uma moto morreram na ERS-324, quinta-feira, ao baterem em trator. Um deles foi identificado como Juliano Modesto, 24 anos.
- Ibirapuitã – O motociclista Francisco de Oliveira, 20 anos, morreu ao bater em outra moto. O acidente ocorreu quinta-feira à tarde numa estrada vicinal.
SEIS ATROPELADOS
- Encantado – Tânia Maria da Rocha, 43 anos, e Haroldo Mendes da Silva, 30 anos, morreram na noite de sábado. Eles foram atingidos por um Corsa.
- Passo Fundo – Ethelvino Lourenço Gazzola, 84 anos, foi atingido por uma moto, às 19h de sexta-feira.
- Caxias do Sul – José Carlos Ribeiro de Almeida, 40 anos, morreu na sexta-feira.
- Santa Maria – Sônia Jesus de Ávila, 48 anos, morreu ao ser atingida por uma Toyota, quarta-feira à noite.
- Soledade – Adilar Rodrigues, 60 anos, morreu ao tentar atravessar a BR-386, quarta-feira à noite.
TRÊS CICLISTAS MORTOS
- Xangri-lá – João Carlos dos Santos foi atingido por um carro na Estrada do Mar, às 21h de sexta-feira.
- Candelária – O ciclista Onezimo Moraes, 59 anos, morreu ao ser atingido por um caminhão na RSC-287, às 18h de sexta-feira.
- Porto Alegre – Uma moto atropelou um ciclista na Avenida Ipiranga, às 19h45min de quinta-feira.
QUATRO MORTOS EM OUTRAS SITUAÇÕES
- Horizontina – Nelson e Iris Bencke morreram na ERS-342, ontem. Eles estavam numa Quantum, que bateu num Astra.
- Torres – Filip Bondaczuk morreu, ontem, depois que seu Corsa bateu em um Cargo, na BR-101.
- Rio Pardo – Um Clio bateu na traseira de uma S-10, que capotou na BR-290, ontem à tarde. Morreu Lúcia Maria Bresciani Lopes, 58 anos, que estava na S-10.
Fonte: zero hora, 07 de junho de 2010

sábado, 5 de junho de 2010

Curvas com falhas causam acidentes, aponta estudo

Problema está nos manuais que servem de base para a elaboração de projetos
Conclusão é referendada pelo governo federal, autor dos manuais, que deverão passar por uma revisão para elevar segurança nas vias
O tombamento de um ônibus que circulava a 27 km/h numa curva, sete anos atrás, intrigou Sergio Ejzenberg, mestre em engenharia de transportes pela USP e especialista em perícia de acidentes viários. Não havia excesso de velocidade.
"Será que a culpa vai recair, de novo, sobre o motorista?, pensou Ejzenberg, que descobriu que a curva não oferecia segurança mesmo a veículos pesados trafegando devagar.
E, depois de seis anos, concluiu que esse é um problema espalhado por rodovias e grandes avenidas do Brasil, conforme estudo apresentado no ano passado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
As falhas, segundo Ejzenberg, estão nos próprios manuais de projetos para a construção de curvas e determinação das velocidades, que ignoram, dentre outros fatores, a possibilidade de tombamento lateral de caminhões e ônibus.
Somente em estradas federais ocorrem mais de dez acidentes desse tipo a cada dia.
O especialista concluiu que os cálculos são baseados num ponto de massa similar a de um carro. Por isso, admitem a hipótese de derrapagem, mas não a de um giro de 90 graus em torno do eixo -como ocorre com veículos altos. "É como uma rasteira. Os caminhões e ônibus podem tombar antes de escorregar. E, se a carga for alta, qualquer desvio de buraco já vai provocar um acidente."
O problema, defende ele, está concentrado principalmente em curvas fechadas, de velocidade até 60 km/h, que precisariam dobrar de raio -só não atinge todas porque os engenheiros podem adotar critérios mais conservadores que os dos manuais técnicos do governo federal -habitualmente seguidos por Estados e municípios.
Mas Ejzenberg cita vários exemplos de curvas "mortais", inclusive na capital paulista -na avenida dos Bandeirantes, na avenida do Estado e nas alças de acesso às pontes das marginais Pinheiros e Tietê.
Nas estradas, ele considera alta a probabilidade de falha inclusive na curva do km 69 da Fernão Dias, em Mairiporã (Grande SP), onde um ônibus perdeu a direção na semana passada, deixando oito mortos.
Mudança em projetos
As conclusões de Ejzenberg têm sido respeitadas no meio acadêmico e no governo federal, responsável pelos dois manuais contestados, de 1999 e 2005. O engenheiro Gabriel de Lucena Stuckert, do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), informou à Folha que "as questões levantadas na tese" de Ejzenberg já estão sob avaliação.
Segundo ele, um estudo do próprio órgão sobre os veículos de carga foi aprovado em dezembro de 2009 e será utilizado para a revisão dos manuais.
Esse trabalho também constatou a necessidade de mudar os projetos de curvas de estradas com movimento de caminhões de grande porte, citando que eles "exigem valores de superlargura [alargamento de faixas de rolamento] nas curvas bem superiores aos determinados pelas normas em vigor".
O Dnit não comentou a possibilidade de adotar medidas emergenciais nas rodovias já existentes. Ejzenberg propõe mudar com urgência a sinalização para reduzir os limites de velocidade para ônibus e caminhões em curvas. "O motorista dirige com a sensação de segurança. Mas ele está sendo mal informado pela sinalização, e isso é gravíssimo. Aquela velocidade não é segura", afirma.
Problema também afeta outros países
As falhas nos cálculos para a projeção de curvas se repetem em outros países, como EUA e Austrália, onde já tem havido correções, de acordo com Sergio Ejzenberg. Na Europa, segundo ele, os critérios já eram mais conservadores devido ao relevo montanhoso de muitas regiões.
"Temos que construir vias melhores. Se um motorista imprudente estiver numa via segura, pode não ocorrer nada. Numa via insegura, é acidente na certa", diz José Alex Sant'anna, doutor em engenharia de transportes pela USP.
Consultor do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Sant'anna relativiza a responsabilidade dos manuais. "São só uma referência geral, uma primeira orientação."
Motorista vive outros riscos, conclui governo
Além das falhas nas construções de curvas, sinalizações que orientam ultrapassagens podem levar a situações de perigo.
Conclusão leva o governo federal a recomendar que novas obras adotem outros parâmetros para tornar a ultrapassagem mais segura
Além das falhas nas construções de curvas, o governo federal já identificou outros pontos nas normas rodoviárias do país que requerem ajustes para aumentar as condições de segurança para os motoristas.
Um deles afeta diretamente as ultrapassagens feitas pelos veículos em pistas simples, um dos principais motivos de acidentes viários nas estradas.
O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) avaliou que "as distâncias de visibilidade de ultrapassagem permitidas para fins de sinalização são determinadas considerando a ultrapassagem de um carro de passeio por outro carro de passeio".
O órgão decidiu em dezembro recomendar, "nos casos de novas rodovias ou de melhoramentos de grande porte" em estradas existentes, que seja considerado como critério a ultrapassagem de diversos tipos de caminhões de grande porte.
A nova orientação busca evitar que os automóveis comecem a ultrapassagem num lugar permitido (com faixa amarela intermitente), mas não consigam terminá-la num ponto seguro devido ao tamanho do veículo a ser ultrapassado.
Além do risco de tombamento nas curvas, Sergio Ejzenberg, autor de estudo sobre falhas nas construções de curvas, viu outros problemas nos manuais de projetos rodoviários que agravam os riscos de acidente.
Segundo ele, não são dimensionados os impactos das cargas líquidas e vivas dos veículos, que se movimentam e reduzem a estabilidade lateral.
Além disso, é considerada a hipótese de que os veículos seguem a trajetória exata da curva -quando, na realidade, há momentos em que eles seguem um caminho mais fechado, ameaçando a estabilidade.
Ejzenberg diz que os cálculos sugeridos para os raios e elevação das curvas também ignoram os efeitos agravantes das descidas -quando a gravidade ajuda a acelerar os veículos- e a aderência menor de pneus de caminhões e ônibus.
Por fim, não é levada em conta a tolerância ao pequeno excesso de velocidade, de até 7 km/h -aceita pela fiscalização, assimilada por motoristas e que produz grande impacto na aceleração durante uma curva.
A Secretaria de Estado dos Transportes e a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana não quiseram comentar. A CET se limitou a emitir nota dizendo que analisa "todos os aspectos técnicos necessários para garantir a segurança no trânsito" e que "não há nenhum indicador que demonstre a necessidade de alteração dos critérios adotados". (AI)
Fonte: folha de são paulo: http://www.perkons.com
ALENCAR IZIDORO
DA REPORTAGEM LOCAL

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Acidente com 3 veículos deixa 7 mortos no interior de SP, diz polícia

Colisão entre carreta, carro e caminhão ocorreu em Elias Fausto às 5h.
Demais estradas têm tráfego intenso durante feriado de Corpus Christi.
Um acidente envolvendo três veículos deixou pelo menos sete mortos no início da madrugada desta quinta-feira (3), durante a saída para o feriado de Corpus Christi, em Elias Fausto, no interior de São Paulo. De acordo com a Polícia Militar Rodoviária Estadual, uma carreta tombou na altura do km 124 da Rodovia do Açúcar, no sentido Capivari, sobre um carro. Em seguida, um caminhão não conseguiu frear e bateu na carreta.
Segundo a polícia, cinco pessoas que estavam num automóvel Pálio, envolvido no acidente, morreram. O órgão informou que ainda não é possível se saber exatamente o número de feridos porque o trabalho de remoção das vítimas ainda estava sendo feito até às 8h30 desta quinta.
As duas faixas da Rodovia do Açúcar continuam interditadas para a remoção dos destroços dos veículos. A via foi interditada e o trânsito foi desviado para uma estrada municipal que liga Elias Fausto a Capivari. Não há previsão para liberação da pista.
Nas demais estradas do estado de São Paulo, o tráfego de veículos continua intenso, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Foram registrados 4 quilômetros de lentidão na Rodovia Régis Bittencourt, em Juquitiba, a 78 km da capital, no sentido Curitiba (PR), de acordo com a Autopista, concessionária que administra a via.
O congestionamento, que começou por volta das 6h, ocorre num trecho da Serra do Cafezal. Não há registro de acidentes no local.
O trânsito também está intenso no km 90 da Rodovia Fernão Dias, sentido Minas Gerais (MG), no município de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Fonte: g1, 03/06/2010 08h46 - Atualizado em 03/06/2010 12h59

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Combinação perigosa

Tomara fosse menor a contagem das mortes de jovens que a bebida e a condução perigosa de automóveis provocaram no fim de semana. Na sexta-feira, quando escrevi este artigo, tínhamos sete, terrível resultado de fatos com circunstâncias idênticas.
Fim de festa, fim de noite, fim de vida. Motorista embriagado em pelo menos um dos casos, acompanhante com sintomas de abuso com o álcool em outro, sono, cansaço e emulação pela velocidade somaram-se nas causas das tragédias.
Uma combinação perigosa e assassina de fatores provocados pelos homens. Meninos que perdemos por nada. Mortes absurdas, resultado de uma cultura que precisamos corrigir e apagar, que faz a garotada pensar que um herói se faz a 120 quilômetros por hora.
Cena chocante é verem-se postos de serviço lotados de carros ocupados por moços e moças que, antes da balada, compram cervejas, vodca, caipirinha e combinações explosivas de energéticos e alguma bebida destilada para embalarem a noitada promissora.
Depois, a ilusão de que é possível manter reflexos e condições físicas para enfrentar o trânsito perigoso das madrugadas. Todos afrouxam os controles, vencem sinaleiras, faixas de segurança e o que seja alguma regra de comportamento de um motorista.
E o que era vermelho vira verde, anda-se na contramão, derrapagem é brincadeira e um pega é para mostrar quem pode mais. Tudo isso acontece todas as noites, marcadamente nas sextas e sábados, mesmo depois das notícias daquelas perdas e de outras tantas anteriores.
Educação, engenharia (condições dos veículos e das vias de circulação) e esforço legal são os três pilares que sustentam as ações que caracterizam um sistema de trânsito ditado por políticas públicas corretas, de contenção da mortandade causada por quem age com imprudência na maioria das vezes, mas também por quem assume os riscos de produzir esses resultados danosos. Precisamos outra vez insistir em aplicação dura da lei.
Não falta texto legal, falta efetividade para que as leis sejam cumpridas plenamente. Ora são os radares e pardais desativados por meses (engenharia), ora são os motoristas que abusam descaradamente (educação) e que, pela falta de fiscalização, são premiados com a impunidade (esforço legal).
Os três vértices do que seria o comportamento ideal desconectaram-se, ruiu o triângulo do trânsito. Temos que redesenhar essa figura de três pontas. Uma delas desgastada já basta para atrapalhar e matar. Se uma tiver que ser a primeira, vamos falar em educação.
Com ela, sem beber, dirige-se devagar, sob neblina, em estrada esburacada. Sem educação, morre-se embriagado ao volante. E, não poucas vezes, mata-se quem está junto ou vem do lado de lá. Uma chacina encharcada na borracheira. Imprudência e riscos assumidos. Já está mais que vencido o tempo de mudar. Estamos atrasados. Morrerão muitos mais, enquanto não houver a reeducação desses meninos que ora choramos.
Cláudio Brito Jornalista
Fonte:Zero Hora 31/05